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Lucro da Ambev cai 95% com adesão ao Refis; receita cresce com alta de preços de cerveja

Economia, Notícias
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26/10/2017 14:14

Cervejaria pagará R$ 3,5 bilhões para regularizar dívida tributária; vendas de cerveja caíram no Brasil, mas companhia faturou mais com antecipação de reajuste de preços

Cervejaria da Ambev (Foto: Divulgação)
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A Ambev, maior fabricante de cerveja e refrigerantes da América Latina, teve uma queda de 95% no seu lucro líquido no terceiro trimestre, pressionado por uma despesa extra com pagamento de impostos. A companhia aderiu ao Refis, o programa de regularização de dívidas tributárias, e pagará R$ 3,5 bilhões para quitar dívidas tributárias.

O valor será parcelado em 145 vezes, mas impactou o resultado do terceiro trimestre. Neste período, a empresa lançou o valor de R$ 2,974 bilhões de despesas adicionais.

Sem esse fator “extraordinário”, a Ambev teria lucrado R$ 3,236 bilhões no 3º trimestre de 2017, resultado 1,2% maior que o registrado no mesmo período de 2016 (R$ 3,198 bilhões). A informação é divulgada pela empresa como lucro líquido ajustado, que exclui eventos extraordinários do resultado do trimestre.

Receita líquida

A receita líquida da empresa teve crescimento de 9,6% em relação ao 3º trimestre de 2016 e ficou em R$ 11,362 bilhões. Segundo a empresa, esse resultado foi impulsionado pelo forte desempenho nas operações no Brasil (+9,7%), América Latina Sul (+21,3%) e América Central e Caribe (+7,5%).

No balanço, a empresa destacou que o “pior ficou para trás” e que “o Brasil, nosso maior mercado, está de volta à sua trajetória”.

As operações da companhia no Brasil registraram um aumento no Ebitda (indicar que mede a geração de caixa) de 17,4% no terceiro trimestre, para R$ 2,4 bilhões. Considerando apenas o segmento de cerveja no Brasil, o crescimento do Ebitda foi de 25,7%. O volume total de bebidas comercializado pela Ambev recuou 4%, para 24,7 milhões de hectolitros. A receita total no país subiu 9,7%, para R$ 6 bilhões.

Cerveja mais cara

A venda de cervejas caiu no Brasil no período, mas a receita no segmento subiu. A queda no volume foi de 5,4% (de 19,5 milhões de hectolitros para 18,5 milhões de hectolitros). No entanto, o aumento da receita no segmento foi de 9,6% (de R$ 4,7 bilhões para R$ 5,2 bilhões).

A Ambev atribui a queda no volume pelo fraco resultado da indústria e pelo fato de os consumidores continuarem a ser pressionados pelo ambiente macroeconômico.

A companhia ganhou 15,8% mais por cada litro de cerveja vendido. Segundo a companhia, foram realizados ajustes de preços no 3º trimestre, diferente do ano anterior, quando foram feitos no 4º trimestre.

“Neste ano, fizemos o reajuste dos nossos preços no terceiro trimestre e não no quarto como no ano passado, o que torna a base de comparação mais difícil neste trimestre”, explica Ricardo Rittes, vice-presidente financeiro e de relações com investidores da Ambev.

A expansão do preço médio por litro também é impulsionada pelo crescimento da venda de cervejas premium.

“A ‘premiunização” é uma tendência que deve continuar promovendo a categoria de cerveja”, disse a companhia. Segundo a Ambev, a venda das marcas Budweiser, Stella Artois e Corona cresceu “dois dígitos” no trimestre.

Otimismo

Apesar do recuo nos volumes vendidos entre julho e setembro, a Ambev ressaltou que no acumulado do ano o volume de vendas de cerveja continua acima da média da indústria.

“Para o resto do ano, seguimos cautelosamente otimistas com o mercado brasileiro de cerveja e já conseguimos ver sinais de melhora no cenário macroeconômico, em função do aumento da renda disponível dos consumidores e da redução do desemprego”, afirma Rittes.

G1