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De olho nos rivais: vantagem da Mercedes na Hungria tende a ser menor

Esportes, F1
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25/07/2017 10:08

Fórmula 1 chega ao 11º GP da temporada com disputa apertada entre Lewis Hamilton e Sebastian Vettel. Alemão tem apenas um ponto de vantagem para o rival na liderança da tabela

Distância entre Ferrari e Mercedes deverá ser menor (Foto: Getty Images)
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A corrida de Silverstone, dia 16, confirmou o que a maioria dos profissionais da F1 e fãs no mundo todo suspeitavam: a Mercedes desenvolveu melhor seu carro do que a Ferrari. Lewis Hamilton, da equipe alemã, venceu sem dificuldades o duelo com Sebastian Vettel, Ferrari. Os dois são hoje os maiores candidatos ao título.

Mas neste fim de semana, no Circuito Hungaroring, em Budapeste, a maior velocidade, constância e resistência da Mercedes vão contar menos que na Inglaterra. As características do traçado, muitas curvas, nenhuma rápida, e poucas retas, somadas às do modelo SF70H italiano permitem Vettel e seu companheiro, Kimi Raikkonen, pensar em lutar com Hamilton e Valtteri Bottas.

A etapa no Circuito de Monte Carlo, em Mônaco, dia 28 de maio, sugeriu que Vettel dispunha até de alguma vantagem sobre Hamilton na luta pelo mundial. A vitória do alemão e o segundo lugar de Raikkonen, diante de o inglês da Mercedes ser apenas sétimo, por causa das dificuldades com os pneus, levaram a Ferrari liderar entre os construtores com 196 pontos diante de 179 da Mercedes. E Vettel ter 25 pontos de vantagem para Hamilton, 129 a 104.

Pois agora, apenas quatro provas mais tarde, a Mercedes está em primeiro com 330 pontos ao passo que a Ferrari soma somente 275. Seus 17 pontos na frente em Mônaco se transformaram em 55 de desvantagem. E Hamilton está um único ponto atrás de Vettel, 177 a 176.

Outro exemplo de como a Ferrari cresceu menos vem da comparação de Vettel com Daniel Ricciardo, da RBR, quarto na classificação, com 117 pontos. Em seguida a Monte Carlo o australiano, quinto, somava 52 pontos, ou 77 pontos a menos. Hoje, 60 (177 a 117).

Muita gente fala de Vettel, Hamilton e Bottas como candidatos com maiores chances de vencer, domingo. Pois é prudente apostar boas fichas na dupla da RBR, Ricciardo e o aguerrido Max Verstappen. Eles aparecem mais para a frente no texto.

Para quatro das cinco corridas que vão se seguir depois do GP da Hungria, pelo que a Mercedes vem demonstrando faz mais sentido esperarmos que Hamilton e Bottas disponham de um carro um pouco mais eficiente do que Vettel e Raikkonen. São elas: Bélgica, em Spa-Francorchamps, Itália, Monza, Sepang, Malásia, e Suzuka, Japão. A exceção é o evento de Cingapura, seguinte ao de Monza, por ser outra pista de rua.

Potência conta menos

Os cerca de 20 cavalos a mais de potência do modelo W08 Hybrid da Mercedes tendem a exercer menor influência no desempenho do conjunto nos 4.381 metros, com 14 curvas, de Budapeste. O modelo SF70H pode não os ter, mas entra nessa batalha com um carro de menor distância entre eixos, mais favorável à performance em um traçado onde uma curva sucede a outra, quase sem trechos de aceleração plena.

Gerar pressão aerodinâmica, o máximo possível, pesa bastante no resultado em Hungaroring. Apesar de a Ferrari perder força nesse quesito, com o maior controle imposto pela FIA no GP da Áustria, o SF70H parece estar ainda até algo à frente do W08 Hybrid. Os comissários exigiram da Ferrari reforçar o assoalho na área em frente aos pneus traseiros.

Suas extremidades dobravam para baixo, criando uma espécie de túnel para o ar que flui sob o assoalho poder gerar maior pressão aerodinâmica, ao potencializar o trabalho do difusor, aquela curvatura para cima, do próprio assoalho, na porção final do carro.

Os italianos sentiram o golpe. Assim como a Mercedes precisou de pelo menos seis GPs para disponibilizar a Hamilton e Bottas um carro bem mais veloz, equilibrado e capaz de explorar melhor os pneus, por conta de a FIA reprovar a sua suspensão hidráulica, antes ainda de o campeonato começar. O projeto do W08 Hybrid previa seu uso.

A versão apresentada pela Mercedes em Barcelona, quinta prova do ano, e depois na de Montreal, sétima, transferiram a vantagem técnica da Ferrari para si. Bottas venceu na Áustria com os mesmos pneus ultramacios e supermacios que tantas dificuldades geraram ao time alemão. O W08 Hybrid enfrentava bem mais problemas para fazer os pneus distribuídos pela Pirelli funcionarem, atingir a temperatura ideal de aderência, notadamente os mais macios, que o SF70H da Ferrari.

