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‘Não acreditei que a gente estava ali vivo’, diz sobrevivente de acidente com 5 mortos em Belo Horizonte

Geral, Notícias
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14/02/2018 14:01

Giane da Silva Coelho, 27 anos, teve alta nesta quarta-feira 14, após ônibus cair em córrego. Ela contou que, segundos antes da queda, motorista disse que veículo estava sem freio

G1 - Globo.com
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A passageira Giane da Silva Coelho, 27 anos, teve alta na manhã desta quarta-feira 14, após ficar ferida na queda do ônibus da linha 305 em um córrego na Região do Barreiro. Ela contou que foram segundos de desespero após o motorista avisar que o veículo havia perdido o freio em uma descida. Cinco pessoas morreram e 16 ficaram feridas no acidente, no bairro Mangueiras.

“Na hora que abri os olhos, eu não acreditei que a gente estava ali vivo, eu não consegui ver ninguém apenas as pessoas chamando ‘você dá conta de andar, vem’ e ajudando a gente”, disse a jovem.

Ela foi atendida no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII com escoriações na cabeça e na perna. A passageira foi socorrida por um casal de carro. “Graças a Deus nada, só escoriações, machucados”, disse.

Giane contou que entrou no coletivo na Avenida Serrinha, pagou passagem para o motorista, que perguntou se estava “certinho” e abriu um sorriso. Ela disse que gosta de se sentar na frente, mas acabou passando a roleta e ficando em uma cadeira alta.

Outros passageiros embarcaram mais adiante e, numa descida, ocorreu o acidente. Segundo ela, usuários tentaram abrir as janelas e alguns acabaram ficando em pé no momento de pânico.

“Ele [ônibus] começou a descer o morro. Moça tinha dado sinal e o ônibus não parou. Nisso, o ônibus começou a ir muito forte, mais rápida a aceleração. Neste momento eu não acreditei que estava caindo. Tentei abrir as janelas, ninguém conseguiu. Quando chegou em frente ao córrego, o motorista virou para trás e falou ‘não tem freio, não tem freio’. E aí todo mundo entrou em desespero”, relembrou.

Entre o aviso desesperado do motorista e a queda foram alguns segundos, de acordo com Giane. “Acredito que em torno de 10 segundos”, contou.

“Quando eu vi que faltava bem pouco, eu sentei, fechei meus olhos, orei a Deus, clamei mesmo (suspira). E na hora que eu abrir os olhos, o ônibus estava por cima do córrego e as pessoas esmurrando a porta tentando abrir. Eu só lembro que o motorista estava de costa, sem reação nenhuma”, disse.

No momento do acidente, Giane estava indo para a Praça Raul Soares, no centro, onde participaria do carnaval.

Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informou que está prestando toda assistência às vítimas do acidente. A última vistoria feita no veículo foi no dia 27 de outubro do ano passado. A próxima inspeção estava marcada para o dia 18 de maio.

O Sindicato dos Rodoviários de BH e Região (STTRBH) também se pronunciou por meio de nota e disse que manifesta condolências e solidariedade às famílias que perderam seus entes no acidente, em especial, à família do motorista, que perdeu a vida exercendo a profissão. O sindicato informou que se coloca à disposição dos familiares do condutor, acompanha de perto todas as investigações relacionadas ao ocorrido e cobrará das autoridades os esclarecimentos dos fatos.

Uma funcionária da TransOeste disse nesta quarta-feira (14) que, no momento, a empresa não vai se pronunciar, mas que está prestando apoio aos parentes das vítimas.

G1