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Caso Daniel: Cristiana Brittes será denunciada por homicídio de jogador, diz promotor

Policial
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26/11/2018 16:01

Esposa de Edison Brittes tinha sido indiciada pela polícia pelos crimes de coação de testemunhas e fraude processual, mas promotor do caso afirmou que 'homicídio jamais teria acontecido sem a atuação determinante da Cristiana'

— Foto: Reprodução
Legenda da foto

Cristiana Brittes será denunciada por homicídio junto de Edison Brittes Júnior, Eduardo da Silva, Ygor King e Willian David da Silva pela morte do jogador Daniel Correa Freitas, segundo o promotor do Ministério Público do Paraná (MP-PR), João Nilton Salles.

Daniel foi encontrado morto, com o órgão sexual mutilado, no dia 27 de outubro, perto de uma estrada rural na Colônia Mergulhão, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. O crime aconteceu depois da festa de aniversário de Allana Brittes, filha de Cristiana e Edison Brittes.

Na quarta-feira (21), Cristiana tinha sido indiciada pelos crimes de fraude processual e coação de testemunhas, mas o promotor do caso decidiu denunciá-la também pelo homicídio do jogador.

“Com a análise do inquérito, a conclusão que eu cheguei é que todo esse crime de homicídio jamais teria acontecido da forma como aconteceu sem a atuação determinante da Cristiana”, afirmou o promotor em entrevista ao Fantástico.

De acordo com o inquérito da polícia, Daniel foi agredido e morto depois de ter sido flagrado por Edison Brittes deitado na cama de Cristiana. Edison, que confessou o crime em depoimento, disse que o jogador tentou estuprar Cristiana Brittes.

A sequência dos fatos e o que ainda não está claro sobre o crime
Antes do crime, Daniel a um amigo enviou mensagens e fotos deitado ao lado de Cristiana enquanto a esposa de Edison Brittes dormia.

Para o promotor, Cristiana deu ao jogador “toda a possibilidade de acreditar que aquela brincadeira [tirar foto ao lado ao lado dela] estaria dentro da normalidade, nas circuntâncias em que se deram”.

“Ela sabia do caráter do marido, da personalidade violenta dele, e quando se iniciaram os atos de homicídio que culminaram na morte do Daniel, ao invés de tentar evitar essa conduta, ela determinou, isso tá claro nos autos, que o Daniel fosse retirado da casa e que eles terminassem os atos de execução fora”.

A denúncia deve ser apresentada pelo Ministério Público ao longo da semana.

Sete pessoas estão presas temporariamente suspeitas de envolvimento no crime. Segundo a polícia, Eduardo da Silva, Ygor King e David Willian participaram das agressões ao jogador e estavam no carro que levou Daniel até o matagal onde foi encontrado morto.

Também estão presos Allana Brittes, indiciada pela polícia por coação de testemunhas e fraude processual, e Eduardo Purkote, indiciado por lesão corporal grave.

A defesa técnica de Cristiana Rodrigues Brittes manifestar “espanto e repúdio” às declarações do Promotor de Justiça. Veja trecho da nota abaixo:

“É estarrecedor o argumento de que seria ela a causadora dos crimes de importunação sexual e tentativa de estupro dos quais foi vítima, enquanto dormia em seu quarto.

A defesa tem convicção que mulher alguma pode ser responsável por ser vítima da própria violência sexual sofrida. Roupas, maquiagem, maneira de ser ou agir não são justificativas para que predadores sexuais ataquem mulheres em nossa sociedade.

A defesa técnica de Cristiana Rodrigues Brittes lamenta as infelizes declarações do Promotor de Justiça e reitera à sociedade que a mulher jamais será culpada por ser vítima de agressões físicas, emocionais ou sexuais”.

Perícia
De acordo com perícias realizadas pelo Instituto Médico-Legal (IML) e pela Polícia Científica do Paraná, marcas de sangue mostram na parede e no chão da casa dos Brittes mostram que Daniel foi espancado ainda dentro do quarto de Cristiana.

A perícia confirmou que a porta do quarto foi arrombada, mas não soube precisar quando isso aconteceu.

Os laudos mostram também que as pessoas que estavam na casa tentaram limpar as marcas de sangue.

Segundo depoimentos de testemunhas, Daniel foi levado para fora da casa e colocado no porta-malas do carro de Edison Brittes. O resultado da perícia encontrou marcas de sangue dentro do veículo.

De acordo com a polícia, Daniel foi esfaqueado e o corpo do jogador foi deixado em um matagal a 20 quilômetros da casa onde acontecia a festa.

De acordo com o IML, o corpo de Daniel foi carregado por mais de uma pessoa. Em depoimento, Ygor King e David Willian disseram que apenas Edison Brittes tinha saído do veículo e carregado o corpo do jogador até o matagal.

G1