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Cristina Kirchner se compara a Dilma e diz ser vítima de ‘perseguição judicial’

Internacional, Notícias
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24/07/2016 19:31
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Ela é investigada em esquema de irregularidades no Banco Central. Ex-presidente disse que não tem medo de ser presa

A ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner disse ser vítima de “perseguição judicial” e de um “partido midiático”. Em uma entrevista a seis veículos de mídia estrangeiros que foi reproduzida pela imprensa nacional, Kirchner comparou sua situação à de Dilma Rousseff.

“Se vê claramente o surgimento de um ‘partido midiático’ que julga publicamente, um ‘partido judicial’ que é como o espelho desse partido midiático e um setor que intervém com esses dois braços fundamentais na região”, disse.

Na última quinta-feira, 21, a ex-presidente Argentina recebeu jornalistas das redes de TV Al Jazeera e Telesur, e das agências Reuters e Sputnik, além do jornal Jornada de México e do portal Nodal, cujo site foi “hakeado” assim que publicou a entrevista neste sábado, 23.

Perguntada se tem medo de ser presa pelas diversas acusações de corrupção que vem sofrendo desde que Mauricio Macri tomou posse em dezembro, Kirchner disse que não.

“Estou sendo sincera, nenhum (medo), nenhum. Se eu tivesse medo, não teria não só feito o que fiz no governo, como também não teria militado nos espaços políticos que militei desde muito jovem”, disse em entrevista reproduzida pelos jornais argentinos La Nación e Clarín.

Contas congeladas
O juiz federal argentino Claudio Bonadio determinou no último dia 7 o congelamento das contas bancárias da ex-presidente até que ela aceite o embargo de 15 milhões de pesos (cerca de US$ 1 milhão) fixado pelo magistrado, dentro do caso conhecido como “Dólar Futuro”, que investiga irregularidades no Banco Central.

Bonadio já tinha ordenado o embargo de bens de Cristina, uma medida cautelar que afeta todos os imóveis registrados pela ex-presidente, e que impede que eles sejam vendidos ou hipotecados.

Segundo a decisão, as medidas foram tomadas depois que a ex-presidente, que foi ao tribunal para ser notificada da acusação no caso e do embargo, afirmasse “não possuir bens nem dinheiro”.

“Uma vez que no momento em que foi intimada sobre o embargo pelo Oficial de Justiça a processada manifestou que não satisfaria o mesmo, e de acordo com as provas reunidas nos autos, determino a revisão dos produtos bancários, financeiros e valores em diferentes bancos e o congelamento dos mesmos”, diz a decisão do juiz.

Bonadio pediu aos bancos nos quais a ex-presidente possui contas que “deem andamento imediato à medida disposta, sob risco de advertência do que houver lugar por direito”.

O juiz também determinou que o presidente do Banco Central, Federico Sturzenegger, “com o objetivo de que dita medida seja cumprida caso a nomeada possua produtos em outras instituições do sistema financeiro do país”.

Além disso, o magistrado ordenou uma operação de busca e apreensão no Banco de Santa Cruz, no sul do país, para averiguar supostas caixas que estariam em cofres da família Kirchner. Porém, a instituição bancária negou a existência delas posteriormente.

O caso “Dólar Futuro” investiga a venda de dólar no mercado futuro pelo Banco Central durante o mandato de Cristina, acusada pelo crime de “administração infiel em prejuízo da administração pública”. O magistrado entende que a diferença entre o preço firmado e o do mercado de venda dólar futuro gerou perdas milionárias para a instituição bancária.

A investigação teve início em 2015, depois de uma denúncia feita pelos então deputados opositores Mario Negri, da União Cívica Radical, que integra hoje a coalizão governista Mudemos, e Federico Pinedo, atual presidente interino do Senado.

G1/ Fronteira Online