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A menos de um mês para o Mundial na Rússia, 4 das 13 obras previstas para a Copa de 2014 estão inacabadas em Curitiba

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23/05/2018 14:51

Uma obra é de responsabilidade da Prefeitura de Curitiba, e as outras três do governo estadual, autoridades citam problemas com a licitação e impasse judicial

Foto: ilustrativa/reprodução
Legenda da foto

A previsão de conclusão era para a Copa do Mundo no Brasil, em 2014, mas quatro anos depois, a pouco menos de um mês para o Mundial da Rússia, quatro das 13 obras propostas pelo Governo do Paraná e pela Prefeitura de Curitiba ainda não foram concluídas.

As autoridades citam problemas com as empresas que venceram as licitações para executar as obras e impasses judiciais como exemplo de empecilhos para a conclusão dos trabalhos.

Todas as obras fazem integração entre a capital e a Região Metropolitana. O G1 foi até alguns desses lugares para saber como está a situação desses projetos. Assista ao vídeo acima.

Do total de obras, seis foram propostas pelo governo estadual. Três delas ainda não foram concluídas.

Rua da Pedreira (Colombo) – concluída ( investimento de R$ 26.086.940,40)

Av da Integração (Pinhais) – concluída (investimento de R$ 13.240.563,73)

Alça da Avenida Senador Salgado Filho (Curitiba) – concluída (investimento de R$ 5.611.202,50)

Corredor Aeroporto-Rodoferroviária (São José dos Pinhais) – inacabada(investido até o momento R$ 44.487.333,13). Valor da licitação: R$ 14.465.100,83.

Requalificação do Corredor Marechal Floriano Peixoto (São José dos Pinhais) – inacabada (investido até o momento R$ 21.836.814,07). Valor da licitação: R$ 5.644.066,5

Sistema Integrado de Monitoramento Metropolitano – inacabada(investido até o momento R$ 12.663.179,58). Valor da licitação: 19.858.776,50.

Já a Prefeitura de Curitiba propôs sete projetos de obras, e um ainda está inacabado.

Viaduto Estaiado – concluído (investimento de R$ 118,5 milhões)

Requalificação do Corredor Marechal Floriano Peixoto – concluído(investimento de R$ 65,2 milhões)

Requalificação Corredor Aeroporto/Rodoferroviária – concluído(investimento de R$37,3 milhões)

Revitalização da Praça do Afonso Botelho – concluído (investimento de R$ 4,6 milhões)

Revitalização da Linha Verde Sul – concluído (investimento de R$ 18,8 milhões)

Rodoferroviária – concluído (investimento de R$ 46 milhões)

Reforma e ampliação do Terminal do Santa Cândida – inacabado(investido até o momento R$ 11,4 milhões). Valor da licitação : R$ 15 milhões.

O que dizem os moradores

O auxiliar de eventos Welder Ribeiros dos Santos, que mora em São José dos Pinhais, na Região Metropoliatana de Curitiba, passa diariamente por um trechos da obra Corredor Aeroporto-Rodoviária.

Ele diz que por conta dos serviços inacabados ele precisa fazer um trajeto maior e que isso acaba pesando no bolso. Esta obra é de responsabilidade do governo estadual.

“Para poder ir até o parque, por exemplo, eu preciso rodar pelo menos dois quilômetros a mais todos os dias. Isso, no fim do mês, dá um valor alto de combustível. É um absurdo e uma vergonha para o nosso Brasil”, reclamou Santos.

“Tá tudo inacabado. Aqui mesmo não tem rampa para cadeirante e provavelmente não vão fazer porque já está acabado aquele trecho. Eu acho um desrespeito com o cidadão. A gente paga certinho os impostos, se atrasa um pouquinho é multado, e a gente não vê o país melhorar”, argumentou o ciclista aposentado Celso Souza Monteiro sobre a mesma obra.

Em outro trecho desse projeto de responsabilidade do governo estadual, a professora Marly Mickos Richa também está descontente. Ela diz que os operários aparecem de vez em quando, e o transtorno por causa das obras só aumenta.

