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Toyota vai usar críticas do passado para acertar com Yaris, diz presidente

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23/01/2018 18:00

Rafael Chang dá sequência à série de entrevistas do G1 com presidentes das montadoras que mais vendem no Brasil. Fiat, Nissan e Honda são as próximas

Toyota Yaris (Foto: Divulgação)
Legenda da foto

Com o Corolla como um dos 10 carros mais vendidos do país, a Toyota vai estrear neste ano no segmento logo abaixo, com o Yaris. Inédito no Brasil, ele vai ser uma opção acima do Etios.

A versão hatch já tinha sido anunciada para o 2º semestre, mas o Yaris sedã também está a caminho para brigar com o recém-lançado Volkswagen Virtus e o Fiat Cronos, que chega em breve.

Em entrevista na série do G1 com presidentes de montadoras que mais vendem, o peruano Rafael Chang, que comanda a Toyota do Brasil, disse que aproveitará críticas ao Etios e ao Corolla para acertar com o Yaris logo de cara.

Uma das lições foi a do Etios, que “apanhou” no lançamento, em 2012, principalmente pelo acabamento interno, considerado pobre. Ele passou por mudanças nos anos seguintes.

“O Etios foi um bom aprendizado. Muitos dos ensinamentos que recebemos com ele estamos refletindo no Yaris”

Chang também fez reflexão parecida ao falar sobre por que a montadora demorou mais do que as concorrentes para oferecer o controle de estabilidade no Corolla brasileiro.

“Às vezes essas decisões tomam algum tempo para serem implementadas em alguns mercados. Temos que reconhecer isso”, comentou o executivo.

“O que estamos tentando, para o Yaris, é não esperar o segundo momento para introduzir as especificações que o mercado requer”

Chang falou ainda da ausência da marca no disputado segmento dos SUVs compactos, os recalls dos ‘airbags mortais’ e sobre estudos para carros híbridos – aqueles com um modelo a combustão e outro elétrico – com etanol.

Veja mais trechos da entrevista abaixo.

C-HR não vem agora

O presidente da Toyota disse que, tão cedo, a marca não terá um SUV compacto no Brasil. A venda do C-HR, lançado no exterior em 2016 e visto por muitos como o concorrente ideal para Honda HR-V e companhia, está descartada por ora. O motivo: ficaria muito caro.

“Tem uma equação que é o volume disponível para trazer (o C-HR) aqui ao Brasil com o custo (…) Achamos que essa equação ainda não vai dar o que nós esperaríamos aqui no Brasil”

Chang diz que, por ora, o RAV4 vai ser o principal representante da montadora no segmento dos SUVs: para isso, acaba de lançar uma versão mais simples do modelo.

“Essas 3 letras (C-HR) foram substituídas por essas 4 que já falei: RAV4”

Ele também comentou sobre a possibilidade de a Toyota produzir aqui SUVs compactos da sua marca de baixo custo, a Daihatsu. A ideia foi levantada pelo chefe dele, o americano Steve St. Angelo, presidente da Toyota América Latina, durante o Salão de Tóquio.

“Ainda não temos nada definido, mas é uma das opções que poderiam trazer para nós produtos produzidos pela Toyota, mais acessíveis e, sobretudo, atacando o mercado de veículos compactos.”

Recalls dos ‘airbags mortais’

Além de responder sobre a demora para o Corolla ter controle de estabilidade, o presidente da Toyota falou sobre os recall dos airbags defeituosos da Takata.

Os “airbags mortais” levaram diversas montadoras a chamar milhões de carros às oficinas. No Brasil, Honda e Toyota têm a maior quantidade (veja todos os chamados).

Ao responder sobre reclamações de clientes da montadora pela falta de peças de substituição, Chang disse que a montadora tem contatado cliente por cliente.

“Cada concessionário, nossa própria empresa, estamos tentando solucionar caso por caso”

Fim da crise no setor

Chang diz que a crise já acabou. A Toyota espera que a indústria feche 2018 com 2,5 milhões de veículos emplacados, um crescimento de cerca de 10%, semelhante ao do ano passado.

Sobre o Rota 2030, conjunto de regras para o setor automotivo, que deve vigorar a partir deste ano, o executivo acredita que ele vai pôr o Brasil no caminho de exportador global.

“(O Rota 2030) vai colocar o Brasil como um jogador mundial, para desenvolver carros que podem competir e podem ser inseridos em outros mercados do mundo”

Preço do carro

O presidente da Toyota voltou a falar sobre a necessidade de o Brasil ser mais competitivo ao responder a perguntas de internautas sobre por que o carro é caro no país.

“Algo que é o importante é competitividade… Esta é uma palavra-chave para o Brasil se tornar jogador mundial”

Chang citou a necessidade de reforma de impostos. E a importância de aumentar a quantidade de partes do carro feitas no país, a chamada “localização”.

Apesar de liderar a venda de carros híbridos no Brasil, com o Prius, Chang não crava que esse tipo de veículo irá dominar os mercados. E, por isso, a montadora desenvolve várias tecnologias, inclusive elétricos com célula de hidrogênio.

‘Ao final do dia, cada mercado vai decidir qual o tipo de energia vai tomar. Não vai ser a montadora, não vai ser uma marca que vai dizer: ‘Aqui vai ser elétrico’ ou ‘Vai ser híbrido”

O executivo diz que a marca já testa carro híbrido com etanol, conforme o G1 noticiou em outubro, mas que ainda não existe “um plano concreto em termos de quando ou como vai ser”.

Respondendo a um internauta sobre quando o Brasil terá carros elétricos e híbridos com preços acessíveis, Chang afirmou que o valor dos produtos atuais está de acordo. O Prius custra R$ 126.600.

G1