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‘Quero e preciso’, diz catador que usa placa em carrinho para pedir trabalho

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29/07/2016 14:25
Legenda da foto

Fernando mudou de Guarapuava para Curitiba há dois meses. Ele procura trabalho estável para mandar dinheiro para família

Desempregado, Fernando Klite, de 36 anos, saiu de Guarapuava, na região central do Paraná, para tentar um emprego em Curitiba. Dois meses depois, ele, que trabalha como carrinheiro, ainda não conseguiu algo mais estável. Foi, então, que achou um jeito de avisar aos empregadores que precisa de uma vaga: colocou um anúncio no seu carrinho.

Em um papelão, escreveu: “Trabalho de pedreiro e carpinteiro e estou desempregado e quero trabalhar”. Embaixo do escrito, colocou o seu telefone. Com o carrinho, Fernando roda por Curitiba o dia inteiro, especialmente pelos bairros Bom Retiro e Mercês, recolhendo recicláveis.

“Eu vim de Guarapuava sozinho, estava difícil de arrumar emprego por lá também. Deixei minha esposa, meus filhos gêmeos, minha enteada e as filhas dela, que crio como se fossem minhas netas. Boa parte do dinheiro que consigo como catador, envio para eles”, explica.

Ainda segundo ele, como carrinheiro, ganha de R$ 25 a R$ 40 por dia. “Tiro um pouco para o aluguel e comida. Todo o resto, envio a eles”, diz. Fernando não perde a esperança de achar um emprego mais estável e espera que a ideia de anúncio ajude. “Quem sabe assim alguém me dê uma oportunidade”, afirma.

O catador diz ainda que, caso consiga arrumar um trabalho, deve continuar por Curitiba. “Vou ficar e manda dinheiro para a minha família até a situação ficar mais estável. Dá muita saudade de casa, especialmente quando a gente tem filhos, mas é preciso fazer sacrifícios”, conclui.

Ajuda de internautas
Assim como Maurício Garcia Silvestre, de 55 anos, que fez seus cartões de visitas à mão e bombou na internet, Fernando também tem uma “madrinha”.

Na quinta-feira, 28, a atitude de Fernando chamou a atenção da moradora Bianca Rubini. Na sua página no Facebook, ela compartilhou a foto do anúncio, na tentativa de ajudá-lo a achar uma vaga. Dezenas de pessoas compartilharam a publicação.

“Eu estava caminhando pela região e me chamou a atenção. Até atravessei a rua para ver o que tava escrito. Tirei uma foto na tentativa de ajudar. É um exemplo de pessoa que realmente quer trabalhar”, acredita.

G1/ Fronteira Online