“O grande transtorno é por causa da escola municipal, que fica a 100 metros da obra. Nós [moradores] fizemos um abaixo-assinado para que não saísse a obra, mas não houve acordo. Eles fizeram do mesmo jeito. Eles fazem um pouco, depois vão embora e não voltam de novo. E aí fica esse transtorno aqui atrapalhando até a própria igreja que fica aqui ao lado”, afirmou.

No trecho da obra Corredor Marechal Floriano Peixoto, que também é de responsabilidade do governo, a empresária Juliana de Andrade disse que o transtorno maior é por causa da grande concentração de ônibus nas vias normais.

No local, foi construída uma canaleta exclusiva para os coletivos, mas como a obra está inacabada, o trecho está interditado por manilhas.

“Acontecem muitos acidentes aqui, inclusive atropelamentos. Os veículos passam muito rápido. Eu espero que eles resolvam logo esse problema”, reclamou.

Oportunidade passou batida

Para a professora de geografia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Olga de Freitas Firkowski, houve um certo esforço e um certo alcance das obras que estavam contidas nos limites do município de Curitiba durante o período da Copa do Brasil.

“Então, tudo aquilo que estava para além do limite de Curitiba, como, por exemplo, a Marechal e o aeroporto, que ao meu ver são as duas coisas mais significativas, ainda estão por ser concluídas por questões ligadas ao gerenciamento da Comec, e à obtenção do dinheiro do estado”, disse Olga ao destacar uma visão municipalista por parte do Poder Público.

Na opinião da professora, como alguns projetos bem ou mal foram concluídos, perdeu-se uma oportunidade de ampliação dessas obras no momento em que havia fontes perenes de recursos.

“Ou seja, perdeu-se a oportunidade de ampliar o olhar sobre a cidade. A cidade de Curitiba hoje é muito mais do que aquilo que está dentro do município de Curitiba. Obras viárias que são importantes, inclusive para a capital, não foram concluídas”, ressaltou.

Arena da Baixada

As obras do estádio sede da Copa do Brasil em Curitiba, a Arena da Baixada, já foram totalmente concluídas. O entorno é cercado por áreas residenciais e alguns pontos de comércio de materiais esportivos, estofados, tecnologia, entre outros.

A Praça Afonso Botelho, que fica em frente ao estádio, recebeu obras de revitalização e foi recentemente concluída, em março deste ano. O local oferece atividades físicas e esportivas com capacidade de 1,8 mil atendimentos por mês.

Várias linhas de ônibus de diferentes regiões da cidade passam no entorno da Arena, sendo uma delas a do ligeirinho que faz a linha Pinheirinho/Santa Cândida.

O estádio fica localizado no bairro Água Verde, próximo da área central da capital paranaense.

O que dizem as autoridades

A Prefeitura de Curitiba informou que a reforma do Terminal Santa Cândida iniciou em 2012 e que, depois de diversos adiamentos, foi entregue incompleta em fevereiro de 2016 após a administração anterior encerrar o contrato com a empresa ganhadora da licitação.

A administração municipal disse ainda que, com isso, a obra ficou inacabada, principalmente, na parte do subsolo, onde ficarão lojas para o comércio.

A ordem de serviço para a retomada das obras foi assinada no dia 2 deste mês, ainda de acordo com a prefeitura, e o prazo para a conclusão dos serviços é até setembro deste ano.

Sobre a obra do Corredor Aeroporto-Rodoferroviária, o governo afirmou que foi feita uma nova licitação e, em janeiro de 2018, foi contratada a nova empresa para concluir a obra.

De acordo com a Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), 70% da obras foram concluídos. A expectativa é para que os serviços terminem no final do segundo semestre.

Sobre a construção do projeto Corredor/Marechal Floriano Peixoto, a Comec afirmou que 90% foram concluídos e que iniciou o processo de licitação, com valor máximo de R$ 5.644.000,00, porém, uma das empresas participantes suspendeu a licitação por força de decisão judicial junto ao Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR).

A Comec afirmou ainda que vem tomando as medidas judiciais necessárias para solucionar esta pendência e assim poder concluir a obra. Contudo, até a publicação desta reportagem, não havia data para a conclusão das obras.

Quanto à obra do Sistema Integrado de Monitoramento Metropolitano (SIMM), a administração estadual disse que o sistema depende da conclusão do Corredor Aeroporto/Rodoferroviária e do Corredor/Marechal.

G1