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Candidatos pagavam até R$ 200 mil por vaga

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21/08/2017 13:44

Entre os concursos sob suspeita, estão o dos bombeiros, da Terracap e secretarias de Educação e Saúde. Seleção da CLDF era a próximo alvo

Foto: Reprodução
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Candidatos beneficiados pela Máfia dos Concursos chegavam a pagar até R$ 200 mil para conseguir a aprovação. Segundo a Polícia Civil do DF, era dado um sinal entre R$ 5 mil e R$ 10 mil. Se o nome constasse entre as primeiras colocações na divulgação do resultado, os aprovados desembolsavam até 20 vezes mais para concretizar o negócio.  A suspeita é de que pelo menos 100 pessoas tenham sido beneficiadas com o esquema.

O grupo organizado que fazia a operação não era desconhecido. Agia sob a liderança do ex-servidor do Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT) Hélio Ortiz, envolvia funcionários de bancas organizadoras e até o dono de uma faculdade que fornecia diplomas de curso superior aos candidatos.

“A organização criminosa não deixou de atuar desde aquela época. Estão aí há pelo menos uma década participando de fraudes em concursos públicos”. Foi com esta declaração que o delegado-adjunto de Repressão ao Crime Organizado (Deco), Adriano Valente, começou a explicar os motivos que levaram a Polícia Civil do DF a deflagrar, nesta segunda-feira, 21, a Operação Panoptes.

Entre as linhas de investigação, que envolve as bancas organizadoras, está a possibilidade de o grupo ter acesso às provas em branco que seriam preenchidas. “Isso está sendo analisado”, confirmou o titular Bruno Ornellas. De acordo com o policial, ainda não existe uma lista com os processos seletivos que foram alvos dos criminosos, mas, segundo ele, “quase todos os concursos do DF podem ter sido fraudados”.

Já se sabe que há indícios de fraudes em concursos da Terracap, do Corpo de Bombeiros do DF e das secretarias de Saúde e Educação, além dos exames da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). De acordo com os investigadores, o próximo certame na mira da quadrilha era o da Câmara Legislativa, cujo edital foi divulgado nesta segunda.

Hélio Ortiz foi preso em 2006. Julgado e condenado, acabou solto por não ter, à época, a tipificação do crime de fraudes em concursos públicos. “Ele não tinha outra profissão que não fraudar concursos”, disse Ornellas. A Deco acredita que a atuação não acontecia somente no DF. Há suspeita de fraudes em outros estados.

De acordo com a polícia, a organização criminosa atuava nas portas das faculdades e cursinhos preparatórios angariando possíveis interessados em comprar uma vaga. E vendia o pacote completo, incluindo diplomas de graduação e pós-graduação, se fosse necessário. “Nos assustamos com o tamanho das fraudes. Para passar hoje, além de estudar muito, o candidato deve ter sorte. O processo (de prova) não é seguro”, lamentou Ornellas.

Metrópoles/Fronteira Online