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Exemplo do Fla, cascudos e Renato: como o Grêmio blinda o time contra oba-oba

Esportes, Nacional
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31/10/2017 14:47

Vantagem de 3 a 0 na semifinal contra o Barcelona-EQU é colocada de lado para evitar tropeços

Eduardo Moura
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Pode parecer estranho. Mas o Grêmio se cerca de cuidados para blindar o time para o jogo desta quarta-feira, contra o Barcelona-EQU, na Arena. Com o 3 a 0 a favor conquistado em Guayaquil, a tarefa agora é “não complicar” a semifinal a ponto de comprometer a vaga. E uma série de ações foi tomada internamente para que qualquer possibilidade de “oba-oba” fique apenas na torcida.

Mesmo entre os torcedores, a empolgação será trabalhada para que não atrapalhe – as autoridades estão organizando uma maneira de a delegação chegar na Arena sem atrasos, como ocorreu no ano passado, na final da Copa do Brasil, por conta da presença de gremistas nas ruas no entorno do estádio. Internamente, a concentração também manteve o padrão: iniciou 48 horas antes do jogo, como tem sido regra na véspera de duelos de mata-mata na temporada. Todos os detalhes são cuidados para que não haja problemas.

A figura do comandante gremista é utilizada muito nestes momentos. Se Renato não é ativo nos treinos técnicos no dia a dia – observa e faz intervenções, mas geralmente são comandados pelo auxiliar Alexandre Mendes –, é na conversa que leva o grupo. Antes dos trabalhos, sempre há uma pequena reunião, como aconteceu nesta segunda-feira. Na verdade, já havia feito isso ainda em Guayaquil.

O próprio treinador já se apontou como psicólogo do elenco. Além da parte tática nos treinos, geralmente com portões fechados, é ele também a gerenciar o grupo, uma das suas melhores facetas. Injeta nos jogadores a vontade de vencer que não pode faltar em situações como essa.

– Ele conversou com a gente depois do jogo, tudo pode acontecer no futebol, não tem nada ganho. Tem mais 90 minutos de jogo, temos que entrar focados e determinados para nada que possa atrapalhar para que nosso trabalho aconteça – comentou o lateral Bruno Cortez, nesta segunda.

Talvez nem precisasse de Renato, embora o técnico se preocupe com isso. Mas os jogadores experientes do elenco puxam, neste momento de decisão, o restante dos companheiros para manter o nível de concentração alto. Nomes como Pedro Geromel, Edílson e Kannemann tranquilizam a diretoria.

– Temos jogadores experientes. O grupo sabe o que precisa fazer e como se comportar – disse o vice de futebol Odorico Roman ao GloboEsporte.com.

Além disso, o grupo já deu mostras, na Copa do Brasil do ano passado, que sabe lidar com vantagem em momentos decisivos, como foi contra o Atlético-MG e Cruzeiro em final e semifinal, respectivamente.

– A gente vem repetindo isso ao longo da temporada, de ter esse foco. Alguns jogos tivemos abaixo, ainda mais no Brasileiro, por isso perdemos alguns que não podíamos. A experiência dos erros traz que precisamos estar totalmente focados para não encontrarmos algo diferente do que pensamos. O Barcelona vai se atirar para o jogo, foi 3 a 0 lá mas a equipe tem que estar totalmente focada, para que, aconteça o que aconteça, a gente passe de fase – discursou Edílson.

O Flamengo virou uma espécie de maneira de justificar todo o cuidado tomado com a partida, independentemente do 3 a 0 no placar. Em 2008, abriu vantagem de 4 a 2 nas oitavas de final da Libertadores, ao vencer o América no México. No Rio de Janeiro, porém, levou 3 a 0, com dois gols do paraguaio Cabañas, e acabou eliminado pelos mexicanos em uma situação complicada.

O fato foi citado pelo lateral Bruno Cortez em entrevista coletiva. Ao ser questionado se lembrava alguma situação onde uma vantagem grande havia sido quebrada, lembrou o duelo entre flamenguistas e mexicanos. Léo Moura, atualmente opção entre os reservas do Grêmio, atuou e marcou um gol, inclusive, no primeiro jogo.

– O Flamengo quando jogou com o América, fez o resultado e perdeu. No futebol tudo pode acontecer. Não podemos dar nenhuma brecha – alertou o lateral-esquerdo.

O Grêmio, em conjunto com a Brigada Militar e Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), está montando uma maneira de chegar na Arena sem atrasos. Claro que o calor da torcida no momento de entrar no estádio é visto com bons olhos. Mas na final da Copa do Brasil, no ano passado, a rua que dá acesso ao portão da Arena esteve bloqueada. O Tricolor chegou em cima da hora, encurtou o aquecimento e viu sua preparação prejudicada. Já houve uma orientação para a torcida.

– Jogar na nossa Arena, com o apoio do estádio lotado, quando entramos no busão a torcida já apoiando… Queremos retribuir esse carinho que os torcedores merecem. Quando a gente vai no mercado comprar alguma coisa, o torcedor já fala “quarta, hein”, diz para entrar ligado. Até o torcedor sabe que tem que entrar focado – empolgou-se Cortez.

A vantagem poderia ter feito o Grêmio olhar com outros olhos para o Brasileirão. Tentar uma aproximação mais forte ao Corinthians, em má fase, e sonhar com o título. Mas Renato manteve-se fiel ao seu pensamento e escalou reservas no domingo, contra o Avaí. Os titulares permaneceram em Porto Alegre. Treinaram na manhã de domingo, descansaram e só pensam no Barcelona.

Outro ponto em relação ao time: Jailson, titular no Equador, ficou fora da equipe reserva. Hoje, a tendência é que Renato não escale Michel, por considerar que o volante ainda não está no ritmo ideal. Mesmo que a partida esteja 3 a 0. A intensidade de Jailson é, neste momento, superior a do considerado titular. E para não haver risco em uma partida decisiva, pelo menos por ora, os indicativos são de Jailson iniciando o jogo.

GE