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Beto Richa e outros 12 viram réus na Operação Rádio Patrulha

Justiça, Notícias
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01/11/2018 16:09

Denúncia contra o ex-governador do Paraná foi aceita pela Justiça na terça-feira

— Foto: J.F.Diorio/Estadão Conteúdo
Legenda da foto

O ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB) e outras 12 pessoas viraram réus na Operação Rádio Patrulha, do Ministério Público do Paraná (MP-PR). A denúncia foi aceita na terça-feira (30) pelo juiz Fernando Bardelli Silva Fischer, da 13ª Vara Criminal de Curitiba.

A operação investiga um esquema de propina para desvio de dinheiro por meio de licitações no programa “Patrulha do Campo”, para recuperação de estradas rurais do estado.

Veja os réus e os crimes imputados:

  • Beto Richa – corrupção passiva e fraude a licitação
  • Pepe Richa – corrupção passiva e fraude a licitação
  • Deonilson Roldo – corrupção passiva e fraude a licitação
  • Ezequias Moreira – corrupção passiva e fraude a licitação
  • Aldair Petry – corrupção passiva e fraude a licitação
  • Edson Casagrande – fraude a licitação e corrupção ativa
  • Túlio Bandeira – fraude a licitação e corrupção ativa
  • Emerson Savanhago – fraude a licitação
  • Robison Savanhago – fraude a licitação
  • Luiz Abi Antoun – corrupção passiva
  • Celso Frare – corrupção ativa
  • Joel Malucelli – corrupção ativa
  • André Felipe Bandeira – corrupção ativa

Beto Richa foi preso na operação em 11 de setembro. Após habeas corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ele foi solto, quatro dias depois.

Na aceitação da denúncia, o juiz afirma que entre as principais provas contra Richa está uma gravação em que ele trata de assuntos relacionados ao atraso do pagamento de propina com o delator Tony Garcia.

Além disso, a decisão indica que outras provas são a autorização da licitação do programa e a realização de aditivos, diversas menções ao ex-governador em conversas de outros réus e o fato “dos eventuais delitos terem sido praticados sob a estrutura do seu governo”.

Investigação
Segundo o MP, empresários e pessoas ligadas a eles ofereciam dinheiro em troca de atos de ofício por parte de agentes públicos para venceram as licitações.

O valor acertado, de acordo com os procuradores, correspondia a 8% do valor bruto dos contratos. Ao todo, diz a denúncia, foram pagos R$ 8.152.474,44 em vantagens indevidas, em 36 pagamentos mensais.

Beto era o “principal destinatário final das vantagens indevidas prometidas pelos empresários, plenamente ciente das tratativas e reuniões realizadas”, afirma a denúncia.

O que dizem os citados
As defesas do ex-governador, do irmão dele Pepe Richa, de Ezequias Moreira, Deonilson Roldo e André Bandeira disseram que só vão se manifestar no processo.

O advogado de defesa de Luiz Abi considera temerário o recebimento de denúncia “pautada exclusivamente na palavra de um delator que por diversas vezes faltou com a verdade ao Poder Judiciário, mesmo na qualidade de delator, e que possui extenso histórico criminal”.

A defesa de Edson Casagrande afirmou que “tem a convicção de que o processo demonstrará a inocência de seu cliente e que vai entrar com recurso para trancar a ação penal”.

O advogado de Túlio Bandeira afirmou que a “denúncia não procede e que vai provar a inocência do cliente”.

A defesa de Celso Frare informou que o juiz afastou a acusação de fraude em licitação. “Por essa razão, foi diminuída drasticamente a constrição patrimonial contra o Celso”. Ele disse ainda que irá se manifestar no processo e que confia na Justiça.

A defesa de Emerson e Robison Savanhago disse que “o recebimento da denuncia é um procedimento normal para esse tipo de expediente” e que na instrução processual terá “plenas condições de mostrar a inocência dos acusados”.

O advogado de Aldair Petry disse que o “recebimento já era esperado em vista da prisão ilegal que ocorreu”. “Para justificar aquele ato eles precisam dar continuidade. Irá responder com tranquilidade e com a certeza de que nada de irregular ou ilícito cometeu”.

A defesa do empresário Joel Malucelli afirmou que “nunca ofereceu nenhuma vantagem indevida a servidor público e sua empresa sequer venceu a licitação em questão. A acusação é improcedente e o processo é a oportunidade de provar sua inocência”.

G1