X

Notícias

Brasil teria garantido vaga na Copa do Mundo “só” com Tite: relembre campanha

Esportes, Internacional
-
10/10/2017 14:08

Com Dunga, Seleção corria risco; com novo técnico, eliminatórias viraram passeio

Tite promete equipe com 100% de seriedade na despedida das eliminatórias (Foto: Marcos Rilbolli)
Legenda da foto

O Brasil se despede das eliminatórias para a Copa do Mundo na noite desta terça-feira, na partida contra o Chile, com uma campanha surpreendente. Até agora, são 38 pontos conquistados em 17 jogos. Além disso, é a equipe que mais venceu (11 jogos), a que menos perdeu (1), a de melhor ataque (38 gols a favor) e de melhor defesa (11 contra).

Os números são tão bons que, se levarmos em consideração apenas o desempenho sob o comando de Tite, a Seleção ainda seria líder do torneio sul-americano, com 29 pontos. Só a campanha com o atual técnico seria suficiente para levar a equipe nacional à Rússia, já que o quinto colocado na classificação tem 25 pontos e não alcançaria o Brasil, que, mesmo perdendo para o Chile, garantiria a quarta colocação, a última vaga direta.

Brasil de Tite já estaria classificado com sete jogos a menos…

SeleçãoPontosJogosVitóriasEmpatesDerrotasGols próGols contraSaldo de gols
1 – Brasil de Tite291192027324
2 – Uruguai2817845281810
3 – Chile261782726242
4 – Colômbia261775520182
5 – Peru251774626251
6 – Argentina251767416151
7 – Paraguai24177371924-5
8 – Equador20176292526-1
9 – Bolívia141742111434-20
10 – Venezuela91716101835-17

Após dois anos, é possível dizer que é exatamente pelo nome de Tite que passa a recuperação brasileira. Dunga dirigiu a equipe nas primeiras seis rodadas da competição, com um desempenho apenas regular: duas vitórias, três empates e um derrota.

Demitido após uma derrota para o Peru, que causou a eliminação na Copa América Centenário na primeira fase, o antecessor foi substituído pelo atual técnico que chegou com apoio maciço de torcida e imprensa. Quando a mudança aconteceu, o Brasil ocupava a sexta colocação na tabela das eliminatórias – fora até mesmo da repescagem.

> JOGOS COM DUNGA

08/10/2015 – Chile 2 x 0 Brasil

13/10/2015 – Brasil 3 x 1 Venezuela

13/11/2015 – Argentina 1 x 1 Brasil

17/11/2015 – Brasil 3 x 0 Peru

25/03/2016 – Brasil 2 x 2 Uruguai

29/03/2016 – Paraguai 2 x 2 Brasil

Com Tite, o desempenho mudou da água para o vinho. Ele reconvocou algumas peças que andavam esquecidas (Paulinho é o maior exemplo), deu chances a outros pela primeira vez (Gabriel Jesus hoje é uma realidade) e efetivou no time titular peças que não haviam deslanchado com Dunga, como Philippe Coutinho e Marquinhos. Marcelo e Daniel Alves, que nem sempre eram lembrados por Dunga, recuperaram espaço com a nova comissão técnica.

A Seleção virou uma máquina. Na estreia, uma vitória por 3 a 0 sobre o Equador, na altitude de Quito. Depois, novo triunfo sobre a Colômbia por 2 a 1. Na sequência, mais nove partidas, com sete vitórias e dois empates. Foram incríveis 27 gols marcados e apenas três sofridos.

> JOGOS COM TITE

01/09/2016 – Equador 0 x 3 Brasil

06/09/2016 – Brasil 2 x 1 Colômbia

06/10/2016 – Brasil 5 x 0 Bolívia

11/10/2016 – Venezuela 0 x 2 Brasil

10/11/2016 – Brasil 3 x 0 Argentina

16/11/2016 – Peru 0 x 2 Brasil

23/03/2017 – Uruguai 1 x 4 Brasil

28/03/2017 – Brasil 3 x 0 Paraguai

31/08/2017 – Brasil 2 x 0 Equador

05/09/2017 – Colômbia 1 x 1 Brasil

05/10/2017 – Bolívia 0 x 0 Brasil

Na entrevista coletiva que concedeu após o treino de segunda-feira, Tite ressaltou que o trabalho deixado por Dunga o ajudou no início de seu trabalho.

– Um técnico acaba emprestando coisas boas e ruins para o outro. Eu tenho um legado bom, quer ver? O Renato já estava afirmado, o sistema já estava empregado, o Alisson já era o goleiro. A base da equipe teve sucesso em 2013 e o insucesso em 2014. Vamos ser justos, ela foi campeã da Copa das Confederações metendo três na Espanha. Trago problemas também, sim, uma má posição na tabela e uma pressão absurda, desumana. Sim, mas também coisas boas – ressaltou Tite.

Para ratificar a grande campanha, nada melhor que mais uma vitória convincente na despedida, batendo o atual bicampeão da Copa América. Por isso, a ordem é ignorar os comentários vindos de torcedores que pedem para o Brasil entregar o jogo nesta terça – uma derrota prejudicaria a Argentina, que joga sua vida na última rodada das eliminatórias.

– O que mais nos move é a paz de espírito, botar a cabeça no travesseiro sabendo que fez o melhor. Isso é impagável. A consequência disso é de quem construiu e fez toda sua campanha. O Chile apresentou futebol que eu gosto nos últimos três quatro anos. Produzi uma identificação muito grande com a Argentina, tenho grandes amigos, respeito muito grande, uma identificação pelo senso competitivo. O Pekerman veio com a seleção da Colômbia aqui e eu disse: ‘luz para nós, bom trabalho’. Ele disse: ‘para ti, não, já está classificado’. Mas era para nós dois (risos), admiro bastante ele. Temos que nos respeitar – afirmou.

GE