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Greve convocada pela oposição na Venezuela paralisa parte do país

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20/07/2017 16:41

Convocação acontece dias após o plebiscito simbólico em que participantes votaram contra o governo e pediram eleições antecipadas

Mulher passa em frente a um portão fechado com a frase “fechado contra a ditadura”, durante greve geral, em Caracas, na Venezuela, nesta quinta-feira (20) (Foto: Marco Bello/ Reuters)
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Com ruas desertas e barricadas começou na quinta-feira, 20, em várias cidades na Venezuela, uma greve de 24 horas convocada pela oposição, como forma de protesto contra a iniciativa do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, de levar adiante uma Assembleia Nacional Constituinte para reescrever a Constituição do país.

A agência Reuters afirma que as empresas aderiram à paralisação.

“Começou bem. Não há movimento, tudo está fechado, todos precisamos fazer o nosso melhor para se livrar desse tirano”, disse o manifestante Miguel Lopez, de 17 anos, em uma via central de Caracas que estava sem tráfego, ainda de acordo com a Reuters.

Em diferentes zonas do país foi suspenso o serviço de transporte privado, informaram testemunhas à Reuters; ao mesmo tempo em que a conta oficial do metrô de Caracas no Twitter reportava “poucos usuários” no início da jornada de trabalho do país petroleiro.

Entretanto, agências bancárias e pequenos negócios em algumas zonas da capital e de outras cidades do país abriram as portas, junto com empresas estatais, enquanto motoristas prestaram serviço para cobrir a falta no transporte público.

Maduro canta vitória

Ante à paralisação, Maduro se declarou vencedor ao assinalar que os setores-chaves da economia se encontram operacionais. “Voltamos a triunfar, agora rumo ao domingo, 30 de julho, de vitória em vitória, moral máxima”, afirmou Maduro ao referir-se à data da eleição dos membros da Assembleia Constituinte contra a qual a greve foi convocada.

O presidente assegurou que as indústrias básicas e os setores petroleiro, energético e a administração pública estão trabalhando a 100%, e só reconheceu falhas no serviço de ônibus urbanos que, segundo ele, funciona a 90%.

“Eles que nunca trabalharam que fiquem sem trabalhar; nós vamos é em frente”, afirmou, durante um comício de campanha pela Constituinte transmitido pela televisão governamental VTV.

Também denunciou que opositores tentaram atacar a sede da VTV, referindo-se a um grupo de manifestantes que jogou pedras contra o prédio da emissora. Os manifestantes entrararam em confronto com funcionários da VTV, que receberam apoio da Guarda Nacional, segundo constatou a agência France Presse.

Onda de protestos

A greve acontece dias após o plebiscito simbólico em que 98,4% dos mais de 7 milhões de participantes votaram contra o governo e pediram eleições antecipadas.

O processo de convocar uma Constituinte, criticado pela oposição e pela comunidade internacional, na prática, vai estender o mandato de Maduro.

A oposição anunciou que formará um governo de transição caso Maduro não desista da votação para eleger a Assembleia Constituinte, prevista para acontecer em 30 de julho. Na ocasião, os eleitores elegerão 545 representantes para redigir uma nova Carta Magna para o país.

O presidente venezuelano enfrenta uma onda de protestos, que começou em abril, e já matou quase 100 pessoas. Na terça-feira, 18, o Ministério Público da Venezuela informou que investiga a morte de um homem identificado como Héctor Anuel, que foi queimado durante uma manifestação no estado de Anzoategui.

G1/Fronteira Online