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Serralheiro transforma Kombi em lar sobre rodas em Campinas: ‘O básico que é bom’

Lazer
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26/02/2018 14:43

Veículo recebeu pintura especial, tem os itens básicos para o cotidiano e fica estacionado na rua onde Donizete Cavalheri mora há 25 anos

Veículo recebeu pintura customizada para se tornar moradia (Foto: Reprodução/ EPTV)
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Uma fachada de tijolinhos, flores na janela e a plaquinha que não deixa dúvidas: trata-se de uma Kombi que foi transformada em um lar. A casa sobre rodas fica no Jardim Conceição, em Campinas, e é de Donizete Cavalheri, serralheiro de 57 anos, que modificou a lataria com spray, pincel e tinta e fez do automóvel seu mundo particular.

Ela é bem simples, mas tem tudo que ele precisava pra viver em paz. Um colchão pra descansar o corpo, a televisão pra espairecer a mente, poucas roupas e sapatos. E uma despensa com os alimentos bem organizados. A comida também é preparada no veículo.

Donizete Cavalheri no interior da Kombi (Foto: Reprodução/EPTV)

Donizete Cavalheri no interior da Kombi (Foto: Reprodução/EPTV)

A higiene pessoal ele faz no banheiro de um depósito de gás. Em troca do banho, ajuda no que precisar, de atendimento ao cliente a serviço de serralheria. Donizete nasceu no Paraná. Veio para o Estado de São Paulo ainda criança e tem dez irmãos. Parou os estudos no 6º ano do Ensino Fundamental, mas se orgulha de ter aprendido o ofício sozinho. Conta que já foi dono de serralheria, teve quinze funcionários, viajou muito, mas nada disso lhe trouxe felicidade. E reflete:

“Vai querer só viagem, roupa boa, isso e aquilo, mas você não pensa no que é bom. O básico que é bom. É a amizade, é ser simples, é ser humilde”.

A Kombi virou moradia há dois anos, desde que os serviços se tornaram escassos e Donizete não pôde mais pagar aluguel. Ela fica no bairro onde ele mora há 25 anos e criou amizades. Está estacionada exatamente na porta da casa onde ele morou por último. E a vizinhança não se incomoda nem um pouco com a presença dos dois na rua.

A balconista Waldirene Menezes se mudou para a casa antiga dele há cinco meses, e sempre que chega de trabalho ele está ali, desncansado na porta da casa dela. “Eu me sinto protegida, porque ninguém entra, ninguém sai. Ele sempre taí na porta, sempre bem conversador”, conta ela.

O marceneiro José Venâncio Neto também convive bem com o vizinho, tanto que até cedeu a energia elétrica pra ele. “Porque eu tenho conforto eu acho que as pessoas que não tem oportunidade também tem que ter”, afirmou. Mesmo cercado de pessoas queridas, Donizete deixa escapar uma tristeza: a falta de contato com o único filho, que hoje tem 37 anos. “Eu queria ter amizade com o meu filho. Eu não sei o fato que levou ele a se distanciar. Pra mim, vai ser filho pra sempre”.

G1