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Belfort revela que sempre sentiu medo antes de lutar: “Faz parte da humanidade”

Esportes, UFC
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13/01/2018 09:59

"Fenômeno", que se aposenta neste domingo, elegeu Randy Couture como o adversário mais duro e Dan Henderson como a maior rivalidade que já teve no esporte

Por Evelyn Rodrigues e Ben-Hur Correia, Direto de St Louis, EUA
Legenda da foto

Vitor Belfort foi o lutador mais aplaudido dos treinos abertos do “UFC: Stephens x Choi”, realizado nesta sexta-feira em St Louis, nos EUA. É bem verdade que ele fez um treino relâmpago, mas compensou a torcida dedicando boa parte do tempo para tirar fotos e distribuir autógrafos com os fãs presentes à Scottrade Center.

Aos 40 anos, o “Fenômeno” faz, no domingo, a última luta de sua carreira, composta de 26 vitórias, 13 derrotas e uma luta sem resultado. E ele conta que ainda sente o mesmo frio na barriga que sentiu desde a primeira vez que pisou dentro de um cage para lutar.

– A gente sente muito medo. Com certeza, o medo fez parte e faz parte até hoje. São aquelas três perguntas que todo mundo faz: “Você está preparado”, “E aí, está nervoso? Não, estou super calmo, vou tocar uma ópera, né? E se você não está preparado, você é um cara completamente louco. Então é um esporte muito violento com certeza e você tem que estar preparado, e a gente tem que enfrentar os nossos medos para viver nossos sonhos. A pessoa que fala que não sente medo, é um caso a ser estudado, porque o medo faz parte da humanidade – declara em entrevista ao Combate.com.

No bate-papo, Vitor relembrou alguns momentos marcantes de sua carreira e falou com siceridade sobre diversos assuntos, incluindo a revanche com Anderson Silva, que nunca aconteceu. O “Fenômeno”, que pareceu um pouco saudoso em alguns pontos da entrevista, também garantiu que não vai sentir falta do octógono e que está pronto para a nova etapa de sua jornada.

Chega a dar emoção. Eu senti isso, é emocionante ver o carinho que as pessoas têm. Essa oportunidade de tirar foto, de apertar a sua mão… acho que o UFC criou essa maneira e as pessoas podem ter contato com a gente, e isso é legal. Não é todo esporte que tem isso. Geralmente no futebol existe uma grade entre o jogador e o torcedor. Aqui não tem grade, é face a face, você aperta a mão, é bem bacana.

É o primeiro passo de uma grande jornada. A decisão de parar é porque é preciso saber que a vida tem estações e eu estou indo para a minha segunda jornada. Graças a Deus a oportunidade está me esperando, e estou contente e confiante. São mais de 20 anos de carreira… eu tenho 20 anos só no UFC. No total tenho uns 22 anos de carreira. É saber o momento, é saber que chegou a hora. Da maneira que esporte está indo, ainda não foi criada essa divisão, essa liga (de Lendas). Eu estava dividindo um pouco das minhas ideias quando falei isso, mas acho que em breve poderemos ver isso no futuro acontecendo, com certeza. Agora chegou esse momento de eu passar para a próxima fase, tocar um pouco dos bastidores, ajudando o esporte a se tornar olímpico um dia, quem sabe. Acho que tem muita coisa, muito caminho para a gente conquistar, para a gente desbravar. Eu já desbravei uma grande floresta dentro do octógono e agora é poder desbravar fora dele e ajudar que a gente possa chegar ainda mais longe, ajudar para que muitas famílias possam conquistar aquilo que é digno. Falta alguém com visão empreendedora para poder ajudar, porque o esporte ainda não é um esporte muito seguro. Não existem nem os materiais específicos para o próprio MMA, como eu já disse, mas a gente está caminhando para isso. Acho que tem que ter gente com coragem, visão e disposição e isso é o que não falta.

Tanta coisa…difícil colocar aqui. Espero que fique bastante coisa, que fique mais, que eu possa estar junto com esse esporte e ajudando ele a crescer. Eu acho que consegui passar para os atletas como é que eles tem que se vestir, além de muitas coisas… que eles têm que se importar…Alguns aprenderam, outros não (risos), alguns são rebeldes, não gostam de falar, não gostam de cuidar da imagem. Quando você faz algo você tem que fazer… Eu falo que o mandamento que Jesus ensinou é amar o próximo, mas como a si mesmo. Você só pode dar para o outro que você dá para você mesmo, então eu sempre dou para o próximo aquilo que eu dava para mim. Tudo começa dentro de você, internamente. É isso que faz as pessoas conquistarem e desbravarem novos campos.

Acho que o início. O início de tudo foi muito marcante. Mas escolher luta já é difícil, é igual escolher filho, não dá porque todos eles são especiais.

Difícil… mas eu gostei muito do que dei no Luke Rockhold, achei muito bacana aquele. 2013 foi um grande ano.

Tive vários momentos difíceis dentro do octógono, foram terríveis… só de lembrar eu penso como é ruim. Como a derrota é amarga, mas tem que aprender com ela. Tive várias lições ao longo desse tempo, mas a minha primeira derrota para o Randy Couture me ensinou muita coisa dali em diante.

Meu adversário mais duro foi o Randy Couture.

Acho que não, eu sou um cara satisfeito.

Foi o momento dele, né? Ele ganhou, mas eu nunca tive esse negócio de: “Ah, eu preciso da revanche”. Eu sempre fui um cara que entende que isso é um esporte. O momento era aquele e passou, foi dele. A gente poderia voltar a ter um outro momento, mas não foi o caso, porque a gente não se enfrentou de novo. Porém, eu não tenho esse desejo de: “Ah, eu preciso me vingar”. A derrota foi amarga, a derrota é amarga, mas nada que você faça depois vai voltar. Mesmo que eu vencesse a próxima luta, se a gente lutasse de novo, nada tiraria a primeira derrota. Você tem que saber viver os momentos da sua vida.

Tive vários rivais…A minha rivalidade com Dan Henderson foi tanta que acabou sendo três lutas. Acho que foi essa.

Acho que tem bastante gente em várias divisões, mas o Cézar Mutante é uma pessoa que está comigo desde os 17 anos, vejo ele com certeza nessa posição (de se tornar uma lenda do esporte um dia). É um cara que está crescendo muito, melhorando cada vez mais. Tem vários … o Brasil tem gente que a gente nem conhece o nome, são muitos nomes, mas acho que tem bastante gente pra tocar o futuro do esporte por lá.

Cara eu aproveitei demais esse octógono. Lembra que o meu octógono não tem grades, agora estou indo além. Acho que vocês vão ver o quanto a gente vai crescer e como vamos conquistar grandes coisas, mas para isso é necessário o sacrifício.

GE