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Humilde e dedicado, Girotto é reflexo do povo de Chapecó

Esportes, Nacional
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27/07/2017 09:57

Sem atrair holofotes, volante do Verdão do Oeste se destaca em campo ao trabalhar para o time, mas prefere a discrição quando o assunto é fora das quatro linhas

Andrei Girotto comemora um de seus seis gols com a camisa Chape (Foto: Nelson Almeida / AFP)
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Trabalho, dedicação e humildade. Características que qualquer leitor chapecoense poderia facilmente se identificar. Enraizado na cultura local, estes são alguns dos princípios herdados do povo gaúcho, colonizador das terras oestinas em Santa Catarina. São essas também as qualidades demonstradas em campo pelo volante Andrei Girotto. E a identificação entre torcida e atleta, jogador e cidade, foi tão rápida quanto sua adaptação ao Verdão.

Nascido em Bento Gonçalves (RS), Girotto já rodou o Brasil e o mundo fazendo o que escolheu para si como profissão – jogar futebol. Neste processo, morou na maior cidade da América do Sul nos tempos de Palmeiras e também no Japão. Mas em nenhum destes locais encontrou identificação como em Chapecó.

– Me adaptei muito rápido, porque sou do Sul. Os costumes aqui são parecidos. No começo até brincava que aqui tem muita coisa que tem na minha cidade também. As pessoas são simples, com humildade, chegam na rua e mesmo sem conhecer conversam como se fosse um amigo. Essa simplicidade que Chapecó tem foi o que mais me identifiquei.

Entre as características que deixam Girotto à vontade na cidade estão coisas corriqueiras e comuns para a população local, como a linguagem, ao falar palavras que tenham dois R’s, com apenas um.

“Lá fala grostoli (dialeto local para comida também chamada de cueca-virada), fala o “R”, essas coisas simples que o cara acaba lembrando da cidade dele também. Essa cultura do Sul “- explica o volante.

HUMILDADE
Mesmo sendo volante, Andrei Girotto tem uma boa média de gols pelo time verde e branco. Foram seis na temporada, um a menos que Túlio de Melo e Rossi, por exemplo, atacantes de origem. Ao tratar do assunto, o jogador não deixa de lado a modéstia. Aliás, para ele, não há necessidade de se destacar e se tornar ídolo da torcida.

– Não me importo muito com o lado de fora, claro que a gente gosta de ser reconhecido, mas quando estou bem dentro do time, bem com os colegas, com a diretoria, com todos, podendo ajudar eles, já me agrada. Não importa que eu não apareça, se estou ajudando é o que importa para mim.

Com times como Metropolitano, Hercílio Luz e Esportivo-RS no currículo, Girotto também passou por clubes de expressão, como América-MG e Palmeiras, onde foi campeão da Copa do Brasil, inclusive fazendo o gol da classificação nas quartas de final.

Mas como um bom chapecoense, Girotto não deixa as raízes de lado. No futebol, sabe que o sucesso de hoje não é a garantia do amanhã. Ao defender as cores do Verdão, o volante valoriza a possibilidade de jogar na elite do futebol nacional.

– Como eu comecei de time menores faz a gente dar valor a onde está hoje. Estar na Chapecoense é muito bom para mim, jogando série A. Mas tenho a cabeça tranquila por ter saído de baixo, só tenho a agradecer os clubes onde passei e agora aqui na Chapecoense só me motiva para bater os objetivos.

TRABALHADOR
O lema da terra natal de Girotto é “paz e trabalho”. Em Chapecó, o volante veio em função do trabalho, mas está longe de deixar em paz os jogadores adversários. O camisa 8 verde e branco chegou para ser o segundo homem de meio-campo, mas com a lesão de Amaral, ainda no início do ano, assumiu a responsabilidade de principal marcador do time.

– Comecei como segundo volante e tive um crescimento depois que vim para primeiro e pude encaixar melhor. Os volantes saberem jogar de segundo volante e de primeiro. Tem que ter a qualidade do passe, saber chegar na frente, porque hoje só fazer uma função é meio complicado no futebol. Sabendo fazer essa saída e essa marcação, hoje temos laterais ofensivos e meias ofensivo, sobra para mim ficar mais na marcação.

Com muitos compromissos Andrei Girotto segue defendendo a Chape em 2017. Já são 42 jogos na temporada, atrás apenas de Wellington Paulista e Reinaldo em número de partidas disputadas. Nem por isso o volante demonstra menos dedicação em campo. Azar dos adversários, que terão pela frente um verdadeiro operário, que com dedicação e trabalho, carrega em si o espírito chapecoense.

G1/Fronteira Online