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Marcelo Piloto é levado para a Penitenciária Federal de Catanduvas

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20/11/2018 13:34

O narcotraficante brasileiro foi entregue às autoridades brasileiras nesta segunda (19) após ser expulso do Paraguai; segundo o MP, ele matou uma jovem dentro da cela, no sábado (17), para evitar extradição

— Foto: Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai/Divulgação
Legenda da foto

O narcotraficante Marcelo Fernando Pinheiro da Veiga, conhecido como Marcelo Piloto, foi transferido para a Penitenciária Federal de Catanduvas, no oeste do Paraná, onde chegou por volta das 16h30 desta segunda-feira (19).

A decisão foi do juiz Rafael Estrela Nóbrega, da Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro, e atendeu a pedido do secretário estadual de Segurança do RJ, general Richard Nunes. A autorização, em caráter liminar, fixa prazo inicial de 60 dias para a permanência de Piloto no Paraná.

Ele aguardava a transferência na delegacia da Polícia Federal em Foz do Iguaçu, também no oeste, para onde foi levado depois de entregue às autoridades brasileiras na manhã desta segunda-feira, quando foi expulso do país vizinho.

Piloto foi levado da delegacia para o Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu em um helicóptero do Polícia Civil do Paraná, que dá apoio à operação, pouco antes das 14h30. Lá, embarcou em um avião rumo ao aeroporto de Cascavel, cidade vizinha a Catanduvas, onde chegou por volta das 15h30, e foi levado de carro para o presídio.

Na Penitenciária de Catanduvas, que fica a 200 km de Foz do Iguaçu, deverá cumprir a pena de mais de 26 anos de prisão a que foi condenado por latrocínio e por roubo.

Na liminar que determinou a transferência, o juiz destacou que “a excepcionalidade da medida para que o apenado não ingresse no sistema prisional estadual, se justifica em razão de todo o histórico recente ocorrido no curso de sua custódia no Paraguai, bem como a logística empregada pelos meios de segurança, que apontam para o menor custo e maior eficácia na sua inclusão direta no Presídio Federal de Catanduvas, indicado pelo Departamento Penitenciário Nacional, considerando a proximidade com a Cidade de Foz do Iguaçu, local de seu ingresso no País.”

Morte na cela
No sábado (17), Piloto matou uma jovem dentro de sua cela no Agrupamento Especializado em Assunção para, apontam promotores paraguaios, tentar evitar a extradição ao Brasil.

O assassinato da jovem de 18 anos foi “uma atitude extrema de Piloto para impedir sua extradição”, disse o promotor Hugo Volpe. A Justiça do Paraguai autorizou a extradição de Piloto no dia 30 de setembro, após serem frustradas duas tentativas de resgate do traficante.

A jovem morta por Marcelo Piloto entrou na prisão em que ele estava, no Paraguai, fora do protocolo, declarou o Ministério Público paraguaio. Lidia Meza Burgos ficou 40 minutos na cela e morreu após levar 16 facadas do traficante.

A vítima, ainda conforme o MP, era prostituta e o visitava pela segunda vez. “Ela ingressou no presídio sem ser dia e hora de visita”, disse Volpe ao G1.

Extradição
De acordo com a decisão de setembro, que determinou a extradição de Marcelo Piloto, ele só poderia ser entregue às autoridades brasileiras depois da conclusão de dois processos abertos no país vizinho: um por homicídio e outro por produção de documentos falsos e violação da Lei de Armas – este julgado na sexta-feira (16).

Segundo Volpe, a apelação de Piloto para que não fosse extraditado deveria ser julgada ainda este mês e a permanência dele no Paraguai poderia ser determinada caso comprovada a culpa dele na morte da jovem.

No Brasil, além da condenação por latrocício e roubo, ele responde por outros crimes como homicídio, tráfico e associação para o tráfico.

Marcelo Piloto
Marcelo Fernando Pinheiro Veiga, o Marcelo Piloto, é apontado pelas polícias dos dois países como o maior fornecedor de armas e drogas para o Brasil desde a prisão de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.

Piloto foi preso em dezembro de 2017 em Encarnación, no Paraguai.

Foragido desde 2007, ele vivia no país vizinho desde 2012. Para não ser identificado, usava uma identidade falsa e mudava de endereço a cada seis meses. Aos vizinhos, se apresentava como vendedor de eletrônicos.

G1