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Palmeiras se assume como o líder contra a vingança da Globo

Esportes, Notícias
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13/03/2018 14:08

Postura firme de Galiotte surpreende executivos globais. O presidente não aceita redução de 20% por ter assinado com Esporte Interativo. Santos aceitou

Divulgação/Palmeiras
Legenda da foto

O Palmeiras vai se firmando com o grande líder contra a Globo neste país. O presidente Mauricio Galiotte resolveu enfrentar a vingança da emissora carioca. Não aceitou a punição de redução de 20% para transmissão dos seus jogos pela tevê aberta, nos Brasileiros de 2019 a 2014. A medida é uma revanche assumida para os clubes que fecharam com o Esporte Interativo a transmissão do torneio nacional pelo canal a cabo e não pelo Sportv, emissora do grupo Globosat.

Galiotte já havia ficado profundamente decepcionado com a postura do Santos. O presidente José Carlos Peres, dirigente maior do clube bicampeão mundial, onde nasceu Pelé, decidiu ceder. E resolveu aceitar a punição. E ganhar menos para ter suas partidas mostradas na Globo.

Peres quebrou um acordo entre os cinco clubes da Série A que trocaram o Sportv pelo Esporte Interativo: Palmeiras, Santos, Internacional, Bahia e Atlético Paranaense. O presidente do Conselho Deliberativo e verdadeiro comandante do Atlético Paranaense, Mario Celso Petraglia, já havia antecipado que a Globo deveria se vingar pela assinatura dos clubes com o EE. Não ficaria calada diante da quebra do monopólio do futebol, que vem desde os tempos da Ditadura Militar.

Petraglia promoveu um pacto com as diretorias palmeirense, santista, colorada e baiana. E que unidos exigiriam receber, ao menos, o mesmo que ganham atualmente. Só que houve eleição no Santos. E José Carlos Peres venceu Modesto Roma. E diante das dificuldades financeiras do clube, decidiu romper o pacto. Enfrentou até conselheiros e membros das organizadas, que não perdoavam o esquecimento constante das transmissões por parte da Globo. Santos sempre é o clube grande menos mostrado nos últimos 30 anos para os paulistas. Teve uma leve mudança nos tempos de Neymar e só.

Galiotte não se conformou com a postura de Peres. Mas depois os dois acabaram se entenderam. O dirigente santista deixou claro que não tem a sustensão econômica da Crefisa, da arena moderna em pleno coração de São Paulo. As pazes foram feitas. Mas a postura em relação à emissora carioca, não.

A Globo segue querendo fechar com Internacional, Bahia, Atlético Paranaense e Palmeiras. A proposta em cima da mesa é redução de 20% do que pagava e 5,25% no pay-per-view.

É algo escancarado.

A nota oficial da emissora mostra, sem enfeites, que age sem medo. Como dona do monopólio do futebol na tevê aberta. Sabe que ou os clubes aceitam, ou ficarão sem partidas transmitidas. O que sacrificaria milhões de torcedores. Além, é lógico, do prejuízo aos patrocinadores que bancam as equipes. As marcas querem ser expostas a dezenas de milhões de pessoas que assistem às grandes partidas.

“A área de Direitos da TV Globo e Globosat esclarece que vem negociando a aquisição de direitos do Brasileirão, em TV aberta e PPV, com alguns clubes que já licenciaram os direitos de TV fechada com terceiros. O modelo redutor se aplica quando e se o clube, em função de compromisso preexistente com terceiro neste segmento, tiver reduzidos os direitos de TV aberta e/ou PPV que poderá ceder ao Grupo Globo. Se um clube for capaz de garantir os direitos com todas as características de exclusividade e qualidade, os redutores não se aplicarão, ainda que ele tenha celebrado contrato com terceiros.”

Assim, sem meias palavras.

Além do Santos, Ponte Preta, Paraná e Ceará haviam assinado com o Esporte Interativo. E fecharam com a Globo na aberta, com redução de valores. O EE fechou com 17 times.

Palmeiras, Internacional, Bahia e Atlético Paranaense sofrem pressões internas. Eles precisam dos milhões que a Globo tem a oferecer. Galiotte segue firme com o plano de resistir até o fim. Se preciso até descobrir uma maneira de transmitir por algum canal aberto, os jogos entre os quatro. Essa ameaça existe.

O Palmeiras recebe por 2018, R$ 100 milhões. O Internacional, R$ 60 milhões. Atlético Paranaense e Bahia, R$ 35 milhões.

A partir de 2019, a Globo fará uma nova divisão do dinheiro da TV aberta: 40% da receita será repartida igualmente entre os clubes, 30% de acordo com a performance dos clubes no ano anterior e outros 30% segundo o número de jogos veiculados na TV aberta. É em cima desses números que a emissora exige o desconto de 20%.

O medo dos executivos globais é que o Palmeiras vença, por exemplo, a Libertadores este ano. No início de 2019, seria um absurdo não ter o direito de mostrar os jogos do campeão da América do Sul.

A única saída é a Globo pagar o mesmo de 2018. Sem descontos.

Mas os dirigentes palmeirenses não desejam o privilégio sozinho.

Deseja que Internacional, Bahia e Atlético Paranaense também não sejam punidos.

A batalha está ferrenha.

Executivos globais têm saído frustrados com as negociações com o Palmeiras.

O acordo pode e até deve sair.

Mas Galiotte já está se firmando como um líder revolucionário.

E com coragem para enfrentar a Globo.

Não aceita abaixar a cabeça.

Receber 20% a menos.

E ser rotulado como um traidor vencido.

“Isso, jamais”, garante o dirigente a conselheiros.

A Globo tem no Corinthians e Flamengo seus clubes prediletos.

Hoje, eles recebem R$ 170 milhões pelo Brasileiro de 2018.

Mais do que qualquer outra equipe.

E no Palmeiras, seu maior dos inimigos…

R7