X

Notícias

Inter volta ao G-4 e dá sobrevida a Guto na Série B com superação e sal grosso

Esportes, Nacional
-
26/07/2017 10:09

Treinador vê elenco dar resposta após ultimato, com vitória por 2 a 0 sobre o Oeste, nesta terça-feira, em uma noite com abraço da torcida e até respaldo "espiritual"

Vestiário do Inter celebra vitória por "alívio" com Guto (Foto: Divulgação/Internacional)
Legenda da foto

O sistema de som do Beira-Rio anuncia o nome de Guto Ferreira, e os mais de 20 mil colorados presentes fazem ressoar uma vaia. Os apupos servem para reverberar a pressão que paira sobre o cargo do treinador, a ponto de fazê-lo vivenciar um ultimato por uma vitória para ter sequência no comando do Inter. Era vencer ou vencer. E o comandante ganhou uma sobrevida com o triunfo por 2 a 0 sobre o Oeste, na noite de terça-feira, em uma noite símbolo de todo o sofrimento vivenciado pelos colorados nos 17 capítulos da saga na Série B até aqui. Sofrimento mesmo: foi preciso uma boa dose de luta e de sintonia entre time e arquibancadas, com direito a sal grosso para espantar a “urucubaca”.

O resultado faz o Colorado retornar ao G-4 – ao menos até o complemento da rodada, no sábado –e ocupar um posto entre os quatro primeiros colocados pela primeira vez no mês de julho, com seus 27 pontos somados. Mas o enredo da partida, com limites que transcendem e antecipam os 90 minutos, garante ainda mais contornos de uma redenção ao elenco e ao técnico em particular, para a sequência da competição. Com uma ressalva: a pressão sobre o comandante até reduz, mas não se dissipa para o duelo com o Goiás, no Beira-Rio.

Olha… Falar sobre hipótese, é complicado. Guto é nosso treinador. Tivemos um desempenho ruim. Muita gente achou que ele não seguiria, mas continuou. Temos convicção no trabalho dele, mas precisamos de uma sequência de vitórias (Roberto Melo, vice de futebol).

Na terça-feira, a luta colorada iniciou bem antes de a bola rolar, ali mesmo, no gramado do Beira-Rio. Ou melhor, à beira do campo, com punhados de sal grosso arremessados para garantir proteção espiritual contra qualquer “fantasma” que pairasse sobre o clube e até para atrair a energia positiva de todos os orixás possíveis. Dentro do vestiário e depois nos camarotes, as presenças dos recém-contratados Camilo e Leandro Damião assegurou um sopro extra de confiança ao grupo. Deu resultado, seja para um “respiro” de Guto ou para a recuperação de atletas contestados, como os autores dos gols.

Após se recuperar de cirurgia no tornozelo direito, Eduardo Sasha era alvo recorrente de críticas. Não só abriu o placar, no final da primeira etapa, como assumiu a artilharia do novo Beira-Rio, com 21 gols. Uendel, por sua vez, selou o marcador com seu primeiro tento com a camisa colorada, já no segundo tempo, em um lance de superação pura. Extravasou na comemoração

– Se soubesse, ia pegar esse sal grosso antes do jogo, mas deu certo. Fazia tempo que eu não marcava um gol, mais de um ano. A comemoração foi para tirar a urucubaca, para sair um pouco essa fase. Estávamos fazendo bons jogos em casa, mas não estávamos conseguindo concluir em gol e os jogos ficavam complicados, um pouco difícil – afirma o lateral-esquerdo.

Os dois gols fizeram a torcida explodir em um grito visceral, com um misto de alívio e festa, que serviu como ápice de uma noite em que, de fato, abraçou o time. E mesmo com o ambiente bélico criado com tapumes para restringir a circulação no pátio do Beira-Rio, como precaução a um eventual protesto em caso de tropeço. Os torcedores até deram uma amostra de que a terça-feira seria de pressão ao vaiar alguns jogadores. Mas o apito final dissipou qualquer sinal de receio. Os colorados reagiram com apoio incondicional e os cânticos costumeiros de incentivo, com direito até a aplausos em erros pontuais, como numa reposição de Danilo Fernandes.

– A torcida foi fantástica. Por 90 minutos, incentivou e empurrou a equipe. É tudo uma troca. O time entrou bem e puxou o torcedor. Esta parceria vocês sabem aqui dentro o que conquistou. A situação eu lido sempre. Não é ela quem me atrapalha. Dentro, sempre tive o apoio. Sempre busquei o desempenho que trouxesse resultado. Hoje saio feliz por isso. Houve desempenho e bom resultado – garante o técnico Guto Ferreira.

Após a partida, o sentimento entre integrantes da comissão técnica, dirigentes e jogadores era de alívio estampado no semblante de cada um deles. Não à toa. A avaliação interna é de que o grupo deu a resposta esperada ao ultimato conferido pela direção a Guto Ferreira após a derrota por 2 a 1 para o Vila Nova, com uma atuação convincente, sem sustos diante do torcedor. O treinador segue sob pressão, mas ganha respaldo para buscar um triunfo diante do Goiás e, assim, se consolidar de vez na Série B.

– Refém do resultado não, mas o Inter sempre tem obrigação de buscar os três pontos. Estamos devendo uma regularidade. No ano, temos bons jogos, mas, muitas vezes, não mantemos. É isso o que procuramos. Que a vitória no Beira-Rio, com bom rendimento, controle do jogo, traga tranquilidade para o trabalho da semana, ao torcedor, a todos no clube. Entramos sempre com a responsabilidade. É um ano difícil. Temos a obrigação de subir. Precisamos da sequência. Teremos um jogo difícil com o Goiás do Argel. Precisamos uma sequência de vitórias para nos consolidar no topo da tabela – ressalta o vice de futebol Roberto Melo.

Após o triunfo, o Inter assume a quarta colocação, com 27 pontos e permanece no G-4 ao menos até o sábado, quando Vila Nova e CRB entram em campo fora de casa, contra Figueirense e Goiás, respectivamente – ambos podem retomar seus postos em caso de vitória. O Colorado só volta a campo na próxima terça-feira, às 21h30, diante do Goiás, no Beira-Rio, pela 19ª rodada da Série B. De folga nesta quarta, o elenco retoma os trabalhos na quinta-feira.

Globo Esporte/ Fronteira Online