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Greve geral na Venezuela aumenta a pressão contra Maduro

Internacional, Notícias
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28/10/2016 09:53

Governo prometeu intervenção militar nas empresas que pararem. Oposição protesta contra convocação de referendo revogatório

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A oposição venezuelana pretende intensificar ainda mais a pressão contra o presidente Nicolás Maduro com uma greve geral nesta sexta-feira, 28. O governo prometeu intervenções militares nas empresas que interromperem suas atividades.

“A convocação de greve cidadã é para o povoo: deixar as ruas e postos de trabalho vazios para pressionar o governo a acatar a Constituição e respeitar nosso direito de eleição”, afirmou a coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) em um comunicado.

A greve, que deve começar às 6h locais (8h de Brasília) e acabar às 18h (20h), é parte da estratégia adotada pela oposição para forçar a saída de Maduro do poder, após a suspensão na semana passada do processo para a convocação do referendo revogatório.

Oficiais das Forças Armadas, cujo alto comando declarou nesta semana “lealdade incondicional” ao presidente, devem inspecionar 720 empresas para verificar suas atividades.

Manifestantes enfrentam a polícia nesta quarta-feira (26) em San Cristobal durante protesto pela realização do referendo que pode tirar o presidente Nicolás Maduro do poder (Foto: REUTERS/Carlos Eduardo Ramirez)

“Vamos ter uma mobilização para garantir ao povo acesso aos alimentos e medicamentos, que nenhum hospital permaneça parado. A única maneira de sair das dificuldades é trabalhando”, afirmou o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López.

Resposta enérgica
Maduro destacou que responderá energicamente à “sabotagem” e “golpe parlamentar”, como chama a greve e o plano da maioria opositora na Assembleia Nacional de declará-lo em “abandono de cargo”, por considerar o presidente responsável pela crise política e econômica.

“Não vou aceitar nenhum tipo de conspiração. Empresa parada, empresa recuperada pelos trabalhadores e a revolução”, disse.

Na quinta-feira, Maduro anunciou o aumento de 40% do salário mínimo, o que eleva o pagamento a 90.911 bolívares (140 dólares).

Apesar de ser o quarto aumento decretado por Maduro em 2016, os venezuelanos reclamam que os salários não cobrem quase nada, ante uma inflação que, segundo o FMI, deve chegar a 475% este ano, a maior do mundo.

Empresários e economistas acusam o modelo socialista de “desmantelar” a capacidade produtiva do país, muito afetado pela queda dos preços do petróleo e dependente das importações.

A Confederação de Indústrias da Venezuela recomendou às empresas que deem liberdade aos funcionários para participar na greve, porque o protesto é “um direito constitucional”. A Confederação do Trabalhadores da Venezuela (CTV) afirmou que atenderá a convocação porque a crise afeta “em sua imensa maioria” a força de trabalho.

De acordo com o instituto Venebarómetro, Maduro enfrenta uma impopularidade de 76,4%, ao mesmo tempo que 67,8% dos venezuelanos se declaram favoráveis à revogação de seu mandato, que vai até janeiro de 2019.

A nova estratégia da MUD inclui uma passeata em 3 de novembro até o palácio presidencial de Miraflores, no centro de Caracas. A passeata até Miraflores e a greve repetem, para o governo, o “roteiro” de 11 de abril de 2002, quando uma mobilização até a residência oficial resultou em um golpe de Estado que afastou Hugo Chávez do poder durante três dias.

Ao apoiar a convocação da MUD, o primeiro vice-presidente da organização empresarial Fedecámaras, Carlos Larrazábal, afirmou que está não é uma paralisação patronal, e sim uma “greve cidadã”.

“Esta é uma grande diferença em relação ao passado”, disse Larrazábal, em referência ao fato de, um dia depois do golpe contra Chávez, o então líder da Fedecámaras, Pedro Carmona, chegou a assumir o cargo de presidente da Venezuela.

G1/ Fronteira Online

Manifestantes enfrentam a polícia nesta quarta-feira (26) em San Cristobal durante protesto pela realização do referendo que pode tirar o presidente Nicolás Maduro do poder (Foto: REUTERS/Carlos Eduardo Ramirez)