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Carlos Ghosn tem prisão prorrogada por novas acusações

Internacional, Notícias, Policial
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21/12/2018 08:27

Executivo brasileiro tem prisão prorrogada, inicialmente, por 48 horas, mas pode ser estendida para 10 dias

Foto : Reprodução
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A Promotoria de Tóquio anunciou nesta sexta-feira (21) novas denúncias contra o ex-presidente da Nissan Motor, o brasileiro Carlos Ghosn, que foi preso no dia 19 de novembro por supostamente ocultar pagamentos milionários e cometer irregularidades fiscais com a companhia, de acordo com a imprensa local.

A prisão do executivo brasileiro foi prorrogada, inicialmente, por 48 horas, mas pode ser estendida para 10 dias.

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A nova acusação, que se soma a outras duas anteriores com mandatos de prisão distintos, baseia-se em violação de confiança que poderia ter prejudicado a Nissan Motor, segundo informou a emissora estatal japonesa “NHK”.

A prorrogação da detenção visa obter informações sobre novas suspeitas contra o executivo franco-brasileiro de origem libanesa. De acordo com um comunicado, Carlos Ghosn é suspeito de ter “falhado em sua função de presidente e de ter provocado um prejuízo a Nissan”.

Segundo a agência Reuters, Ghosn é suspeito de de ter empurrado para a Nissan um prejuízo de US$ 16,6 milhões em investimentos particulares.

A prorrogação da prisão ocorre um dia após um tribunal de Tóquio ter rejeitado um pedido dos procuradores para renovar a prisão de Ghosn.

O executivo de 64 anos foi acusado de ter omitido em suas declarações de renda às autoridades da Bolsa quase 5 bilhões de ienes (US$ 44 milhões) durante cinco anos, entre 2010 e 2015.

Ghosn, que nega as acusações, também é suspeito de ter repetido a fraude, entre 2015 e 2018, totalizando 4 bilhões de ienes (35 milhões de dólares), o que havia provocado uma primeira prorrogação do período de detenção.

Além das acusações de não ter declarado sua renda, a Nissan afirma que seu ex-presidente utilizou ilicitamente residências de luxo pagas pela empresa ao redor do mundo.

As outras duas acusações apontam que Ghosn supostamente tentou esconder das autoridades milionárias receitas que negociou com Nissan Motor a partir de 2011 e que, segundo a mídia local, era esperado recebê-las uma vez que ele deixasse suas funções à frente da empresa japonesa.

A Nissan também é investigada como pessoa jurídica, já que a Promotoria suspeita da responsabilidade da empresa, que forneceu os relatórios incriminatórios às autoridades da Bolsa.

A detenção de Ghosn, que foi destituído da presidência da Nissan pouco depois, resultou de uma investigação interna da empresa.

O executivo também foi destituído da presidência da Mitsubishi Motors, mas Renault decidiu mantê-lo em seu cargo, uma situação que gerou uma crise na aliança entre as montadoras, criada em 1999.

A aliança Renault-Nissan nasceu em 1999 e em 2016, com a entrada da Mitsubishi Motors, se tornou o maior grupo mundial do setor automobilístico.

G1