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Laudo confirma morte por inanição de cães dentro de casa em Santa Maria

Notícias, Policial
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29/10/2016 10:25

Laudo também atesta que houve casos de canibalismo entre os cachorros. Inquilina de imóvel é investigada pela polícia por maus tratos e estelionato

Legenda da foto

O laudo do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) entregue à polícia confirma que os 25 cães encontrados mortos dentro de uma casa na cidade morreram de fome, por inanição.

Na residência, foram encontradas marcas de mordidas nas maçanetas, o que demonstra que os animais tentaram sair. O laudo também atesta que houve casos de canibalismo entre os cachorros.

whatsapp-image-2016-10-26-at-06-48-04O caso foi descoberto no mês de setembro, quando o proprietário entrou no imóvel após conseguir na Justiça uma ordem de despejo da inquilina. A mulher é investigada por maus-tratos e estelionato, já que arrecadava valores que seriam utilizados para cuidar dos animais. A pena para o primeiro crime varia de três meses a um ano de prisão, além de multa, e de um a quatro anos para o segundo crime.

“Ela pedia doações para manter os cães, mas provavelmente utilizava o dinheiro para sustento próprio. Foi encontrado na casa um cachorro aleijado, que os veterinários recomendavam eutanásia, mas que era usado por ela como uma mina de ouro para conseguir mais doações após postar fotos dele no Facebook”, relatou o delegado André Diefenback, que investiga o caso.

O delegado pediu a quebra de sigilo bancário da mulher. Ela será ouvida ao final do inquérito.

Os animais foram encontrados em estágio avançado de decomposição em meio a muito lixo. Alguns deles estavam dentro de sacos de ração.

A residência fica em uma das avenidas mais movimentadas da cidade e foi alugada por uma mulher por R$ 1.350 por mês. Mas, segundo o dono, o valor nunca foi pago, e a água estava cortada desde janeiro.

Relembre o caso

Dezenas de cães foram encontrados mortos dentro de uma casa em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul. O crime foi descoberto quando o proprietário entrou no imóvel, após conseguir na Justiça uma ordem de despejo da inquilina. Integrantes de grupos de proteção de animais foram até o local e contaram mais de 20 animais sem vida.

Os animais foram encontrados em estágio avançado de decomposição em meio a muito lixo. Alguns deles estavam dentro de sacos de ração. A residência fica em uma das avenidas mais movimentadas da cidade e foi alugada por uma mulher por R$ 1.350 por mês. Mas segundo o dono, o valor nunca foi pago, e a água estava cortada desde janeiro.

Segundo o advogado do proprietário da casa, Adriano Cesar dos Santos, a mulher pretendia morar no andar superior e abrir um pet shop no térreo, mas a loja nunca foi inaugurada. “Ela recolhia os animais para cuidá-los, pois se dizia dona de uma ONG que capta recursos para cuidar dos animais, que recebe doações para cuidar esses animais”, conta.

“É muita maldade”, avalia a empresária Beatriz Inês Vendruscolo. A veterinária Letícia Adamy acredita que os animais morreram de fome. “Se ela não matou de algum outro jeito, morreram de fome, trancados.”

A Patrulha Ambiental da Brigada Militar esteve no local, registrou a ocorrência e o caso vai ser investigado pela Polícia Civil.

Um dos advogados da inquilina, Luiz Gustavo Negrini, garante que ela não tem nenhuma relação com os animais mortos. “Os animais que estavam sob a guarda dela foram transferidos há cerca de 20 a 30 dias.” O advogado considera “estranho” nenhum vizinho ter reclamado do cheiro forte dos animais em decomposição. Negrini orientou sua cliente procurar a polícia, o que deve ser feito na quinta-feira 15.

Ainda segundo o defensor, sua cliente fez um acordo judicial há três meses para a desocupação do imóvel. Com isso, a mudança deveria ocorrer há mais de 20 dias, o que não aconteceu. “Em partes [a mudança] foi finalizada, o imóvel estava parado.” Alguns objetos ficaram para trás e ela iria retirar depois, acrescenta.

O advogado reforça que a mulher retirou todos os animais do local na última vez em que foi até o endereço, há mais de 20 dias. “É estranho fato de aparecerem [os animais], a situação ter acontecido, na eminência de entregar o imóvel.

G1/ Fronteira Online