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De tão bem, a Chape foi castigada ao ir para o tudo ou nada. Por que não foi possível segurar o líder

Esportes, Nacional
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24/08/2017 09:59

Verdão foi taticamente perfeito até metade do segundo tempo, com marcação encaixada no campo de defesa e saídas em velocidade. Confiança, no entanto, fez time se abrir e dar espaços

Chapecoense foi derrotada pelo Corinthians: 1 a 0 (Foto: Renato Padilha / Estadão Conteúdo)
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É preciso ser sincero: o título deste texto era “por que a Chapecoense conseguiu segurar o líder”. A atuação na noite desta quarta-feira na Arena Condá era praticamente perfeita até metade do segundo tempo. Fechadinho, o Verdão marcava forte, não sofria e chegava com perigo. Jogava tão bem que pecou. Se abriu, deu os espaços que o Corinthians tanto buscava e foi castigado com o gol de Jô, na terceira chance do Timão em contragolpe. Fica a lição e também os elogios pela exibição e, por que não, coragem.

Com a derrota, a Chape segue com 25 pontos, na 15ª colocação na tabela, e com risco de voltar ao Z-4 na rodada do fim de semana. Para seguir com a cabeça para fora da água, é preciso vencer o Avaí, domingo, às 19h (de Brasília), na Ressacada, ou secar São Paulo e Vasco.
A Chapecoense foi castigada pela própria autoconfiança. É preciso dar os méritos de uma atuação quase perfeita, principalmente defensivamente. Uma atuação tão boa que fez o time se mandar para o ataque e fugir de sua própria estratégia. A partir da metade do segundo tempo, o Verdão passou a propor o jogo no campo de ataque e caiu na armadilha de um Corinthians até então sem espaços no campo ofensivo. No contragolpe, o Timão quase fez com Clayson, Romero e marcou no fim com Jô.

É evidente a dificuldade da Chapecoense para criação de jogadas ofensivas. Fosse nas saídas em velocidade no primeiro tempo ou quando se manteve no campo de ataque no segundo, o time carece de inspiração e na maioria das vezes apela para bolas aéreas ou chutes de longe.

A Chapecoense finalizou mais, criou boas jogadas, conseguiu envolver o líder disparado do Brasileirão, mas pecou de novo na falta de pontaria. Se tramas trabalhadas pelo meio não são o ponto forte, o time consegue pressionar na base da intensidade e bolas aéreas. Contra um adversário tão poderoso, porém, não dá para desperdiçar chances claras.

Penilla mais uma vez não mostrou a que veio. Na terceira partida consecutiva como titular, o equatoriano destoou da boa atuação do time, se enrolou sozinho ao puxar contra-ataques e nada criou. Ansioso, chegou a errar domínios no segundo tempo e deu lugar a Julio Cesar.
A estratégia da Chapecoense desde o minuto inicial era muito bem definida: marcar em seu campo, sem dar espaços para o Corinthians e apostar nas saídas em velocidade. Tática executada com perfeição até a metade do segundo tempo. Apesar de ter a bola, o Timão tinha uma barreira quase intransponível pela frente. O problema foi quando a Chape viu que estava tão bem e se abriu.

O tão repetido questionamento se dois centroavantes podem jogar juntos foi respondido por Wellington Paulista e Tulio de Melo: sim. Muito pela mobilidade do camisa 9, que foi o melhor em campo no primeiro tempo. Incansável pelo lado direito, criou boas chances e ajudou muito na marcação. Já tinha ido bem diante do Palmeiras, com assistência.

A Chape soube anular o ponto forte do Corinthians: o lado direito de ataque. Bem postado, Reinaldo abriu mão de sua vocação ofensiva para conter os avanços de Fagner, que praticamente não se aventurou no segundo tempo. Fabrício Bruno e Lucas Mineiro ajudaram a fechar o setor.

GE