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Crimes sexuais e contra a administração pública foram os que mais cresceram no Paraná em 2017, aponta relatório da Sesp

Notícias, Segurança
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20/01/2018 11:56

Explosões de caixas eletrônicos foram as ocorrências com maior redução, de 61%, seguidas pelos roubos a comércio, que tiveram queda de 27% no ano passado

Tabata Fabiana Crespilho Rosa, de 6 anos, foi morta em Umuarama em setembro de 2017; laudo confirmou que ela foi vítima de abuso sexual (Foto: Divulgação/Sesp)
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Os crimes sexuais e contra a administração pública foram os que mais cresceram no Paraná em 2017, na comparação com o ano anterior, segundo o relatório estatístico da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp).

Os dados sobre crimes contra a dignidade sexual abrangem casos como de estupro, assédio sexual, prostituição e tráfico internacional de pessoas. Em todo o estado, foram 6.660 crimes do tipo em 2017, contra 5,8 mil em 2016, uma alta de 14,75%.

O maior número de casos foi registrado na 2ª Área Integrada de Segurança Pública (AISP). As 22 cidades da Região Metropolitana de Curitiba tiveram 1.108 crimes contra a dignidade sexual no ano passado.

Um dos casos aconteceu em Araucária, onde um rapaz de 24 anos foi preso depois de assediar uma mulher dentro do ônibus do transporte coletivo.

Em Umuarama, no noroeste do estado, a menina Tabata Fabiana Crespilho Rosa, de 6 anos, foi morta em setembro de 2017. Um laudo confirmou que ela foi vítima de abuso sexual. O suspeito foi preso.

Curitiba teve 858 crimes do tipo em 2017, alta de alta de 18,34% em relação a 2016, quando foram 725 casos.

A delegada operacional da Delegacia da Mulher da capital, Eliete Kovalhuk, confirma o aumento do registro de casos de violência sexual em Curitiba. No entanto, de acordo com ela, muitas mulheres ainda deixam de representar criminalmente contra o agressor, o que impede o avanço das investigações.

A desistência está ligada a vários fatores, como questões pessoais, já que, em muitos casos o crime envolve violência doméstica ou pessoas próximas das vítimas. Além da exposição, o fato de precisar relatar o crime e reviver o abuso também leva à desistência.

“Essa exposição, de ter que reviver a todo momento o fato, já que a investigação vai querer reconstituir o crime”, detalha a delegada.

Para Eliete, o aumento de registros também está ligado ao acesso à informação.

“Ninguém mais tolera ser vítima de violência sem tomar nenhuma providência”, afirma.

Crimes contra a administração pública

Os crimes contra a administração pública incluem ocorrências como peculato, que é a apropriação de recursos públicos, concussão, que é exigir vantagem para prestar algum serviço, corrupção passiva, descaminho, contrabando, fraude processual e crimes contra as finanças públicas.

As ocorrências do tipo tiveram aumento de 12,15% em 2017, passando de 24.481 casos em 2016 para 27.456 no ano passado.

Entre os crimes contra a administração pública investigados no ano passado está o desvio de dinheiro da Saúde de Pato Branco, no sudoeste do estado.

A Operação Hígia, deflagrada em setembro, cumpriu 67 mandados judiciais em Clevelândia, Saudade do Iguaçu, Francisco Beltrão, Curitiba e Joinville (SC) e prendeu nove pessoas.

Crimes em queda

Os dados, divulgados na quinta-feira, 18, também apontam a redução de 61% no número de explosões de caixas eletrônicos. Foram 131 casos em 2016 contra 50 no ano passado. A Sesp também informou o número de roubos a bancos diminuiu 30% em todo o estado.

Os roubos a comércio tiveram uma redução significativa no estado, de 27,6%. Em 2017 foram 11,4 mil casos, contra mais de 15,8 mil em 2016.

Apenas a 8ª Área Integrada de Segurança Pública (AISP) de Laranjeiras do Sul, que abrange dez cidades da região sul do estado, apresentou aumento de casos de roubo a comércio. Foram 37 casos em 2017, contra 32 em 2016, uma diferença de 15,6%.

Redução histórica de homicídios

De acordo com a Sesp, o Paraná registrou a menor taxa de assassinatos desde que os relatórios estatísticos começaram a ser divulgados, em 2007. A redução de homicídios foi de 12%, passando de 2.476 casos em 2016 para 2.184 casos no ano passado.

Só em Curitiba a redução foi de 19%, caindo de 468 homicídios para 376 casos.

No primeiro ano de divulgação dos casos, o Paraná teve 2.687 homicídios, e a capital, 589.

De acordo com o secretário de Segurança Pública Wagner Mesquita, a taxa ficou em 19,26 casos para cada grupo de 100 mil habitantes. É a primeira vez que o índice fica abaixo de 20.

“Esse ano nós tivemos uma redução histórica (…) nós chegamos num índice importante, seja em Curitiba, Região Metropolitana e no interior também”, afirmou Mesquita.

G1