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Com nova proposta de doação de seguradora, famílias de vítimas de acidente aéreo tentam aumentar prazo para ingressar na Justiça

Esportes
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25/10/2018 12:09

Familiares da tragédia da Chapecoense se reúnem com advogados em busca de solução; seguradora faz proposta de pagamento de US$ 250 mil, mas com contrapartida antecipada aos envolvidos de R$ 60 mil em impostos cartorários

Acidente matou 71 pessoas em novembro de 2016 — Foto: Agência Reuters
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As famílias das vítimas da tragédia aérea com o avião da Chapecoense, em 2016, na Colômbia, correm atrás de um aumento no prazo para o ajuizamento das ações contra os responsáveis pelo acidente. O caso irá completar dois anos em 29 de novembro, data final para ingressar com processos, mas há possibilidade de prorrogação.

Até o momento, o seguro da aeronave não foi pago aos familiares. A apólice contratada era de US$ 25 milhões junto à Bisa, que prestava o serviço para a LaMia. A empresa chegou a oferecer, em um primeiro momento, US$ 200 mil por vítima. Porém, exigia que o acordo fosse selado por todos. Depois, baixou a exigência para pelo menos 51 famílias.

Agora, a empresa aumentou a proposta para US$ 250 mil, sem exigência de número mínimo de aceites. Porém, a Bisa oferece o montante em forma de doação e não como pagamento de seguro. Com isso, cada família que aceitar o acordo, precisa pagar cerca de R$ 60 mil em impostos cartorários de maneira antecipada. O valor proposto pela seguradora seria oriundo de um “Fundo de Assistência Humanitária”.

Recentemente, uma comitiva composta por familiares, advogados e representantes de Chape e da AFAV-C (Associação dos Familiares das Vítimas do Voo da Chapecoense) estiveram na Colômbia em busca de informações para agilizar o pedido de indenização. Foi uma das séries de encontros atrás dos responsáveis pela tragédia.

– Não imaginávamos que íamos descobrir coisas ligadas a terceiros. Sempre era a LaMia, a Chapecoense que contratou a LaMia e o erro do piloto, basicamente isso. A quantidade de pessoas envolvidas nós descobrimos agora, pois fomos atrás. O tempo é ruim hoje, mas como podemos envolver o Brasil e aumentar o prazo por mais um ano, conseguimos um fôlego para as famílias. Viemos para dizer que temos um mês para tomar uma atitude e ganhar mais um ano – explicou o advogado Josmeyr Oliveira.

Outro ponto em questão é de que maneira as ações serão propostas. Três advogados estiveram reunidos com os familiares na última quarta-feira, em Chapecó, para apresentar relatórios dos documentos e informações levantadas. Os profissionais praticamente descartaram entrar com o processo na Bolívia. Assim, resta a possibilidade de ingressar na Colômbia, local do acidente, Venezuela, país sede da empresa proprietária do avião, Estados Unidos, de onde partiram e-mails para a contratação do seguro da aeronave, e Brasil.

– Para nós, vai fazendo certo sentido quando começamos a entender as pessoas que foram utilizadas no processo para chegar uma empresa boliviana e transportar um time brasileiro, o que se transformou em uma comoção pela tragédia. Todo aquele aparato não estava devidamente cuidado. Os governos que deveriam ter olhado a documentação não fizeram seu trabalho. Quem estava com os olhos para essa aeronave não estava observando que o seguro deveria ser o cálculo de um voo comercial – explicou Josmeyr.

Globo Esporte