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Homicídio de advogado foi encomendado e mandante pagou mais de R$ 8 mil para o executor, afirma polícia

Policial
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09/11/2018 14:00

Detalhes da investigação que levou a prisão de cinco pessoas, foram repassados nessa manhã, durante uma entrevista coletiva

Foto: Reprodução R Peperi
Legenda da foto

Foi realizada na manhã desta sexta-feira, 09, em São Miguel do Oeste uma entrevista coletiva com a presença dos delegados da Polícia Civil, DIC, DEIC e PRF, onde foram divulgados detalhes da conclusão do inquérito policial que investiga o homicídio do advogado Joacir Montagna, ocorrido no dia 13 de agosto em Guaraciaba.

Durante a entrevista coletiva os delegados e responsáveis pela investigação que culminou na prisão de cinco envolvidos no crime deram alguns detalhes que ajudaram a polícia na elucidação do crime, que segundo os delegados ocorreu através de uma encomenda.

Segundo a polícia o mandante do crime teria pago o valor de R$ 8500,00, ao executor para que ele assassinasse o advogado, não se sabe, no entanto, qual teria sido a motivação do crime.

O autor do disparo, que tem diversas passagens pela polícia, inclusive por homicídio e roubo e era foragido do sistema prisional do RS, teria contado com a ajuda de dois irmãos para cometer o crime, os três estão presos. O mandante e um quinto envolvido também permanecem presos.

Durante as investigações não foi possível apurar qual a real motivação do crime, o que deverá ser feito em um segundo inquérito, conforme afirmou o delegado regional Adriano Bini.

Com a conclusão do inquérito policial os envolvidos foram indiciados pela prática de crimes de homicídio doloso duplamente qualificado (motivo torpe e recurso que dificultou a defesa do ofendido), associação criminosa armada, porte ilegal de arma de fogo e adulteração de sinal identificador de veículo automotor.

Confira os detalhes repassados pela polícia civil:

  1. NOME DA INVESTIGAÇÃO: “DEFESA DA ORDEM”

Alusão à profissão da vítima Joacir Montagna: advogado – Por se tratar de membro da Ordem dos Advogados do Brasil, buscou-se reprimir a violação às atribuições dos advogados, reconhecidos constitucionalmente como essenciais à Justiça. – Investigação visou restabelecer a Ordem Pública, gravemente abalada com a forma de cometimento do homicídio.

  1. DILIGÊNCIAS

Desde o início da comunicação, Policiais Civis da 13ª Região estiveram no local do crime para obter maiores informações acerca da materialidade e autoria delitiva. De início, foram levantadas as circunstâncias da localização do corpo, testemunhas foram entrevistadas e foi disponibilizado acesso a imagens captadas por sistemas de monitoramento, com destaque para a câmera instalada em frente do local do bárbaro crime. Por se tratar de crime de elevada complexidade, equipes de Policiais Civis permaneceram durante todo fatídico dia em Guaraciaba, notadamente com o propósito de inquirir testemunhas, dentre outras pessoas que tinham conhecimento das circunstâncias do crime e de elementos que pudessem apontar a autoria.

Considerando o modus operandi empregado pelos homicidas, parcialmente captado por sistema de monitoramento instalado em frente do Escritório de Advocacia, e os relatos das testemunhas, acreditava-se desde o início pela ocorrência de homicídio doloso contra a vida. Com base nas percepções preliminares, Policiais Civis permaneceram durante todo o dia em Guaraciaba/SC realizando diligências imprescindíveis para a obtenção de informações de relevância para a investigação, trabalho que persistiu ininterruptamente até às 4h30min do dia 14/08. Com o decorrer das diligências, detalhes do crime foram descobertos e já no segundo dia de investigação (dia 14/08) foi possível a identificação de um dos executores do crime. A partir desta descoberta, tornou-se possível chegar até o autor do disparo e do piloto da motocicleta.

Verificou-se, então, que, além dos dois criminosos que foram vistos na motocicleta em frente do Escritório, um terceiro permaneceu no interior de um veículo estacionado às margens da BR 163 aguardando a execução do homicídio a fim de possibilitar a fuga. Na mesma semana do crime, mais precisamente no dia 18/08 (sábado), no período noturno, dois dos executores retornaram a Guaraciaba para recuperar os objetos deixados às margens da BR 163, mas perceberam que os materiais já tinham sido recolhidos. Equipes de Policiais Civis foram mobilizadas na ocasião e observaram à distância o veículo usado pelos autores para não prejudicar as investigações.

Digno de registro que os veículos de imprensa tiveram papel fundamental e colaborativo na “não divulgação” da localização dos objetos ‘dispensados’ pelos autores, o que permitiu obtenção de importantes elementos de prova. Aprofundadas as investigações, descobriu-se que o autor do disparo e o autor responsável pela “encomenda” do homicídio estiveram em Guaraciaba no dia 06/08/18 e em São Miguel do Oeste no dia 08/08/18 para estudar os possíveis locais para a prática do crime, rotina da vítima JOACIR e rotas de fuga.

Com base em todas as informações obtidas, a Polícia Civil representou pela expedição de mandados de busca e apreensão e de prisões temporárias de três indivíduos que atuaram na fase de execução do crime, pedidos devidamente deferidos pelo Juízo local, após parecer favorável do Ministério Público. Cumpridos mandados em desfavor de dois dos executores, tornou-se possível a delimitação da identidade do indiciado apontado como o responsável pela “encomenda do crime”. Digno de nota que a anterior passagem deste último pelo Sistema Prisional de Santa Catarina contribuiu para sua adequada identificação.

