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Fifa não revela nomes da lista de doping e diz não ter “base sólida” contra 2018 e 2022

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28/06/2017 10:48

Em evento sobre programa social, secretária-geral Fatma Samoura é questionada várias vezes sobre relatórios de Agência Mundial Antidoping e do investigador independente Michael Garcia

Fatma Samoura participa de evento do programa social "Football for Hope", em Kazan, na manhã desta quarta-feira (Foto: Thiago Dias / GloboEsporte.com)
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A secretária-geral da Fifa, Fatma Samoura, participou na manhã desta quarta-feira de um evento sobre o programa de desenvolvimento social da entidade, o “Football For Hope”, em Kazan. Mas, no final do fórum, poucas perguntas sobre este trabalho foram feitas à senegalesa: os temas principais acabaram sendo as recentes notícias dos relatórios com denúncias de doping no futebol russo e corrupção com dirigentes da Fifa.

Sobre o primeiro, Fatma confirmou que o organismo está trabalhando em conjunto com a Agência Mundial Antidoping (Wada) e que recebeu a lista dos envolvidos, mas que não poderia citar os nomes. Em relação ao documento de 430 páginas do investigador independente Michael Garcia, feito em 2014, a secretária-geral afirmou que o texto não apresenta uma “base sólida” para colocar em dúvida a eleição de Rússia e Catar como sedes das Copas do Mundo de 2018 e 2022, respectivamente.

A assessoria de imprensa da Fifa havia solicitado aos jornalistas presentes no hotel em Kazan que fossem feitas apenas perguntas sobre o “Football Hope”. Após o primeiro repórter iniciar a entrevista falando sobre o tema, praticamente todas as seguintes foram para saber a posição de Fatma em relação aos relatórios que ganharam as manchetes nos últimos dias. Ao falar da denúncia de que todos os convocados pela Rússia para o Mundial de 2014 estão envolvidos com doping (possível adulteração de amostras de urina para mascarar substâncias proibidas), a senegalesa lembrou que a entidade já se pronunciou em um comunicado oficial informando que nenhum exame apresentou resultado positivo no Brasil e agora na Copa das Confederações.

– Nós já expressamos nossa posição. Estamos em cooperação total com a Wada na investigação que está sendo feita. Até ter a decisão final do laboratório não podemos falar muito sobre isso. Vamos usar nossa política de tolerância zero com doping não só com a Rússia, mas com qualquer federação. Esperamos que isso possa ser eliminado e possamos nos focar somente em futebol.

Richard McLaren, autor da denúncia sobre o doping de atletas russos afirmou que 155 jogadores estão sendo investigados por possível adulteração das amostras. Há suspeita de que um banco de amostras limpas estaria sendo usado para que os exames feitos pelos atletas fossem adulterados.

Logo após os casos de doping terem sido abordados na entrevista em Kazan, a imprensa passou a falar com Fatma sobre o relatório de Garcia. Na terça, a Fifa publicou a íntegra da investigação, referente ao processo que escolheu Rússia e Catar como sedes das Copas de 2018 e 2022, respectivamente, com suspeitas de corrupção. O documento indica que o ex-presidente do Barcelona Sandro Rosell depositou um total de 2 milhões de libras (R$ 8,4 milhões na cotação atual) à filha de 10 anos do ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira. Entretanto, não garante que esse valor está relacionado à candidatura do Catar.

Após ler o relatório, a Câmara de Julgamento da Comissão de Ética da Fifa afirmou ter identificado comportamentos suspeitos por parte de membros da Fifa, mas nada que pudesse colocar em dúvida a atribuição das duas próximas Copas do Mundo. Fatma confirmou que, por ora, não há questionamentos sobre a escolha das sedes e os torneios estão mantidos.

– A decisão de publicar o relatório Garcia foi do Comitê de Ética da Fifa buscando a transparência sempre. Eu não posso me pronunciar em nome da Fifa porque é tudo sobre pessoas que estão sendo investigadas, acusadas. Isso é de responsabilidade do comitê de ética. A decisão de fazer a Copa na Rússia e no Catar foi da administração antiga. Sobre o relatório Garcia, não há uma base sólida para questionar a escolha das Copas do Mundo na Rússia no Catar – disse.

A secretária-geral também teve que explicar se a companhia aérea Qatar Airways seguirá como patrocinadora da Fifa no Mundial de Clubes deste ano, em dezembro, nos Emirados Árabes, visto que os dois países do Oriente Médio cortaram relações. Segundo Fatma, até o momento não houve nenhuma solicitação do Comitê Organizador Local sobre este tema.

Em seguida, a senegalesa voltou a ser questionada sobre o doping. Um jornalista perguntou se a Fifa tinha a lista com os nomes de todos os envolvidos no escândalo. A resposta foi:

– Temos o relatório da Wada, mas não poderemos divulgar nomes.

Por fim, a imprensa insistiu em saber se os 23 convocados pela Rússia para a Copa no Brasil estão na lista. Quando Fatma começou a responder, a assessoria de imprensa da Fifa interrompeu a entrevista e a secretária-geral lembrou que estava ali para falar apenas do “Football For Hope”. E nenhuma pergunta mais foi feita.

G1/ Fronteira Online