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Cientistas desvendam segredo das mudanças no cérebro durante a adolescência

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30/07/2016 10:01
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Áreas do cérebro relacionadas ao pensamento complexo são aquelas que mais se alteram durante esse período, revela pesquisa

Uma equipe da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, identificou as áreas do cérebro que mais se alteram durante a adolescência.

Tomografias cerebrais mostraram que são áreas associadas a processos de pensamento complexo. Os pesquisadores também descobriram uma ligação entre o desenvolvimento do cérebro do adolescente e doenças como esquizofrenia.

A pesquisa foi publicada na revista especializada PNAS (Proceedings of the National Academy of Science, no original em inglês).

O time do departamento de psiquiatria de Cambridge escaneou os cérebros de 300 jovens entre 14 e 24 anos.

Enquanto as áreas associadas com o funcionamento básico do corpo, como visão, audição e movimento, estão totalmente desenvolvidas na adolescência, as partes ligadas ao pensamento complexo e tomada de decisões ainda estão mudando.

Tais áreas são centros nervosos com várias conexões a outras partes essenciais do cérebro.

Você pode imaginar o cérebro como uma malha aérea global, formada por pequenos aeroportos pouco utilizados e grandes centros de conexão como o aeroporto de Heathrow (Londres), onde há muito tráfego.

O cérebro usa um arranjo semelhante para coordenar nossos pensamentos e ações.

Durante a adolescência, essa rede de grandes centros é consolidada e fortalecida. É um pouco como os grandes aeroportos se tornaram gradativamente mais movimentados ao longo dos anos.

Os pesquisadores então analisaram os genes envolvidos no desenvolvimento desses “hubs” cerebrais e descobriram que são similares àqueles associados com muitas doenças mentais, incluindo esquizofrenia.

A descoberta corrobora o fato de que muitas enfermidades mentais se desenvolvem durante a adolescência, afirma a pesquisadora Kirstie Whitaker.

“Nós revelamos um caminho da biologia das células pelo qual pessoas no final da adolescência podem ter seus primeiros episódios de psicose”, afirmou à BBC.

Muitos estudos já mostraram que, além de fatores genéticos, o estresse durante a infância e adolescência está ligado à ocorrência de doenças mentais.

Os novos achados indicam que maus-tratos, abusos e negligência podem continuar a prejudicar o desenvolvimento de importantes funções cerebrais durante os cruciais anos da adolescência, contribuindo para a emergência de problemas mentais.

O coordenador da pesquisa, Ed Bullmore, diz acreditar que a descoberta de um elo biológico entre o desenvolvimento cerebral do adolescente e o início de doenças mentais possa ajudar cientistas a identificar grupos de risco para essas enfermidades.

“Ao entendermos mais sobre o risco de esquizofrenia, isso nos dá uma oportunidade de tentar identificar indivíduos com possibilidade de se tornar esquizofrênicos no futuro próximo, nos dois ou três anos seguintes, e talvez oferecer algum tratamento útil para prevenir o aparecimento de sintomas clínicos.”

O estudo também ajuda a compreender melhor as mudanças de comportamento e humor do adolescente durante o desenvolvimento cerebral normal.

“As regiões que mudam mais são associadas ao pensamento complexo e tomada de decisões. Isso mostra que adolescentes estão numa jornada rumo à vida adulta, para se tornarem alguém capaz de conectar todos esses fragmentos de informação”, afirma Whitaker.

“É uma etapa muito importante. Você provavelmente não gostaria de ser criança por toda a vida. É uma fase poderosa e importante que devemos passar para nos tornarmos o melhor e mais capacitado adulto que possamos ser.”

G1/ Fronteira Online