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Chape encara logística apertada para se manter na Série A

Esportes
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01/11/2018 12:10

Um dos clubes do interior na elite do futebol nacional, catarinenses tem no deslocamento um de seus maiores adversários no Brasileirão

— Foto: Sirli Freitas/Chapecoense
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Um dos únicos representantes do interior do país na elite do futebol nacional (o outro é o Santos), a Chape é também um dos clubes que mais sofrem com a parte logística para a disputa da competição. Pouca oferta de voos, clima e orçamento menor são alguns dos fatores que impedem o Verdão de ter uma vida mais fácil na Série A.

O aeroporto Serafim Enoss Bertaso, em Chapecó, é modesto se comparado com o de capitais do país. Poucas linhas são operadas nele, o que dificulta a locomoção da delegação verde e branca. São Paulo e Florianópolis são as opções diretas, mas o primeiro a mais utilizada.

– Se não for o (clube) que mais viaja, é um dos três. Para ir a qualquer local temos que passar por São Paulo. Restringe muito por causa dos horários de conexões. Ainda tem questão climática que interfere. Não pode fazer um voo muito cedo no inverno ou muito tarde, por causa do clima. Tem os horários também, é bem restrito – explica o supervisor da Chape, Michel Costa.

“Qualquer lugar (de jogo) que não for São Paulo, não pode sair de manhã, porque chega em São Paulo próximo ao meio-dia, daí tem que fazer conexão à tarde, perde o dia de treino. Inviável isso no futebol. Não pode fazer nem na antevéspera, nem na véspera do jogo.” (Michel Costa)
Apenas para disputa do Brasileirão, sem levar em conta Copa do Brasil, Libertadores, amistosos e estadual, o elenco da Chape ficará sete dias do ano dentro de uma aeronave. Para cumprir os 19 jogos fora de casa serão 175 horas e 30 minutos de voo.

A distância, de 56.708 km são suficientes para mais de uma volta na Terra se levado em consideração que a Linha do Equador, que divide o planeta nos hemisférios Norte e Sul, tem um perímetro de 40.075 km.

Com um estudo feito na área, o preparador físico da Chapecoense, Robson Gomes explica que os clubes brasileiros costumam percorrer mais distância se comparado com clubes da Europa. Por isso, ele considera que os trabalhos regenerativos são fundamentais para minimizar os efeitos dos prolongados tempos fora do solo.

– Uma equipe brasileira, em um campeonato nacional e regional, percorre em média 36% a mais que as principais equipes da Europa. Chama atenção. Se levarmos para 10 anos, em um estudo que fizemos com observações de outros profissionais, percorremos cerca de 80% mais que essas equipes. Uma média de 203 dias do ano em logística de futebol, com treinamentos e jogos de competições. São ⅔ do ano. É muito tempo. O processo de recuperação, regenerativo e de logística são importantes para minimizar o efeito desgastante que são as viagens – disse o preparador físico.

Diminuir o desgaste dos jogadores também requer um trabalho organizado da parte de logística do clube. É neste ponto que entra o trabalho realizado pelo supervisor Michel Costa. Assim que as datas de jogos são definidas, o setor do profissionais se movimenta para garantir transporte, hospedagem e alimentação para os atletas, comissão e dirigentes verde e brancos.

– Quando sai a tabela do campeonato detalhada, geralmente 20 dias antes do jogo, já procuro fazer a logística destes jogos e em dois ou três dias, a gente organiza. Como já temos os horários, faço a solicitação para a companhia aérea para bloquear esses voos. A partir disso programa o restante, hotel, traslados. Voo não é tão complicado, porque são poucas opções. Salvo quando tem exceção e conseguimos um fretamento. Isso é bem exceção pelo tamanho de clube que somos e o orçamento disponível para o ano com isso – conclui Michel.

A Chapecoense é um dos únicos quatro times que ainda não venceram no Brasileirão atuando fora de casa. O desempenho só é melhor do que o do lanterna Paraná. No próximo domingo, a Chape busca novamente quebrar esse jejum. O adversário é o Bahia, outro oponente direto na luta contra o rebaixamento.

Para isso, mais uma vez a Chape enfrenta a estrada, conexão e horas de aeroporto. O elenco embarca na sexta-feira com destino a São Paulo, para depois seguir a Salvador. O jogo contra os baianos está marcado para as 19h (de Brasília), na Fonte Nova.

Globo Esporte