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Agente do sistema socioeducativo também é infectado por sarna

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16/08/2017 14:55

Servidor lotado na Unidade de Semiliberdade do Guará é o primeiro da carreira a ser infectado desde o início do surto que acomete presídios

Foto: Reprodução
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O surto de doenças de pele que tem atingido o sistema penitenciário do DF se alastra para as unidades de cumprimento de medidas socioeducativas. Na segunda-feira, 14, foi registrado o primeiro caso de servidor da categoria infectado com sarna, uma das enfermidades que tem atingido os presídios da capital, e que causa coceira e feridas.

O agente é lotado na Unidade de Semiliberdade do Guará, que acolhe menores do gênero feminino. O local é o mesmo onde, na última semana, sete adolescentes foram contaminadas por sarna. O prédio passou por limpeza, mas, ainda assim, o agente acabou diagnosticado com a patologia, causada por um ácaro minúsculo.

A ocorrência elevou o sinal de alerta entre os servidores. “Os agentes da unidade estão extremamente preocupados. Quando as internas foram diagnosticadas, pedimos a desinfecção, mas depois um servidor ainda foi contaminado. Agora, estamos pedindo uma limpeza realmente efetiva e a suspensão das atividades na unidade até a resolução do problema”, disse o presidente do Sindicato dos Servidores da Carreira Socioeducativa do DF (Sindsse-DF), Walter Marques.

Segundo a Subsecretaria do Sistema Socioeducativo (Subsis), o agente é o primeiro e o único servidor da unidade diagnosticado com sarna até o momento. A pasta afirma ainda que ele não estava de plantão quando as adolescentes apresentaram o problema. O funcionário está de atestado médico por sete dias para tratar da doença em casa.

Ainda de acordo com a Subsis, “após o diagnóstico das jovens, a Unidade de Semiliberdade do Guará passou por processo de desinfecção, houve troca dos colchões e roupas de cama, conforme orientado pelas autoridades de saúde”. Das sete adolescentes doentes, cinco voltaram ao centro nesta terça-feira (15). Outras duas continuam de atestado.

Sistema penitenciário
Revelada pelo Metrópoles em 13 de julho, as doenças de pele no sistema penitenciário do DF se espalharam por todas as unidades prisionais da capital — Penitenciária do Distrito Federal I (PDF 1), Penitenciária do Distrito Federal II (PDF 2), Centro de Internamento e Reeducação (CIR), Centro de Detenção Provisória (CDP), Centro de Progressão Penitenciária (CPP) e Penitenciária Feminina (PFDF).

Segundo o último levantamento divulgado pela Secretaria de Segurança do DF (SSP-DF), a infecção chegou a mais de 2,6 mil dos 15,3 mil presidiários abrigados no sistema local. Além da sarna, também foram registrados casos de tinea, ptiríase, furunculose e impetigo.

As doenças também se espalharam entre servidores das penitenciárias. Pelo menos cinco foram infectados desde o fim de julho. Segundo a Subsecretaria do Sistema Penitenciário (Sesipe), unidades médicas dos presídios, ligadas à Secretaria de Saúde, vêm trabalhando para estabilizar o surto entre a população carcerária.

Conselho de Direitos Humanos
No início do mês, o Conselho Distrital de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos (CDPDDH) fez diversas recomendações à Secretaria de Segurança Pública sobre medidas de prevenção contra a possibilidade de novas infecções. Uma das medidas propostas, é a elaboração de um “Plano Operativo Distrital de Saúde do Sistema Prisional do DF”, com o objetivo de operacionalizar medidas para saúde dos detentos.

O órgão também recomenda a nomeação de agentes penitenciários e os cuidados na lavagem das roupas dos presidiários, na higienização das celas e nas condições de banho dos detentos.

Metrópoles/Fronteira Online