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Polícia busca mais três suspeitos pela morte de jogador Daniel: ‘Ele não tinha como reagir’, afirma delegado

Policial
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01/11/2018 16:21

Três pessoas foram presas na manhã desta quinta-feira (1º). Para polícia, Daniel foi espancado e torturado antes de ser morto. Reação dos agressores foi desproporcional, afirma delegado

— Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net
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A Polícia Civil do Paraná procura por outros três suspeitos que teriam participado da morte do ex-jogador do Coritiba Daniel. De acordo com o delegado Amadeu Trevisan, da Delegacia de São José dos Pinhais, o jogador não tinha como reagir à agressão que sofreu dentro da casa onde acontecia uma festa, na Região Metropolitana de Curitiba.

Na manhã desta quinta-feira (1º), o empresário Edson Brittes Júnior, dono da casa onde Daniel foi agredido, foi preso. Segundo a defesa dele, Daniel teria tentado estuprar a mulher do empresário e por isso Edison Brittes se descontrolou, agredindo o atleta.

A esposa, Cristina Brittes, e a filha de Edison, Alana Brittes, também foram presas. A polícia investiga qual a participação das duas no crime.

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“Nós estamos identificando quem são as pessoas que estavam na casa junto do principal suspeito. Sabemos que três pessoas entraram com ele e o jogador dentro do carro para matar Daniel”, afirma o delegado.

Segundo o delegado, Daniel foi espancado e torturado antes de ser colocado dentro de um carro que levou o jogador desacordado até o local do crime, onde o corpo do jogador foi encontrado na manhã de sábado (27).

A defesa de Edison Brittes sustenta que, apesar de estar acompanhado de amigos, Edison cometeu o crime sozinho.

Segundo o delegado, o suspeito se descontrolou quando viu Daniel deitado na mesma cama que Cristina, no quarto do casal, e espancou o jogador.

De acordo com a polícia, não se sabe ainda se o jogador teve relações sexuais com a mulher.

“Independente do que aconteceu entre Daniel e a mulher do principal suspeito, a reação dos agressores foi desproporcional. Ele foi espancado e morto de forma cruel”, afirmou o delegado. Para ele, Daniel não tinha como reagir às agressões que sofreu.

A polícia acredita que cerca de dez pessoas presenciaram o espancamento de Daniel. Uma testemunha-chave prestou depoimento nesta quarta-feira (31) e disse que o jogador foi encontrado de cueca e camiseta dentro do quarto de Cristina Brittes, mulher de Edison.

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Uma perícia foi feita na casa onde Daniel foi agredido. Com as informações, a polícia espera esclarecer se a porta do quarto onde a esposa de Edison e o jogador estavam precisou ser arrombada ou não.

De acordo com a defesa do suspeito, Daniel teria se trancado no quarto com Cristina para tentar estuprar a mulher.

O carro usado para levar Daniel desacordado até a cena do crime também será periciado.

O Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Paraná (CBPMPR) ainda busca a faca usada no crime. Segundo a polícia, ela teria sido jogada em um riacho nas proximidades onde o corpo do jogador foi encontrado.

De acordo com o delegado, Daniel chegou em Curitiba na sexta-feira (26) para ir ao aniversário de 18 anos da filha de Edison Brittes Júnior em um bar da cidade.

Depois da festa, cerca de dez pessoas foram até a casa de Edison continuar com as comemorações.

Segundo a polícia, Daniel era conhecido da filha do suspeito e inclusive tinha participado da festa de aniversário da garota no ano passado.

O que diz a defesa
O empresário Edson Brittes Júnior alega que perdeu o controle quando agrediu Daniel. “Eu fiquei aterrorizado quando vi ele com a minha mulher”, disse o empresário.

“Eu bati muito nele. Muito, muito. Tirei ele para fora da casa, não sei se estava acordado, desacordado, se só tinha fechado o olho”, afirmou Edson.

Depois da agressão, segundo ele, o empresário colocou Daniel no porta-malas do carro e o tirou da casa, junto de três amigos.

Ele conta que os amigos tentaram o impedir de cometer o crime, “mas não iam conseguir” em função do descontrole emocional que tomou conta do empresário. Edson Brittes Júnior disse que usou uma faca para matar o jogador.

“Eu não pensava em nada. Eu tinha uma faca no carro, uma faca pequena, que eu usava no carro, que fica junto com as ferramentas no porta-malas. Eu não sabia que eu ia fazer aquilo, eu estava desesperado, fora de mim. Olhei no porta-malas e vi o que tinha”, relatou o suspeito.

Daniel
O meia Daniel estava emprestado pelo São Paulo ao São Bento, time que disputa a Série B do Campeonato Brasileiro. Em 2017, jogou no Coritiba.

Daniel nasceu em Juiz de Fora (MG) e tinha 24 anos. Revelado pelo Cruzeiro, o meia também passou pelo Botafogo e Ponte Preta.

O atleta foi velado e enterrado em Conselheiro Lafaiete (MG), onde a família dele mora.

G1