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Para desvendar o Barcelona: em GIFs, veja o que o Grêmio precisa redobrar atenção

Esportes, Nacional
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24/10/2017 08:45

GloboEsporte.com analisa jogos do rival equatoriano, aponta pontos fortes e também mostra defecções. Gremistas contam minutos para primeiro jogo da semifinal

Eduardo Moura e Tomás Hammes
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A cada hora que passa, a ansiedade tricolor aumenta. O próprio Renato Portaluppi deixa claro o desejo para que o duelo de quarta-feira chegue o mais rápido possível. A torcida, então, nem se fala. O Grêmio conta os segundos para a semifinal contra o Barcelona, em Guayaquil, a primeira das duas decisões na Libertadores.

Para tentar amainar as tensões e ajudar a desvendar o adversário do Grêmio, o GloboEsporte.com reuniu gifs para mostrar detalhes táticos da equipe de Guillermo Almada. O objetivo é o de dar aos gremistas a chance de conhecer melhor o adversário desta quarta-feira, a partir das 21h45 (horário de Brasília).

– Sabemos que os times brasileiros foram eliminados pelo Barcelona. Procuramos perguntar e nos informar. Tem muitos times que acham que é fácil jogar aqui. É um time com jogadores muito rápidos, os primeiros minutos são difíceis – completou Barrios.

O GloboEsporte.com observou partidas inteiras – como so confrontos contra os brasileiros na Libertadores –, além de resumos de outras. Tudo para tentar detectar alguns padrões do adversário gremista.

Camisa 10 do time, Damián Kitu Díaz é o organizador da equipe. A maior parte das jogadas passa por ele, mesmo aquelas em velocidade. Mas, embora seu número e sua posição digam o contrário, o argentino não joga exatamente centralizado. Essa é sua posição inicial. Movediço, Diáz tem como característica recorrente cair para o lado esquerdo. Não exatamente em cima da linha, mas se aproxima de quem está por ali, Marcos Caicedo geralmente, e carrega a bola para o meio com mais liberdade e espaço para criar. É um movimento que o Grêmio precisa ter cuidado com seus volantes, especialmente Arthur, que joga mais próximo de Edílson e Ramiro.

– Damián Díaz é o principal destaque. É quem arma as jogadas. Foi campeão duas vezes pelo clube, em 2012 e 2016 – diz Francisco Rivera, da TV Ecuavisa.

O Barcelona prioriza muito o jogo pelos lados. Avança muito com seus meias abertos e com os laterais mesmo. E foi possível observar uma espécie de “armadilha” para seus rivais. A jogada avança pela direita, com troca de passes e maior número de jogadores pelo setor. No entanto, uma virada rápida encontra o lateral livre pela esquerda. Por ali, aparecem Darío Aimar ou Caicedo para servir os atacantes com cruzamentos de qualidade. E levam perigo.

– Almada é um treinador exigente. Gosta que o time marque no campo de ataque. É adepto do jogo rápido, com trocas de passes e que atuem pelos lados, façam as diagonais – explica Sergio Basantes, da Rádio Superk 800.

A maioria das bolas paradas saem dos pés de Díaz. O meia argentino tem qualidade na batida. Nos jogos vistos do Barcelona, foi possível detectar um comportamento constante: as cobranças bem fechadas, geralmente próximas da primeira trave. Barrios, geralmente responsável pelo setor, precisa ficar atento nas cobranças.

O gol de Jonathan Álvez no empate com o Santos, no Monumental, saiu exatamente assim. A bola parada, por sinal, é um dos pontos fortes do time. Álvez é geralmente quem consegue vantagem – e não estará em campo nesta quarta. Ariel Nahuelpán, ex-Inter e Coritiba, é seu substituto e tem também nesta jogada uma característica forte.

O Barcelona é um time bem físico, mas que sabe o que fazer com a bola e coloca muita velocidade em seus avanços, seja contra-atacando ou não. Sem Jonathan Álvez, porém, perde uma característica importante: as diagonais feitas pelo atacante nas costas dos zagueiros adversários. Com Ariel, claro, essa velocidade se perde. O centroavante titular também é muito utilizado no pivô, para acionar os companheiros e levar a bola para o lado quando o time passa a atacar. E está constantemente deixando a referência para ficar perto da bola e ajudar na armação ao dar superioridade de jogadores ao Barcelona no determinado setor. Ou seja, não é apenas um finalizador. Ele participa da criação de jogadas ativamente, sempre procurando o choque com os zagueiros.

– Jonathan Alves é o principal jogador pela qualidade ofensiva. É um jogador que precisa de alguns metros para correr com a bola. Tem uma boa compleição física. Atua por todos os cantos do ataque. Não fica parado. Pode jogar até por trás. Tem um bom pé direito. É potente. Ainda cabeceia bem – opina Basante.

– A falta de Jonathan Alvez é notável. É o goleador do time. O técnico precisará contar com a sorte para poder substitui-lo na semifinal. Ariel é diferente. Não se encaixa – completa Antonio Romero, do jornal El Universo.

Vera e Caicedo, Caicedo e Ayoví, Esterilla e Ayoví… Quem seja escalado pelos lados do campo, o Grêmio precisa tomar cuidado. São extremas que têm facilidade ao ir para cima no um contra um. A marcação do Grêmio geralmente deixa os laterais com os atacantes abertos, com os zagueiros na cobertura – além da marcação ao centroavante rival. Atenção redobrada para Edílson e Cortez, porque o jogo vai passar muito por ali.

– O Barcelona em um jogo vertical, ofensivo, que aproveita da velocidade de seus jogadores pelos lados – cita Rivera.

Luan costuma se movimentar muito e, como principal qualidade, encontra espaços no time rival, onde quer que eles sejam. Pois pelo observado nos últimos jogos, poderá ter essa chance para criar justamente às costas dos volantes, onde mais gosta de circular. Na derrota para o El Nacional, no dia 18, e no empate com o Independiente del Valle, uma semana antes, a equipe equatoriana deixou muito espaço para os rivais trabalharem a bola em toques curtos. Justamente a qualidade gremista.

Desde a saída de Pedro Rocha, é verdade, há a existência de uma lacuna no setor ofensivo do Grêmio. A equipe perdeu velocidade e profundidade. Para o duelo com os equatorianos, porém, pode ter espaço para reeditar os melhores momentos do atacante, hoje no Spartak Moscou, com outro nome. Se o Barcelona avança em contra-ataques rápidos, também dá essa possibilidade para os rivais em diversos momentos do jogo.

Por exemplo, no gol marcado pelo El Nacional, na semana passada, quando Díaz quase marcou um golaço de voleio. Mas a bola foi no travessão e o lance seguiu. Os rivais anotaram o seu gol com uma transição rápida a partir de um lançamento longo. A recomposição dos equatorianos não se mostrou exatamente como virtude.

A equipe de Guayaquil tem surpreendido na competição. Passou em segundo no Grupo 1, só atrás do Botafogo, à frente de Estudiantes e Nacional. Os dois não foram os únicos campeões continentais aos quais deixaram pelo caminho. O time de Almada também derrubou Palmeiras e Santos, respectivamente.

Em 10 jogos, a equipe soma cinco vitórias, dois empates e três derrotas. Artilheiro do time na competição, com cinco gols, Jonatan Álvez está suspenso. No total, anotou 11 tentos e sofreu 10.

GE