Em outro momento da investigação, a equipe de Policiais identificou um quinto elemento como integrante da associação criminosa também composta pelos 3 indivíduos que aturam na fase de execução do crime. Oportuno citar que no decorrer da investigação foram realizados 11 (onze) exames periciais pelo Instituto Geral de Perícias por meio das Núcleos de São Miguel do Oeste, Chapecó, Florianópolis e Lages, todos de extrema importância para a obtenção de elementos probatórios e materialização dos crimes de homicídio, porte ilegal de arma de fogo e adulteração de sinal identificador de veículo automotor.

  1. PRISÕES

Diante de robustos elementos probatórios, inevitáveis as expedições de mandados de buscas e apreensões e prisões dos suspeitos:

3.1. PRISÕES DO DIA 29/08/2018

No dia 29 de agosto de 2018, equipes de Policiais Civis se deslocaram até o município de Chapecó para o cumprimento de mandados de buscas e apreensões e de prisões temporárias. Após horas de monitoramento dos locais onde os indiciados residiam, por volta das 17h30min, os Policiais cumpriram de forma simultânea mandados em desfavor de dois dos executores.

Por ocasião das diligências, diversos objetos de interesse para a investigação, inclusive o veículo utilizado para a realização de levantamentos e no dia do crime, foram apreendidos. As diligências contaram com a participação de Policiais Civis das Comarcas de São Miguel do Oeste, Descanso, Itapiranga, Maravilha, além do apoio de Policiais Civis da Divisão de Investigação Criminal de São Lourenço do Oeste, Divisão de Investigação Criminal de Chapecó, 3ª Delegacia de Polícia de Chapecó e SAER/Fron.

3.2 PRISÃO DO DIA 04/09/2018

No dia 04/09/2018, Policiais Civis de São Miguel do Oeste deslocaram até o município de Xaxim/SC para cumprimento de mandado de busca e apreensão e prisão temporária em desfavor do indiciado apontado como responsável pelo aliciamento dos três executores do crime. No decorrer das diligências, foram apreendidos aparelhos celulares e vestimentas do indiciado. As diligências contaram com o apoio de Policiais Civis da Divisão de Investigação Criminal de Xanxerê e da Delegacia de Polícia da Comarca de Xaxim.

3.3 PRISÃO DO DIA 18/10/2018

O terceiro executor do crime estava foragido até o dia 18/10/2018, quando, com apoio de Policiais Civis da Delegacia de Laranjeiras do Sul/PR, foi preso temporariamente no município de Rio Bonito do Iguaçu/PR.

3.4 PRISÃO DO DIA 05/11/2018

No dia 5/11, o último indiciado que estava foragido se apresentou na Divisão de Investigação Criminal de São Miguel do Oeste, ocasião em que foi cumprido em seu desfavor mandado de prisão preventiva. Este último indiciado é apontado como integrante da associação criminosa composta pelos 3 executores do homicídio de JOACIR MONTAGNA.

3.5. CONVERSÃO DAS PRISÕES TEMPORÁRIAS EM PREVENTIVAS

Cumpre informar que o Juízo local acolheu o pedido da Polícia Civil, após manifestação favorável do Ministério Público, convertendo todas as prisões temporárias em preventivas.

  1. CONCLUSÃO DO INQUÉRITO POLICIAL

Ao final desta fase da investigação, houve indiciamentos pela prática de crimes de homicídio doloso duplamente qualificado (motivo torpe e recurso que dificultou a defesa do ofendido), associação criminosa armada, porte ilegal de arma de fogo e adulteração de sinal identificador de veículo automotor. O Inquérito Policial foi concluído no dia 1º/11/2018 e remetido para o Poder Judiciário local.

  1. PARTICIPARAM E/OU APOIARAM AS INVESTIGAÇÕES OS SEGUINTES ÓRGÃOS/UNIDADES:
  • 13ª DRP/FRON/SMO – São Miguel Oeste Descanso, Maravilha, Cunha Porã, São José do Cedro, Itapiranga e Dionísio Cerqueira e respectivas DPMU’s;
  • 3a Delegacia de Polícia de Chapecó;
  • DIC de Chapeco;
  • DIC de Concordia;
  • Delegacia de Polícia da Comarca de Pinhalzinho;
  • DIC de Xanxerê;
  • Delegacia de Polícia da Comarca de Xaxim;
  • DIC de São Lourenço do Oeste;
  • Delegacia de Polícia da Comarca de Campo Erê;
  • SAER/Fron de Chapecó;
  • Ministério Público de Santa Catarina; Polícia Rodoviária Federal;
  • DEAP – Departamento de Administração Penitenciária – SJC – Unidades de São Miguel do Oeste, São José do Cedro e Maravilha;
  • Polícia Civil do Paraná – Foz do Iguaçu e Laranjeiras do Sul;
  • Polícia Civil do Rio Grande do Sul – 1a Delegacia de Novo Hamburgo; Delegacia de Tenente Portela; Delegacia de Polícia de Campo Novo;
  • Instituto Geral Perícias – Núcleos de São Miguel do Oeste, Chapecó, Lages e Florianópolis.

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