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Governo do PR diz que professor que ‘ampara’ ocupação pode ser punido

Educação, Notícias
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25/10/2016 11:27

Atualmente, mais de 800 escolas estão ocupadas por alunos no Paraná, sindicato diz que professores não tem ligação com o movimento

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O governo estadual afirmou nesta segunda-feira, 24, que diretores e professores que “estiverem dando amparo às ocupações” das escolas poderão ser punidos. De acordo com o governo, esses profissionais poderão responder a processos administrativos ou sindicâncias. Em greve, os professores afirmam que não têm ligação com as ocupações.

Desde 3 de outubro, o Paraná vivencia o movimento de ocupação das escolas estaduais. O movimento Ocupa Paraná afirma que são 850 instituições de ensino ocupadas, 14 universidades e três núcleos. A última atualização foi feita na sexta-feira, 21. Onde há ocupação, as aulas estão suspensas

O número da Secretaria de Educação do Paraná é diferente: 792 colégios estão ocupados – isso significa 33% das escolas. Os jovens se dizem contrários à apresentação da medida provisória que promove mudanças no Ensino Médio.

“(…) O governo anunciou que os diretores e professores que estiverem dando amparo às ocupações e não cumprirem as determinações legais, responderão processos administrativos ou sindicâncias e poderão ser punidos com afastamentos e até demissões”, diz trecho da reportagem publicada na agência de notícias oficial do Governo do Paraná.

Há ainda 2% das escolas totalmente paradas em virtude da greve dos professores; 21% funcionam parcialmente e 44% estão abertas normalmente.

Aproximadamente 500 mil alunos estão sem aula, conforme a secretaria.

Ainda conforme o governo estadual, quem aderiu à greve terá a falta lançada.

Isso significa que os dias parados serão descontados dos salários. Outra medida divulgada é a disponibilização de documento eletrônico para que o professor manifeste a opinião, caso não queira aderir à paralisação.

“De outra parte, a Secretaria de Estado da Educação vai disponibilizar um documento na internet para que os educadores que querem trabalhar, mesmo com a greve promovida pela APP-Sindicato ou que atuem em escolas ocupadas, possam registrar oficialmente sua opção por não aderir aos movimentos que impedem o retorno das aulas na rede estadual”.

Segundo o sindicato, a APP-Sindicato não está envolvida com a organização das ocupações e não houve orientação para que os professores fomentassem as ocupações. A APP-Sindicato avaliou as medidas como autoritárias e ilegais.

“Não tem qualquer amparo legal isto. Estamos orientando o nosso pessoal a manter a cabeça erguida porque a pauta da greve é legitima, e a das ocupações também é legitima embora estejam organizadas no movimento estudantil. Agora, o próprio governo vem atacando a APP-sindicato como a organizadora das ocupações. Nós estamos denunciando isso também porque é uma forma de desestabilizar as relações”, afirmou o presidente do sindicato Hermes Leão.

O Secretário-chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni, disse que as decisões têm respaldo legal. Ele afirmou que as medidas anunciadas valem até sexta-feira, 28, e caso as ocupações continuem, outras devem ser adotadas.

“Eu considero essas medidas de autoridade. Autoridade que tem a responsabilidade de cuidar da educação do Paraná”, afirmou o secretário.

Reintegrações de posse
O Governo do Paraná afirmou que entre sábado  e domingo, 23, 39 escolas desocupadas no estado após a Justiça determinar reintegração de posse.

G1/ Fronteira Online