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Tinder da Juventude? Mãozinha da organização ajuda atletas a se conhecerem na Vila Olímpica

Esportes
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15/10/2018 10:19

Dispositivo serve para trocar informações apenas com a aproximação, o que também facilita o xaveco, dizem os atletas. Ideia é promover a integração e a interação entre os competidores

Foto: Arquivo pessoal
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Os organizadores dos Jogos Olímpicos da Juventude resolveram dar uma mãozinha para os atletas se conhecerem melhor em Buenos Aires. E essa mãozinha não é no sentido figurado apenas, não. Ela tem nome: Yogger. Ou como foi apelidada pelos competidores: Hi-Five. É um dispositivo, como um pen-drive, em formato de mão que serve para os atletas trocarem dados (nome, telefone, e-mail, contas das redes sociais etc.) entre eles apenas com uma aproximação.

Basta encostar uma mãozinha na outra e pronto, você pode baixar em um aplicativo as informações sobre seu novo amigo. Bom, amigo ou amiga a princípio, mas que pode ser algo mais, claro.

– Tem gente que se aproveita da situação. Eu sou vítima dessa situação. Tenho vários pretendentes. Mas o que eu quero tá no pódio: a medalha – diz uma das 79 atletas brasileiras dos Jogos.

A Olimpíada da Juventude tem cerca de 4 mil atletas e, pela primeira vez em uma edição olímpica, exatamente o mesmo número de homens e mulheres. Outra particularidade é que todos os atletas ficam na Vila Olímpica do primeiro ao último dia dos Jogos, independentemente se as disputas da sua modalidade já tenham acabado. Nos Jogos Olímpicos “adultos”, normalmente quem encerra sua participação deixa a Vila para a entrada de novos atletas. Desta forma, acaba sobrando um tempo livre para muitos dos jovens que tem entre 15 e 18 anos praticarem outro esporte: o xaveco.

– Agora tá ficando pior porque a maioria dos esportes está acabando, então tá todo mundo chegando – afirma um medalhista brasileiro.

Por muitos dos competidores serem menor de idade, há mais regras na Vila da Juventude do que em outras Olimpíadas. Por exemplo, há uma espécie de toque de recolher para os quartos às 10h e o silêncio reina a partir das 23h. Enquanto na “adulta”, até boate já foi feita pelos organizadores dentro da área residencial. Nos Jogos do Rio 2016, por exemplo, foram distribuídos 450 mil preservativos para os cerca de 11 mil atletas, segundo revelou a Folha de S.Paulo à época.

Em Buenos Aires, de acordo com o jornal La Nación, 144 mil preservativos estão à disposição dos 4 mil competidores. Mas segundo um atleta brasileiro que ainda está competindo, não há muito tempo nem chance para os namoricos apesar de muitos tentarem.

– Alguns tentam, sim. Mas não estão conseguindo – comenta, rindo, um atleta do Brasil que completa dizendo que estão sendo rígidos com saidinhas noturnas.
Na cartilha do COB (Comitê Olímpico do Brasil), por exemplo, há orientação sobre assédio e não é permitido a entrada de homens nos quartos das mulheres e vice-versa.

O Yogger, no entanto, não é apenas o “Tinder da Juventude”, como também já foi apelidado, em referência ao aplicativo utilizado para promover encontros, digamos, românticos. Uma das ideias dos organizadores é, sim, promover o maior contato dos atletas, mas também a interação deles com as atividades culturais e esportivas dos Jogos da Juventude.

– Serve para se conectar com os outros atletas e ganhar brindes quando faz as brincadeiras. É uma forma bem legal de interagir com todos os países. Quando você conversa e quer lembrar da pessoa que você conversou, basta bater a mãozinha – diz uma outra brasileira que já competiu nos Jogos e segue na Vila.

Os brindes são personalizados com o logo de Buenos Aires 2018, como lenços, toalhas, mochilas ou ainda eletrônicos, como o que todos eles querem ganhar, um carregador portátil de celular. Assim, basta juntar pontos participando das atividades ou assistindo às disputas de outros esportes e o atleta troca pelos brindes na Vila. E, sim, somente os atletas ganharam essa mãozinha.

– Tá todo mundo usando, muito mais nos primeiros dia, então já estamos com bastante informação de atletas de todos os lugares do mundo, ali, guardadas para o resto da vida, né. Uma iniciativa muito legal. E se a galera tá usando para conseguir uns casos, aí não sei… Acredito que sim.

Não para ter as informações, mas ter uma forma de chegar e conversar com as pessoas. Vamos conectar as mãozinhas? E aí já puxa assunto, sabe. Iniciativa legal, faz a gente ter uma integração com outros países – resume outra medalhista do Brasil.

Globo Esporte