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Análise: boas e más atuações não dão nem tiram vaga de titular no Corinthians

Esportes, Nacional
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16/10/2017 08:55

Apesar da oscilação no segundo turno, Carille tem seus titulares definidos e não dá sinal de mudanças

Fábio Carille tem seus 11 titulares do Corinthians definidos (Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians)
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Não importa se o titular vem jogando mal e o reserva tem entrado bem: no Corinthians, líder do Brasileirão com 58 pontos, os 11 titulares de Fábio Carille estão definidos e as mudanças acontecem apenas por suspensões, convocações ou lesões. Parece ser uma regra.

Na cabeça de Carille, o Corinthians ideal tem Cássio, Fagner, Balbuena, Pablo e Guilherme Arana; Gabriel e Maycon; Jadson, Rodriguinho e Romero; Jô. Assim o time foi campeão paulista e se mantém no topo do Brasileirão. Assim oscila no segundo turno e deixa a Fiel apreensiva.

Na derrota por 2 a 0 para o Bahia, em Salvador, Pedro Henrique substituiu o machucado Pablo e Camacho ficou na vaga do suspenso Gabriel. Mudanças pontuais e esperadas. Clayson, autor de quatro gols em três jogos (contra São Paulo, Cruzeiro e Coritiba) seguiu no banco de reservas com a volta de Romero, que estava suspenso. Entrou no jogo aos 22 minutos da etapa final, pouco antes do primeiro gol do Bahia. Marquinhos Gabriel havia substituído Jadson seis minutos antes.

Em campo, o time teve mais uma atuação abaixo da média e perdeu por falhas individuais: Fagner errou feio, o time saiu perdendo por 1 a 0 e não conseguiu reagir. No fim, levou o 2 a 0 quando Cássio partiu para o ataque tentar o empate, e Marquinhos Gabriel errou passe.

A repetição do time mesmo na oscilação geral gera duas perguntas:

Falta ousadia para Carille fazer mudanças na escalação inicial de acordo com as atuações e o momento?

Ou faltam reservas que consigam aproveitar as chances que recebem como titular para convencer o treinador de que precisam seguir entre os 11?

Herdeiro de Tite, Carille tem postura parecida com a do gaúcho: é grato aos jogadores que o ajudaram a se consolidar como treinador e não queima seus atletas, em quem acredita. Talvez, porém, falte apostar no “merecimento”, uma outra máxima do atual técnico da Seleção. Até como forma de alertar os “11 ideais”: quem jogar mal em sequência pode, sim, perder vaga no time.

Jadson é um exemplo. Não tem feito grandes jogos desde a lesão nas costelas, mas em momento nenhum teve vaga ameaçada. Como ele, Guilherme Arana, Maycon, Rodriguinho e Romero vivem momento irregular. Todos têm crédito com a torcida pelo ano incrível do Timão até aqui, mas a queda de rendimento de cada um deles tem influenciado no baixo desenvolvimento coletivo.

Por outro lado, surge a dúvida: dá para confiar nos reservas? Quando foram titulares, jogadores como Marciel, Camacho, Marquinhos Gabriel, Giovanni Augusto e Clayson não deixaram a impressão de que precisam entrar no time para não sair mais. Mesmo contra o Bahia, Clayson entrou e não conseguiu repetir as últimas boas atuações. Faria diferente como titular?

Carille foi novamente perguntado sobre mudanças e não deu nenhum sinal de que fará alterações diante do Grêmio, na quarta-feira – só Gabriel deve voltar de suspensão no lugar de Camacho.

Em nove rodadas no segundo turno, o Timão somou 11 dos 27 pontos possíveis. Um aproveitamento de apenas 40%. A diferença para o vice-líder é de nove pontos. Se o Santos vencer o Vitória nesta segunda-feira, pode cair para sete. Ainda uma boa vantagem, mas que com dez rodadas pela frente ainda mantém os adversários esperançosos pelo título nacional.

Pelo desempenho incrível do turno inaugural, o Corinthians segue sendo favoritíssimo ao título. Na reta final, porém, Carille terá de decidir entre manter seus homens de confiança na expectativa que voltem a jogar um bom futebol ou tentar apostar num fato novo para melhorar o rendimento.

GE