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Menina que motivou fila para doação de medula aguarda remédio importado para fazer transplante

Geral, Notícias
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08/01/2018 11:19

Júlia Abrame de Oliveira, de 6 anos, foi diagnosticada com leucemia há quatro anos. Campanha mobilizou centenas de pessoas para doação de medula óssea em Tatuí 

Júlia Abrame precisa fazer transplante de medula óssea (Foto: Arquivo Pessoal/Adriana Abrame)
Legenda da foto

A moradora de Tatuí (SP) Júlia Abrame de Oliveira, que motivou uma fila gigante em outubro do ano passado para doação de medula óssea, ainda aguarda a chegada do medicamento Tioetepa, importado da Alemanha, para fazer o transplante com o pai, que é 50% compatível.

Júlia foi diagnosticada com leucemia há quatro anos e os pais lançaram uma campanha nas redes sociais em busca de um doador de medula óssea, já que nem a irmã mais nova é 100% compatível.

Como não encontraram um doador compatível e o organismo da menina não suporta mais quimioterapia, os médicos sugeriram que Júlia fosse submetida ao transplante de medula haploidêntico, que é feito com alguém 50% compatível. No caso, o doador será o pai.

Segundo a mãe da garota, Adriana Abrame, o medicamento é usado no lugar da radioterapia, sendo menos agressivo.

“Para fazer o transplante, é necessário fazer quimioterapia e radioterapia. Como o organismo da Júlia não aguenta mais, os médicos explicaram que o medicamento será menos agressivo. Ele é importando e já fizemos a procuração com o pedido, que foi aceito. Agora, demora cerca de 30 dias para chegar”, diz.

Adriana conta que todos estão ansiosos para que o medicamento seja entregue o quanto antes e possibilite o transplante.

“Estamos ansiosos, mas tentando não pensar muito nisso para ficarmos ainda mais na expectativa. Estamos vivendo o presente e o momento. Sabemos que tudo dará certo”, diz.

Segundo a oncologista Luíza Milare, que acompanha o tratamento da garota no Hospital do Grupo de Pesquisa e Assistência ao Câncer Infantil (Gpaci) em Sorocaba (SP), o transplante haploidêntico tem sido uma solução apontada pelos especialistas, já que a chance de encontrar um doador 100% compatível é uma a casa 100 mil.

“O haploidêntico é uma solução apontada pela medicina para os casos que não são curados com quimioterapias e pessoas que não encontram o doador 100% compatível. Para fazer é necessário que a Júlia zere sua medula com quimioterapia e depois faça o procedimento. A pessoa que doará também é submetida a uma série de exames”, explica.

Ainda de acordo com Adriana, há chances de rejeição do corpo da filha com a nova medula, mas a esperança de cura continua.

Mais de 1,6 mil pessoas formaram uma fila para se cadastrar como doador de medula óssea para ajudar a Júlia no dia 28 de outubro. O mutirão foi organizado no Centro Médico de Especialidades Médicas (Cemem) por uma amiga da mãe da menina, que é enfermeira e se sensibilizou pela história.

“Fiquei emocionada com tanto amor e carinho das pessoas que se mobilizaram para ajudar uma criança, muitos nem a conhecem, mas deixaram de lado seus afazeres e enfrentaram uma fila para se cadastrar. Além dessas pessoas, recebi mensagem de outros estados e até da Argentina e Dubai, dizendo que fizeram o cadastro para ajudar a Júlia. Eu só tenho que agradecer”, conta emocionada.

Adriana conta que, além das pessoas que se cadastraram, cerca de 400 pessoas foram dispensadas, pois havia acabado os kits para coleta de sangue.

“A campanha estava prevista para acabar às 17h, mas soubemos que antes desse horário já havia acabado os kits e então tiveram que dispensar as pessoas que estavam na fila. Por conta disso, uma nova campanha será organizada, mas ainda não temos uma data marcada”, explica.

Com o cadastro realizado, o sangue coletado vai para um laboratório que fará os procedimentos necessários para inserir os voluntários no cadastro nacional de doadores.

Eloisa Maria Soares, de 47 anos, ficou sabendo da campanha pelas redes sociais e, comovida com a história da criança, decidiu se cadastrar.

“A cidade inteira está comovida, foram espalhados cartazes por toda cidade. Eu fiquei sabendo do mutirão pelas redes sociais e decidi fazer o cadastro”, conta.

Júlia foi diagnosticada com leucemia quando tinha apenas 2 anos, desde então começou a fazer o tratamento, e os pais foram informados de que ela precisa do transplante de medula óssea para continuar com as sessões de quimioterapia e radioterapia.

“Ao longo dos anos, com a quimioterapia e radioterapia, a medula da Júlia passou a não aguentar mais, tanto que ela não tem conseguido mais recuperar o funcionamento da medula no pós-quimioterapia. Quando ela recomeçou a fazer o tratamento ficou internada com a medula totalmente zerada nas funções. Nos informaram, então, sobre a necessidade do transplante e soubemos que a irmã mais nova, que tinha grandes chances de ser a doadora, não era totalmente compatível. Foi aí que começamos a incentivar o cadastro de doador de medula para achar alguém”, conta a mãe da menina.

Segundo a oncologista Luíza Milare, a chance de encontrar um doador fora da família é de 1 em 100 mil. Por isso, a importância de incentivar o cadastro de doadores de medula.

“Sempre quando apontamos o transplante, procuramos saber a compatibilidade nos irmãos. Há 25% de chance do irmão ser 100% compatível, 50% de chance de ser metade e 25% de não ser. No caso da Júlia, a irmã dela, de 4 anos, é metade compatível. Já a chance fora da família é uma em 100 mil. Ela precisa do transplante para continuar com o tratamento, já que não responde mais com as sessões de quimio”, explica a oncologista.

Para Adriana, o maior sonho de todos da família é a menina seja curada. “Ela é muito forte e apesar de tão nova e inocente, ela tem muita fé. Em todos esses dias difíceis que temos vivido, sempre ela tira uma de dentro dela que me fortalece. Ela diz: ‘mãe, eu vou vencer porque eu tenho Jesus e Ele é o médico dos médicos’. Fala sempre isso”, ressalta Adriana.

G1