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Greve dos caminhoneiros faz produção industrial recuar 10,9% em maio, diz IBGE

Economia, Notícias
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04/07/2018 11:10

Foi o maior tombo da indústria desde dezembro de 2008; desabastecimento de matérias-primas e bloqueio no escoamento afetaram o setor durante a paralisação que durou 11 dias

Linha de produção de veículos foi uma das mais afetadas pela greve de maio, segundo o IBGE. (Foto: Divulgação)
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Afetada pela greve dos caminhoneiros, a indústria brasileira recuou 10,9% no mês de maio frente a abril, na série com ajuste sazonal, divulgou nesta quarta-feira, 04, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A paralisação que durou 11 dias afetou o processo de produção de várias unidades produtivas no país.

Esta foi a maior queda desde dezembro de 2008, quando a crise internacional prejudicou a indústria e derrubou a produção em 11,2%. O mês de maio mostrou também o segundo pior resultado da série histórica iniciada em 2002 (veja o gráfico abaixo).

“A greve desarticulou o processo de produção em si, seja pelo abastecimento de matérias-primas, seja pela questão da logística na distribuição”, disse o gerente da pesquisa do IBGE, André Macedo.

Vários fatores relacionados à paralisação impactaram de alguma forma a produção da indústria. Além da falta de insumos que não chegavam às fábricas, Macedo citou a dificuldade de escoamento da produção e, também, a limitação dos trabalhadores para se deslocarem até o trabalho.

Na comparação com o mês de maio de 2017, o setor industrial recuou 6,6%.

Com o resultado de maio, o patamar da produção industrial do país retornou a um nível próximo ao registrado em dezembro de 2013, ficando assim 23,8% abaixo do pico mais alto da série, alcançado em maio de 2011, segundo o pesquisador do IBGE.

Automóveis e alimentos pressionaram a queda

“As quedas [na produção] dos bens duráveis de 27,4% e de semi e não duráveis são as mais intensas desde o início da série histórica para a comparação mensal”, destacou o pesquisador.

Segundo Macedo, o declínio nos bens duráveis e não duráveis está relacionado, respectivamente, a automóveis e alimentos, que exerceram as maiores pressões negativas na paralisação dos caminhoneiros.

A categoria de veículos automotores, reboques e carrocerias retrocedeu 29,8% em maio, enquanto produtos alimentícios encolheu 17,1% em maio frente a abril, segundo os dados do IBGE.

O segmento de bebidas caiu 18,1% e também exerceu pressão negativa. Celulose, papel e produtos de papel tiveram queda de 13,0%. A confecção de artigos do vestuário e acessórios, por sua vez, retrocedeu 15,4%. Já a produção de produtos químicos ficou 5,6% menor, e a de produtos de metal caiu 10,5%.

Dos 26 ramos industriais pesquisados, apenas dois não tiveram redução na produção: o de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis subiram 6,3%, e o de indústrias extrativas avançou 2,3%.

“Os dois são, relativamente, menos dependentes dessa paralisação. No caso dos derivados do petróleo, por exemplo, a matéria-prima muitas vezes chega por dutos, não por caminhões. Isso pode ser uma explicação para algum tipo de comportamento positivo que esses segmentos tiveram mesmo em meio a greve”, explicou Macedo.

Alta da indústria desacelera no ano

Nos cinco primeiros meses do ano, o setor industrial acumulou expansão de 2%, ritmo abaixo do resultado registrado até abril, que ficou em 4,5%.

Nos últimos 12 meses, ao passar de 3,9% em abril para 3% em maio, a alta também desacelerou e interrompeu a trajetória ascendente iniciada em junho de 2016, quando o indicador caía 9,7%.

Dados revisados

O IBGE revisou os dados da produção industrial na comparação mensal de dezembro de 2,9% para 3,1%, de janeiro de queda de 2,1 para recuo de 2,2, e de março de uma queda de 0,1% para uma estabilidade de 0%.

G1