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Aposentada reúne quatro gerações em aniversário de 100 anos e diz que segredo para vida longa é a ‘cervejinha’

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17/10/2017 11:14

Esbanjando lucidez e bom humor, vovó Philó conta que sente saudades da infância no interior de SP. São-paulina por causa do marido, a idosa brinca: 'nunca vi o Palmeiras ser campeão mundial'

G1
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“Quando eu ficar velha, quero fumar cachimbo”. A declaração inusitada pode até causar espanto em que lê, mas, na verdade, é só mais uma brincadeira da aposentada Philomena Gertrudes Favaretto Vieira, cujo próprio nome com “ph” já denuncia nem ser tão jovem assim.

Nascida em Pontal, no interior de São Paulo, onde mora até hoje, a vovó Philó esbanja bom humor e lucidez aos 100 anos. Quem não a conhece, duvida da idade. Já quem convive, sempre se surpreende com o otimismo e a disposição, suas marcas registradas.

“O segredo é a cervejinha. Sempre gostei de tomar a minha cervejinha, nunca me fez mal”, diz a idosa, que reuniu quatro gerações para a comemoração do centenário. Além dos três irmãos ainda vivos, estiveram na festa os seis filhos, os 12 netos e os 12 bisnetos, além dos agregados.

Apesar da audição comprometida, Philó tem uma memória de dar inveja e não deixa de opinar nas conversas, mostrando que não tem nenhum tipo de preconceito e está “antenada” ao que acontece no mundo. Mas, o assunto preferido dela é mesmo o futebol.

“Meu marido assistia muito pela televisão. Eu comecei a gostar e a torcer pelo São Paulo, e me tornei são-paulina. Apesar de [o time] perder todos os jogos, eu continuo são-paulina até a morte. Eu brigo com a família toda, porque eles são todos palmeirenses”, diz.

Em um vídeo gravado durante o aniversário (veja abaixo), em 9 de setembro, Philó dispara: “Eu tenho 100 anos e nunca vi o Palmeiras ser campeão mundial”. A brincadeira arranca gritos, gargalhadas e assovios dos familiares.

Nascida no auge da Primeira Guerra Mundial, Philó é filha de italianos legítimos. Adelia Carne Secca e Giusto Vicenzo Favaretto vieram para o Brasil ainda jovens, no porão de um navio de imigrantes, e se fixaram em Pontal.

“Eles pararam em Cravinhos, depois se mudaram para Sertãozinho e de lá para Pontal. Eles se casaram em Pontal. Meu pai trabalhava como ferreiro, ferrava animal. Minha mãe ajudava meu pai na oficina”, relembra.

Naquela época, a cidade que ainda hoje é pacata, com 47 mil habitantes, era ainda menor, praticamente formada por propriedades rurais. Philó conta que todos os moradores se conheciam e sente saudades das brincadeiras na rua com as amigas.

“No meu tempo era bom demais. Hoje, não é assim, é tudo diferente. As meninas não podem nem sair na rua porque é perigoso, ficam presas dentro de casa, não se divertem como a gente se divertia. Eu tenho muita saudade da minha infância, do tempo em que eu era moça”, diz.

A família

Philó conta que sempre foi muito religiosa e que a fé a uniu ao grande amor de sua vida. Mas, essa história não tem nada a ver com promessa para Santo Antônio. O casal se conheceu em uma procissão e bastou uma troca de olhares para se apaixonarem.

“Ele veio conversar comigo e a gente começou a namorar. Os pais dele não queriam o namoro. A mãe não queria porque eu era sete anos mais velha do que ele. Mas, eu não ligava muito para isso. Namoramos bastante e depois enchemos a casa de filhos”, diz.

A primeira filha morreu ainda bebê. Depois dela, vieram outros cinco. Mas, o amor do casal era tão grande que podia ser dividido com mais uma criança. Foi então que decidiram adotar a filha caçula, com dois meses de vida.

Nessa época, o marido já trabalhava como barbeiro e Philó era professora em Pontal, além de ensinar “corte e costura” em Ribeirão Preto (SP). Se, hoje, a viagem entre as duas cidades leva cerca de 40 minutos, naquela época era bem mais complicada.

Depois, Philó abandonou o magistério e se dedicou exclusivamente à costura, enquanto o marido seguia firme e forte na barbearia. Enfrentaram muitas crises, mas, nenhuma dificuldade abateve o casal, que ficou junto por 65 anos.

“Eu sinto muita falta dele porque a gente fica sem nada. Até desmanchei a casa e fui morar com a minha filha. Eu sinto muita falta dele, mas tem que se conformar”, afirma a idosa, viúva há cinco anos. “A gente tem que viver, né?! Eu ainda estou novinha, novinha”, completa.

A família tenta se espelhar em Philó para enfrentar os problemas do dia a dia. Uma das netas, a pedagoga Náthaly Sardinha Gomide, afirma que poucas vezes viu a vovó centenária chateada ou preocupada, e nunca ouviu dela nenhum tipo de reclamação.

“Ela gosta de viver, ela curte a vida, ela não se deixa abater pelos problemas. Mesmo que ela esteja passando por uma situação difícil, ela sempre mantém o bom humor, brinca, tira sarro. Ela tem uma jovialidade que não condiz com a idade dela”, diz.

G1