Foi nessa fase da temporada que Vettel conseguiu se impôr na disputa, com três vitórias e três segundos lugares nas seis primeiras etapas. A partir daí Vettel foi quarto no Canadá, quarto no Azerbaijão, segundo na Áustria e sétimo em Silverstone. Os problemas de confiabilidade e incidentes de competição que ajudam a explicar esses resultados também atingiram a dupla da Mercedes.

A balança posicionada na linha de chegada de Hungaroring está equilibrada. A Ferrari colocou o peso que identifica sua manobrabilidade e elevada geração de pressão aerodinâmica no prato. Mas a Mercedes dispôs no outro prato um carro que recebeu importantes modificações desde o lançamento, tendo solucionado suas dificuldades mais sérias, uma unidade motriz com mais cavalos e um elemento que também pode ser decisivo: a competência de Hamilton no circuito.

Casa do piloto inglês

A história é apenas uma referência para projetarmos o futuro, mas não deixa de ser algo e em muitos casos até justifica os acontecimentos. Enquanto Vettel venceu o GP da Hungria apenas em 2015, com a própria Ferrari, não foi primeiro nem no período de grande dominação da RBR, escuderia com quem conquistou quatro títulos, de 2010 a 2013, Hamilton celebrou a vitória em Budapeste já no ano de estreia na F1, em 2007, com a McLaren.

“Adoro esta pista”, costuma afirmar. Depois do sucesso tendo como companheiro de equipe ninguém menos de Fernando Alonso, no seu auge, vindo de ganhar os dois campeonatos anteriores, Hamilton venceu em Hungaroring em 2009 e 2012, ainda com McLaren, e em 2013 e 2016, na Mercedes.

Já que os dois pratos da balança se equilibraram, nenhum ficou mais para baixo, garantindo maior vantagem para Ferrari ou Mercedes, a importância do trabalho da equipe será determinante a partir dos treinos livres. Eles começam sexta-feira, às 5 horas, horário de Brasília.

Mas será na sessão de classificação, sábado, e principalmente ao longo das 70 voltas da corrida que os estrategistas e o grupo de pit stop poderão definir o vencedor da 11ª etapa do calendário, uma antes das férias da F1, e a primeira da segunda fase da temporada de 20 GPs. A Pirelli e a FIA escolheram para o GP da Hungria os mesmos pneus de Silverstone, médios, macios e supermacios.

Balança de três pratos

Hora de Ricciardo e Max. Naquele exemplo da balança posicionada sobre a linha de chegada, talvez se pudéssemos inserir um terceiro prato, dedicado a RBR, ficasse mais representativo. A FIA está de olho também no modelo RB13-Tag Heuer (Renault), por supostamente as paredes laterais do aerofólio dianteiro dobrarem para baixo, a fim de gerar o mesmo efeito obtido pela Ferrari com a dobra da porção traseira do assoalho.

De qualquer forma, existe uma possibilidade real de a fortíssima dupla da RBR poder se intrometer na luta entre os pilotos da Ferrari e da Mercedes. O que seria excelente para a F1. Desde que Adrian Newey assumiu o desenvolvimento de um carro que não é seu, como explicou ao GloboEsporte.com na Espanha, o RB13 se tornou outro. Ricciardo recebeu a bandeirada cinco vezes seguidas no pódio, de Barcelona a Spielberg, na Áustria, e ultrapassou Raikkonen na classificação. Ele venceu o GP da Hungria em 2014.

A unidade motriz Renault da RBR vem evoluindo, tornou-se mais resistente, mas ainda responde com pelo menos 40 cavalos a menos que a da Mercedes, bem ao contrário da conta da FIA, que distribuiu nota explicando haver equivalência de performance entre as unidades de Mercedes, Ferrari e Renault. Mas como a potência pesa um pouco menos no traçado de Budapeste, será surpreendente se Ricciardo e Max não estiverem entre os primeiros. Seu hoje bom chassi deve ajudá-los a expor o talento.

Importância da equipe

Sobre a competição em si, a maior dificuldade de ultrapassar, este ano, com a elevação da pressão aerodinâmica e a adoção de pneus mais largos, tornou a definição do grid um desafio. Vale muito. “Será importante largar na frente”, comentou Bottas, ainda na Inglaterra. “Vamos ver lá, depois dos treinos, mas acho que não deverá ser muito diferente de Mônaco, talvez um pouco menos difícil (sobre ultrapassar um adversário).”

É provável que os estrategistas das equipes estejam dedicando horas do seu trabalho para estudar as soluções de undercut e overcut que, na teoria, podem levar seus pilotos a ultrapassar um concorrente, ou seja, ganhar a posição nas operações de pit stop, por antecipar a parada o ou mesmo atrasá-la. Claro, sempre tendo em mente a possível presença do safety car, diante de um asfalto dos mais lisos, menos aderentes, favorável às escapadas de pista.

Para terminar a conversa, uma reflexão: como descrito, o cenário é propício a um belo pega entre Mercedes, Ferrari e RBR. Mas se mesmo em um circuito que tende a não ser tão favorável à equipe de Hamilton e Bottas eles contarem com um carro tão superior como em Silverstone, a Ferrari vai entrar de férias sabendo que a conquista de um título que não celebra desde 2007, com Raikkonen, ficará bem mais distante.

Globo Esporte/ Fronteira Online