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Festas com armas, sexo e drogas acontecem em comunidades de Vitória

Geral, Notícias, Policial
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31/10/2018 10:27

A festa tem se espalhado pelos bairros da Grande Vitória. A movimentação acontece durante a madrugada, costuma envolver drogas e porte de armas

Foto: Reprodução/ TV Gazeta
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Festas clandestinas conhecidas como “Baile do Mandela” têm se espalhado por diversos bairros da Grande Vitória. Embalado pelo chamado funk proibido, a movimentação começa à noite e costuma terminar pela manhã.

A última festa que aconteceu no domingo, 28, no Morro dos Alagoanos, em Vitória, teve a ação da Polícia Militar para que impedisse o evento.

Moradores chegaram a reclamar da PM por terem visto uma mulher sendo empurrada durante abordagem, ouvirem disparos de bala de borracha e bombas de gás.

O comando do 1º Batalhão avaliou a conduta como correta. A PM disse que no evento havia venda e uso de drogas, que alguma pessoas estavam sendo hostis e tiveram que usar a força necessária para que ele cessasse.

“Havia uma festa ilegal e chegamos para encerrar o baile antes de começar. Nesse baile participam pessoas com mandado em aberto. Nessa ocasião nós aprendemos maconha, cocaína, simulacro de pistola, um carregador de pistola e munição. Ou seja, era esse tipo de evento que estava acontecendo”, avalia o Tenente Coronel Danilo.

Em outubro, após uma das festas, câmeras flagraram criminosos exibindo armas pelas ruas do bairro São Benedito, em Vitória. Todos foram identificados pela polícia militar e um deles tem 14 passagens pela polícia.

A polícia disse que os bailes geralmente são organizados por traficantes. Na região, quem manda é o “poder paralelo” e até a polícia fica com limitações para agir.

Depois da situação ocorrida no bairro, a PM informou que uma viatura ficaria 24h na região. O secretário de Segurança Pública, coronel Nilton Rodrigues, também disse que blitzes passarão a ser feitas sempre de quinta-feira a domingo.

Outras ocorrências

O Baile não é recente, ele já foi registrado outras vezes e ações são realizadas para que impeça a irregularidade. Em julho de 2017, moradores já reclamaram da movimentação no bairro Andorinhas, em Vitória.

Em novembro do ano passado a confusão durante a festa acabou em morte no bairro Primeiro de Maio, Vila Velha. Um homem estava agredindo a namorada e Edimar Mota, de 41 anos, morreu após tentar proteger a vítima. A filha dele, tentou ajudar e também foi baleada.

A Rua Sebastião da Silva, onde ele foi baleado, é conhecida como faixa de gaza, por causa de frequentes tiroteios.

Em 2016, também no bairro Primeiro de Maio, uma prometer do baile jogou pedras contra a polícia e foi autuada. No mesmo ano, após denúncias, uma ação envolveu cerca de 100 policiais e agentes para realizar um abordagem em dez bairros de Vila Velha.O intuito era impedir que o baile acontecesse no bairro Cobi de Baixo, pois já tinha ocorrido um evento com mais de 4 mil participantes.

Irregularidade

A Polícia Civil informou que os bailes não são autorizados pelo poder público e são realizados de forma itinerante, o que dificulta as investigações. Também destacou que somente com uma atuação integrada, apoiada pelo Ministério Público, Poder Judiciário e com a participação ativa da população será eficaz para a solução do problema.

A delegacia que fica responsável pela investigação desse tipo de festas é a Delegacia de Costumes e Diversões (Decodi). As comunidades que tem eventos irregulares programados devem manter contato com a fiscalização municipal, com a Polícia Civil, com o Ciodes (190) e com o Disque-Denúncia (181).

O tenente coronel Geovânio, da Polícia Militar, afirma que a corporação tem dificldade em fiscalizar os eventos porque são organizados por redes sociais. Geovânio enfatiza que os eventos não tem autorização e pede para que a população denuncie.

“Essas festas tem a participação de traficantes, consumo de drogas e participação de adolescentes. Esses eventos são organizados por redes sociais e é difícil da PM ter um controle efetivo”.

Prefeituras

Vitória

A prefeitura de Vitória disse em nota que não sabe quantos bailes do Mandela são realizados na capital do estado.

Vila Velha

Em vila Velha, a prefeitura disse que o serviço de inteligência da guarda sabe dessas festas em sete bairros e tem feito operações integradas com a PM para acabar com as festas funk conhecidas como mandela.

Cariacica

Em Cariacica, a prefeitura disse que as festas acontecem sem autorização e, por isso, não sabe locais e horários em que os bailes acontecem.

G1