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Provas em Chapecó definem finalistas do Freio de Ouro

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24/06/2017 14:12

Os 16 melhores conjuntos de cavalos da raça crioula e seus ginetes, de Santa Catarina e do Paraná, serão escolhidos neste fim de semana, no Parque de Exposições Tancredo Neves, em Chapecó

Cavalo Estilhaço do Caçador, montado pelo ginete Daniel Teixeira durante o Bocal de Ouro, em Esteio, em 2016 Foto: Fagner Almeida / Divulgação ABCCC
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São 28 fêmeas e 29 machos que já passaram por etapas credenciadoras em suas regiões e que agora disputam a etapa classificatória do Freio de Ouro, que é uma semifinal da principal competição da raça crioula no país.

No Oeste serão escolhidos oito machos e oito fêmeas que participação da final, que anualmente ocorre em Esteio (RS), em agosto, durante a Expointer.

A competição iniciou na quinta-feira, com o julgamento morfológico, onde são avaliadas as características dos animais. Na sexta-feira se iniciaram as provas de competição. Neste sábado, a partir das 8h30, ocorrem as etapas de mangueira e, a partir das 14h, as de campo. No domingo, a partir das 9h, são as avaliações finais, com encerramento previsto para às 12h.

Um dos favoritos para a classificação é o Estilhaço do Caçador, da Cabanha Caçador, da cidade homônima. No ano passado ele foi vencedor do Bocal de Ouro, que é uma das provas classificatórias em Esteio e acabou ficando em sétimo na classificação geral, o que é um resultado muito bom diante da dificuldade na disputa.

Prêmio é objetivo para os criadores da raça

Sandoval Caramori, dono da Cabanha Caçador, diz que a competição inicia com 1,6 mil cavalos, inclusive com etapas internacionais. Os 90 melhores vão para Esteio:

— O objetivo de todo criador de cavalo crioulo é conseguir uma premiação no Freio de Ouro, pois ela reúne os melhores animais da raça e dá um reconhecimento para as cabanhas vencedoras.

Com a premiação vem a valorização dos descendentes. Uma dose de sêmen do Estilhaço do Caçador sai por R$ 10 mil. E alguns cavalos e éguas superam o valor de R$ 1 milhão nas avaliações.

Caramori destacou que, para chegar num animal como o Estilhaço do Caçador, comprou uma égua premiada em várias exposições, a Ofélia do Purunã, e comprou uma sêmen de um cavalo chileno, reconhecido como um dos melhores da raça, Santa Elba do Señuelo.

Depois foi muito cuidado e treinamento, além de um bom ginete, que é Daniel Teixeira, já premiado no Freio de Ouro. Quem cuida da cabanha, fundada há 13 anos, é a filha de Sandoval, Stefânia Caramori, que é médica veterinária.

Ele afirmou que a criação do cavalo crioulo vem se destacando em Santa Catarina, onde houve crescimento de 7,5% no ano passado. Segundo dados da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCC), são 19,8 mil animais em solo catarinense.

Somente na região Oeste são cerca de 100 cabanhas associadas, segundo o presidente do Núcleo dos Criadores de Cavalos Crioulos do Oeste Catarinense, Fábio Fávero.

– Nossa região tem muita competição de laço, cavalgada, passeios e isso vem aguçando o gosto das pessoas pela criação do cavalo crioulo, que é um animal muito dócil – destacou.

Ele afirmou que esta é a terceira vez que Chapecó sedia uma etapa classificatória do Freio de Ouro, sendo a primeira vez reunindo animais credenciados em Santa Catarina e também do Paraná.

Avaliação e critérios
Primeira etapa
Morfologia: É avaliado o padrão da raça, o equilíbrio e bom relevo muscular.

Segunda etapa
Prova funcional: Avalia o desempenho do animal em provas que reproduzem movimentos dos trabalhos no campo. São eles:

Andadura: É avaliado o desempenho em três modos de andar: tranco, trote e galope, sendo que o trote tem peso maior por ser o mais utilizado no deslocamento no campo.

Figura: É montado um circuito com fenos em que se avalia o equilíbrio nas trocas de mãos (patas dianteiras) e patas, potência e execução e submissão ao ginete.

Volta sobre patas e esbarrada: Na volta sobre patas o animal tem que girar sobre o próprio corpo em 360 graus para um lado e depois para o outro. Na esbarrada o ginete acelera o cavalo por 20 metros e faz uma freada brusca, onde o cavalo praticamente ¿senta no chão¿.

Mangueira: Primeiro o cavalo tem que separar um dos dois novilhos que estão na mangueira. Depois tem que afastar o novilho do outro bovino por 45 segundos. No final tem que arremeter com o peito a lateral do novilho, primeiro de um lado e depois do outro e fazer ele recuar, em apenas 45 segundos.

Prova de campo: É feita em duplas e o novilho deve ser prensado pelos cavalos num trecho entre 30 metros e 80 metros, na chamada paleteada. Depois os cavalos devem se adiantar ao bovino e cortar-lhe a frente, reconduzindo-o para a mangueira.

Fonte: Com informações do veterinário Gilbero Loureiro de Souza publicadas no site do Canal Rural

DC/Fronteira Online