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O futuro cheio de esperanças da Chapecoense que cativa uma nova geração de torcedores

Esportes, Nacional
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26/10/2016 11:28

Do time amador que Altair Zanella ajudou a fundar à equipe internacional que Carlos Miguel torce, a trajetória da Chape une gerações que querem ver o time chegar ainda mais longe, a começar pela semi da Sul-Americana

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Setenta anos de idade separam dois personagens da Chapecoense que estarão na Arena Condá na noite desta quarta-feira, a partir das 21h45min, no jogo diante do Junior Barranquilla. E os dois querem ser testemunhas oculares da história. Se passar pela equipe colombiana, o Verdão avança à semifinal da Copa Sul-Americana. Ou seja, o time do Oeste, que nasceu como amador, está a 90 minutos de se tornar um dos grandes do continente.

Altair Zanella, de 75 anos, participou da fundação da Associação Chapecoense de Futebol, no dia 10 de maio de 1973. Carlos Miguel Garcia, de cinco anos, é o “indiozinho que virou mascote” do clube. Muita diferença, mas um sentimento em comum: o amor pela Chape.

O Diário Catarinense promoveu o encontro entre essas gerações no gramado da Arena Condá. Zanella, gaúcho de Erechim, descendente de italianos, representa os “desbravadores” que chegaram ao Oeste. Esse espírito também está presente no time da Chapecoense que cresceu no cenário estadual, depois no nacional e agora está desbravando a América do Sul. No ano passado foi ao Paraguai, enfrentar o Libertad, e na Argentina, encarar o River Plate. Neste ano também foi para a Argentina, medir forças com o Rei de Copas, o Independiente, e não desapontou.

Foto: Sirli Freitas / Agencia RBS

– No início, a intenção era formar um time para disputar o campeonato amador, contra Xanxerê, Xaxim, Seara, São Domingos e São Miguel do Oeste – lembra Zanella.

Ele estava numa barbearia da avenida Getúlio Vargas, junto com Vicente Delai, já falecido, quando chegou Lotário Immich, também falecido, com um escudo verde e branco propondo a criação da Associação Chapecoense de Futebol. Eles foram até a loja de Alvadir Pelisser e o quarteto fundou o clube.

Ninguém esperava, no entanto, que o time fosse tão longe. No ano passado, Zanella teve a oportunidade de participar da excursão que viajou um dia de Chapecó até Buenos Aires para ver o time que fundou jogar contra o River Plate, que era o campeão da América. Ele só tem mais um sonho.

– Espero que Deus me dê vida para ver a Chapecoense numa Libertadores da América – declarou.

Geração que torce só pela Chape

O fundador se vê realizado ao saber que novas gerações, como a do indiozinho Carlos Miguel Garcia, nasceram apaixonadas pela Chapecoense. Carlos Miguel é de uma época que quem nasce na cidade só torce pelo Verdão. Já no ventre da mãe, Maria Antônia Moreira, ele acompanhava os jogos na arquibancada da Arena Condá. O pai, Alessandro Garcia, um dos fundadores da torcida Raça Verde, lembra que na final do Catarinense de 2011, no 1 a 0 contra o Criciúma, a esposa estava com sete meses.

No primeiro ano da Série A, em 2014, Alessandro deu para o filho um cocar que tinha comprado de índios equatorianos em 2009. A fantasia de Carlos Miguel fez tanto sucesso que ele passou a ir a todos os jogos e fazer dupla com o mascote oficial do clube.

Foto: Sirli Freitas / Agencia RBS

Carlinhos já se sente à vontade na Arena Condá e fica ansioso para chegar logo em dias de jogos. Ele exagera num placar mostrando sete dedos, sonhando com classificação e goleada para o Verdão. Perguntado sobre qual país gostaria de conhecer com a Chapecoense, sai com uma resposta diferente: “País de Gales”.

Se o sonho do fundador Altair Zanella é ver uma Libertadores, Carlos Miguel talvez um dia veja o Verdão jogar uma competição no continente europeu. Afinal, essa união de gerações, povos, raças e etnias formaram um time que já chegou longe.

É com essa força de Altair Zanella, Carlos Miguel Garcia e outros milhares de torcedores, que a Chapecoense conta para derrotar o Junior Barranquilla por dois gols de diferença e avançar para a semifinal da Copa Sul-Americana. Daí, a Libertadores estará a poucos passos.

DC/ Fronteira Online