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Análise: Inter assume “guerra” após expulsão, usa arma rival e neutraliza Brasil

Esportes, Nacional
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10/10/2017 09:47

Na vitória por 1 a 0, Colorado teve de atuar com 10 em campo pela primeira vez na Série B, por quase todo segundo tempo, e jogou até melhor após vermelho de Sasha

Colorados comemoram gol de Leandro Damião contra o Brasil (Foto: Ricardo Duarte/Internacional/Divulgação)
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Vitória magra com 10 homens, jogadores esgotados, estirados no gramado e uma explosão em festa nas arquibancadas. O cenário de festa após o triunfo do Inter por 1 a 0 sobre o Brasil de Pelotas, nesta segunda-feira, pela 29ª rodada da Série B, indica uma partida com pressão rival e sofrimento até o último minuto aos colorados no Beira-Rio. Mas não foi bem assim.

A equipe, claro, teve de batalhar e esgotar cada gota de suor para assegurar o resultado ao longo de mais de 100 minutos de partida. Mas também viu seu rendimento melhorar, com maturidade para neutralizar o rival e até criar chances, mesmo com um jogador a menos durante quase toda a segunda etapa, após a expulsão de Eduardo Sasha logo aos seis minutos – a primeira em 29 partidas na Série B.

“Vitórias como essas trazem muita moral. O grupo se fecha e se une como ocorreu com a saída do Sasha. Com esta simbiose torcida e equipe, tudo flui. O Inter briga e se entrega muito em campo. É a identidade do Inter, o Inter guerreiro, de grandes conquistas”. (Guto Ferreira, técnico)

O acréscimo de desempenho tem a ver com os cenários e o desenrolar da partida, típica de um enfrentamento de Gauchão, com o rival do interior disposto a amarrar e esfriar o jogo – com boa dose de violência, diga-se. Prova disso são os 11 cartões amarelos distribuídos pelo árbitro Elmo Alves durante a partida, entre os quais oito para atletas do Brasil de Pelotas, além da expulsão de Eduardo Sasha.

O clima bélico entre as duas equipes ficou bastante evidente logo no primeiro lance do jogo, em uma confusão com William Pottker e Marlon. Ao dominar uma bola pela direita e tentar fazer o giro, o camisa 99 foi atingido no rosto duas vezes pelo lateral-esquerdo rival. E logo se levantou para tirar satisfações. Os ânimos só foram contidos pelos companheiros.

– No primeiro lance, o cara me boxeou. P***. Deu dois socos na minha cara. Isso mostrou com que propósito vieram aqui, para arrumar confusão com o D’Alessandro, tentar expulsá-lo. Mas não conseguiram. Ele foi experiente – afirma Pottker.

Confusões à parte, o Brasil de Pelotas conseguiu, de fato, neutralizar o Inter ao longo de boa parte do primeiro tempo, por méritos próprios e deméritos do Colorado. O Xavante se fechou em seu campo de defesa em um 4-1-4-1 bastante compactado, com velocidade para explorar as beiradas. A equipe de Guto Ferreira, por sua vez, aceitou a marcação adversária com lentidão na saída de bola e pouca incisividade para ir ao ataque.

Ainda assim, conseguiu criar chances em lances esporádicos – não sem deixar brechas ao contra-ataque. Aos 10 do primeiro tempo, Edenílson lançou Pottker, que chutou forte. Pitol espalmou, e o atacante perdeu sem goleiro dentro da área. A partir daí, o Colorado só conseguiu levar perigo na bola parada e arremates de longa distância. Aos 31, Pottker – de novo ele – arriscou e mandou para fora. Aos 45, D’Ale cobrou escanteio na cabeça de Cuesta, que acertou a trave.

