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Atriz que interpreta Jesus trans comemora liberação de peça: ‘Satisfação e alívio’

Lazer
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22/02/2018 14:42

'O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu' havia sido proibido de ser encenado em Jundiaí. Não há previsão para apresentação no município

Peça 'O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu' foi cancelada em Jundia (Foto: Ligia Jardim/Divulgação)
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A atriz da peça “O Evangelho segundo Jesus, rainha do céu” celebrou com a equipe do espetáculo a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que derrubou a liminar que proibia a encenação no Sesc de Jundiaí (SP).

“Recebo com muita satisfação e alívio. Nos dá mais força para continuar nessa luta. Houve coerência e discernimento do desembargador”, disse Renata Carvalho, em entrevista, nesta quarta-feira, 21.

Após a proibição, o Sesc de Jundiaí interpôs um agravo de instrumento pedindo a liberação da peça, que foi acatada, também em caráter provisório.

O acórdão do Tribunal de Justiça publicado na segunda-feira, 19, confirmou a liminar que derruba a proibição da peça.

Para o relator do acórdão, o desembargador José Luiz Mônaco da Silva, a proibição “feriu de morte a atividade artística da atriz transgênero que interpreta o personagem bíblico Jesus Cristo.”.

O julgamento teve a participação também dos desembargadores Erickson Gavazza Marques e James Siano e Moreira Viegas. Todos foram favoráveis à revogação da liminar que proibia a encenação do espetáculo na cidade.

Apesar da suspensão da liminar, a diretora do espetáculo, Natalia Mallo, disse que não há nova data de apresentação em Jundiaí. A primeira encenação seria no dia 15 de setembro.

“É uma vitória. Agora que pensem duas vezes antes de criar um processo que fere a liberdade de expressão apoiado em preconceitos”, conta Natalia. Foi a primeira vez que o espetáculo foi impedido de ser apresentado.

Após ser impedida a apresentação em Jundiaí, a peça foi encenada em São José do Rio Preto (SP), onde foi ovacionada por centenas de espectadores.

Proibição

O documento, que tinha sido concedido pelo juiz Luiz Antônio de Campos Júnior, da 1º Vara Cível de Jundiaí, dizia que “uma vez que, muito embora o Brasil seja um Estado Laico, não é menos verdadeiro o fato de se obstar que figuras religiosas e até mesmo sagradas sejam expostas ao ridículo, além de ser uma peça de indiscutível mau gosto e desrespeitosa ao extremo.”

O espetáculo é uma mistura de monólogo, contação de histórias e traz Jesus representado por uma mulher transgênero. O grupo teatral que encenaria o espetáculo – classificado para maiores de 18 anos – lamentou a decisão da Justiça na época.

G1