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Casal celebra 70 anos de casamento e diz que fórmula para relacionamento duradouro está no respeito

Dicas, Entretenimento
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31/05/2017 10:13

Seu Milton Esteves, de 94 anos, e dona Elza Falcone Esteves, de 91 anos, comemoram bodas de vinho, em Ribeirão Preto. 'É necessário haver dedicação plena', diz aposentada

Seu Milton e dona Elza mostram com orgulho a foto do dia do casamento há 70 anos (Foto: LG Rodrigues / G1)
Legenda da foto

As mãos não se separam há mais de meio século e estão sempre unidas em um firme aperto entrelaçado. Ao celebrarem 70 anos de casamento, seu Milton Esteves, de 94 anos, e dona Elza Falcone Esteves, de 91 anos, dizem que a forma que um tem de olhar o outro permanece com a mesma admiração e paixão de quando disseram sim no altar e se tornaram marido e mulher em 1947.

Ao folhear álbuns de fotografias lado a lado no sofá do apartamento em Ribeirão Preto (SP), o casal revela o que fez a relação ser duradoura em tempos de ‘casamentos descartáveis’: respeito. A vida a dois deu a eles três filhos, seis netos e seis bisnetos.

Amor à primeira vista

A trajetória de seu Milton e dona Elza começa antes do casamento celebrado no dia 1° de maio de 1947. Apresentado à eventual esposa por intermédio do irmão dela, tanto ele quanto ela dizem que foi amor à primeira vista.

“Nos conhecemos por parte do meu irmão. Ele começou a passear de bicicleta e ele e o Milton viraram companheiros de ciclismo. Um dia ele entrou em casa para cumprimentar minha família e achei ele bacana. Gostei, né? Em um outro dia fui até o dentista e ele me seguiu de bicicleta”, lembra Elza, aos risos.

Nessa época, Elza tinha 17 anos de idade e Milton estava com 20 anos. O clima de romance já estava no ar e tinha um ar de inocência. Seu Milton se recorda das vezes em que foi à casa dos Falcone para ver a jovem com a desculpa de se encontrar com o irmão dela.

“Quando eu ia chamar meu amigo ela ficava me olhando por trás da cortina na casa deles. Depois não nos separamos mais e sofro até hoje”, diz Milton.

O namoro durou quatro anos até que os dois resolveram oficializar o relacionamento com o matrimônio na Igreja Santo Antônio do Pari, na capital paulista. No aparador da sala do apartamento em Ribeirão Preto, um porta-retratos ocupa lugar de destaque. Ele guarda a foto da jovem Elza vestida de noiva, com os tradicionais véu e grinalda, ao lado do elegante noivo, Milton.

Logo após o primeiro ano de casamento surgiu a notícia da gravidez de Elza. Em 1948, ela deu à luz a primogênita, Suely. Mais tarde vieram os outros três filhos, Milton Júnior e Wilson. “Os filhos vieram, a gente teve aquelas preocupações de sempre”, diz Milton.

Papéis definidos

Na época, ele trabalhava como contador e Elza assumiu a condução da casa e a criação dos filhos. A filha mais velha afirma que os papéis bem definidos foram o pilar de sustentação da relação.

“Meu pai era o provedor e minha mãe era a dona da casa que organizava tudo, cuidava dos filhos. Os papéis eram bem definidos e um praticamente dependia do outro em alguns aspectos. Minha mãe dependia do meu pai financeiramente, coisas que normalmente o homem quase sempre fazia. Meu pai dependia muito da minha mãe porque ela organizava e fazia tudo funcionar. Acho que é isso que fez com que eles sempre vivessem muito bem, um não interferia no papel do outro”, diz Suely Esteves.

Respeito

Em 1976, o casal se estabeleceu em Ribeirão Preto. Segundo a filha Suely, os pais tiveram seus problemas, mas nunca chegaram a ter discussões ou brigas graves. As dificuldades nunca fizeram a família sofrer e ela acredita que o principal desafio dos casais de hoje está em superar a falta de paciência. Para Suely, muitas pessoas optam em encerrar namoros e casamentos por ser uma opção mais fácil do que se adaptar um ao outro.

Seu Milton e dona Elza compartilham da opinião da filha sobre a paciência no relacionamento, mas sustentam que a alegria e o respeito também são essenciais. “Respeito absoluto, assim como o respeito que eu sempre tive por ele e ele sempre teve por mim. E além desse respeito, é necessário haver dedicação plena”, diz Elza.

Os dois dizem nunca ter feito conta de quanto tempo o casamento iria durar. Mas, acreditam que as mudanças no comportamento da sociedade ao longo dos anos colaboraram para o fim das relações duradouras. Para eles, o fator respeito entre as pessoas é algo que se perdeu.

“A alegria do casamento, a felicidade e a dedicação são recíprocos e permanentes, mas tudo mudou no mundo, tanto nessa parte quanto na parte profissional. A mudança foi permanente, acho muito difícil que tudo volte a ser como era”, afirma Milton.

Com os filhos crescidos vieram os netos, seis no total. Agora, os avós noventões se derretem pelos bisnetos, que também são seis. No início de maio, a família esteve reunida em uma grande festa para celebrar as sete décadas de união. Seu Milton espera que tantos anos de parceria ao lado da mulher tenham surtido um efeito positivo na vida daqueles que os conhecem.

Ela aproveita para dar um puxão de orelha com carinho no companheiro de longa jornada, amor de uma vida inteira. “Nunca me mandou uma carta e nunca me deu flores, vou brigar com ele ainda hoje. Ele nunca me deu flores, mas também não precisava mandar, o material nunca importou”, diz dona Elza.

Gerações se reuniram para celebrar as 'Bodas de Vinho' de Milton e Elza em Ribeirão Preto, SP (Foto: Carolina Esteves / Arquivo Pessoal)

Gerações se reuniram para celebrar as ‘Bodas de Vinho’ de Milton e Elza em Ribeirão Preto, SP (Foto: Carolina Esteves / Arquivo Pessoal)

G1/Fronteira Online