O gol saiu já nos acréscimos. O camisa 10 cobrou falta da esquerda na cabeça de Damião, que se antecipou no primeiro poste e completou para as redes. O tento deu tranquilidade à equipe para o segundo tempo. E o Inter, de fato, conseguiu controlar a bola sem riscos… Até a expulsão de Eduardo Sasha. Logo aos seis minutos, o atacante acertou o peito de Éder Sciola em uma disputa de bola e rumou ao chuveiro mais cedo.

– Nós tivemos algumas (chances), não muitas, mas fechamos o primeiro tempo com gol. No segundo tempo, tivemos a infelicidade de perder o Sasha. Aquilo atrapalhou. Estávamos empurrando o Brasil. Tivemos que recompor a equipe e tentar jogar no erro do Brasil – disse Guto Ferreira.

Inter usa arma do adversário após expulsão

Dito e feito. Sem Sasha, o Colorado se armou em um 4-4-1, com Damião mais adiantado e D’Alessandro deslocado à função de extrema, mais aberto, até ser substituído por Camilo. Acostumado a propor o jogo – algo que foi a dificuldade da equipe nos primeiros compromissos da Série B –, o Inter abriu mão de jogar com a bola até o final da partida. E usou a imposição física de Leandro Damião e a velocidade e explosão de William Pottker para levar perigo ao Brasil.

Com resultado. O Brasil de Pelotas aproveitou a vantagem numérica para se adiantar em campo e tentar pressionar o Inter. O efeito foi contrário. O Xavante deu trabalho a Danilo Fernandes em apenas uma finalização, de Rafinha, aos 26. E ainda viu os donos da casa empilharem chances em escapadas em velocidade, em especial com William Pottker.

“A expulsão nos dificultou bastante, mas tivemos as melhores chances. Colocamos três bolas na trave. Com 10 homens, nosso time terminou voando e correndo bem mais que o adversário.” (Roberto Melo, vice de futebol)

Aos 28, o camisa 99 driblou dois jogadores, invadiu a área e chutou na trave. Três minutos mais tarde, serviu Cláudio Winck, que recebeu de cara para o gol e voltou a acertar o poste. Em um jogo de transições constantes – da defesa ao ataque e vice-versa – o Inter viu a conta estourar. Leandro Damião sentiu uma fisgada no músculo posterior da coxa esquerda. Uendel também encerrou a partida com dores musculares.

– A gente tem que se adaptar conforme a partida te indica. No primeiro tempo, a gente teve um jogo muito truncado, em que esperaram a gente. Sei que quando tem espaço, a gente precisa do jogador que puxa o time para frente, que faz jogada individual. Senti que a equipe precisava de mim – analisa Pottker.

O centroavante deixou o campo aos 32, para o ingresso de Nico López. E o uruguaio criou duas grandes chances para ampliar o marcador. Aos 35, o gringo serviu Camilo, que mandou de primeira, para bela defesa de Marcelo Pitol. Depois, ainda fez grande jogada individual até ser travado no chute pela zaga rival. Não alterou o placar, mas garantiu uma vitória “para dar moral”, como garante Guto.

– As três chances com um jogador a menos ocorreram porque o adversário saiu e acreditou que podia. Ficou aberto, mas nossa transição criou as situações. Nossa equipe tem um condicionamento muito bom. Sustentamos o jogo até se impondo. O torcedor se identifica com algo positivo. Não só os resultados, mas como o Inter se entrega – analisa o técnico.

Após a vitória desta segunda-feira, o Inter chega a 57 pontos na Série B e mantém a vantagem confortável na liderança da tabela. O elenco colorado tem dois dias de folga e só se reapresenta na manhã da quinta-feira. A equipe volta a campo apenas na próxima terça-feira, quando enfrenta o Boa Esporte, às 19h15, em Varginha, pela 30ª rodada da competição. Guto Ferreira não poderá contar com Edenílson e Eduardo Sasha, suspensos, na partida, ao passo que Leandro Damião e Uendel preocupam o departamento médico e serão reavaliados ao longo da semana.

GE