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Bruna Linzmeyer se arrisca em quatro filmes e uma novela, mas avisa: não quer mais personagens sexualizadas

Famosos
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13/09/2018 09:37

'Por ser branca, de olho azul e jovem, dentro dos padrões de beleza, eu sou muito ainda enquadrada nesse lugar'

Bruna Linzmeyer em evento de pre-estreia de "O Banquete", de Daniela Thomas — Foto: Celso Tavares/G1
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É provável que ao ver Bruna Linzmeyer na televisão, você se pergunte: “Mas ela não estava em outra novela dia desses?” Não importa quando foi, a resposta é sim. Desde 2010, a atriz nascida em Corupá (SC) emenda um trabalho atrás do outro na TV.

Neste ano, a dose dos olhos azuis e da efusividade da atriz de 25 anos será mais intensa: ela está em quatro filmes e na próxima novela das 21h da Globo, “O Sétimo Guardião”. E o que mais ela quer na carreira?

“Eu tenho vontade de adentrar cada vez mais personagens que não estejam na ronda do sexo, que o sexo não seja a principal característica. Por ser branca, de olho azul e jovem, dentro dos padrões de beleza, eu sou muito ainda enquadrada nesse lugar”.

“E esse é um primeiro desejo para o futuro. Mas essas mulheres diretoras vão trazendo outras possibilidades de personagens pra gente brincar”.

O primeiro longa a estrear no segundo semestre é “O Banquete”, de Daniela Thomas (“Linha de passe”), nesta quinta-feira (13).

O filme é inspirado no clássico homônimo de Platão, que celebra o amor. E é o amor uma das maiores bandeiras da atriz, que disse ser gay em 2016. Assim como sua personagem no filme, ela se deixa levar pelo sentimento sem pensar muito sobre isso:

“Eu não tenho medo do amor. Ele é uma coisa muito visceral, ele não é intelectual… Ele vem dos órgãos, do que a gente não entende, não espera. Por isso, as pessoas talvez tenham medo dele. Mas ele vive aqui e a luta para que ele exista é importantíssima”.

“É um pouco bizarro que a gente tenha que lutar pra que ele possa existir do jeito livre que ele é.”

Bruna chamou a atenção do Brasil pelo menos três vezes em seus oito anos de carreira:

Em sua estreia em novelas, “Insensato Coração”;

Quando foi a professora Juliana em “Meu pedacinho de chão”;

E ao interpretar a autista Linda, em “Amor à vida”.

Há dois anos, ela voltou a ganhar destaque, mas não por seu trabalho. Por namorar uma mulher e falar disso, se tornou símbolo da luta feminista e LGBT. Mas rejeita o rótulo de heroína:

“A gente não precisa de heróis, esse é um problema muito grande que a gente tem de uma educação muito estadunidense”.

“Eu não quero ser salva, eu quero estar na rua, estar na luta todos os dias. O que a gente precisa é de pessoas como nós, seres humanos que erram, que acreditam nos direitos humanos, na diversidade das pessoas. É nesse tipo de heroísmo que eu acredito.”

‘Narrativas sapatão’

A temática LGBT também se tornou parte de seu trabalho. Parte dos projetos que está fazendo vão por esse caminho.

“São narrativas sapatão que quebram os estereótipos de objetificação, necessidade do falo e violência, muito comum nas narrativas audiovisuais lésbicas”.

Apesar de ter passado uma temporada em Nova York para estudar e estrelar a performance “Seewatchlook”, criada por Michel Melamed, Bruna não pensa em voltar ao exterior tão cedo. Ela conta que há muitas pessoas com quem quer trabalhar no Brasil.

“Quero estar aqui e gosto daqui. Então não tenho nenhum desejo específico de uma carreira internacional, desejo boas personagens e bons filmes, de qualquer nacionalidade que tenham”.

Mulher-gato misteriosa

Além de “O Banquete”, Bruna também está em “O grande circo místico”, filme do diretor Cacá Diegues que estreia em novembro e foi escolhido do Brasil para tentar indicação ao Oscar; “O que resta”, de Fernanda Teixeira; e “Partiu Paraguai”, de Daniel Lieff.

“O Banquete” fala de jogos de poder e erotismo que mudarão a vida dos convidados de um jantar em comemoração aos 10 anos de casamento de um poderoso editor de revista e uma atriz no auge da cerreira.

Ela vive uma mulher misteriosa, identificada como Catwoman. “[Ela] é essa estrangeira no filme, chega quase como uma comentarista dessa história que está acontecendo ali há algum tempo”, descreve.

“Foi muito divertido porque essa personagem tinha um quê de observadora e eu pude observar essa galera trabalhando, pensando já no final do roteiro, quando as pessoas estão dissecadas por elas mesmas. Foi muito prazeroso”.

G1