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Cem dias depois, Grêmio perde fôlego e derrapa como “melhor futebol do Brasil”

Esportes, Nacional
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26/09/2017 08:11

Há três meses, Tricolor vencia o Fluminense e empatava com o Cruzeiro, na melhor partida do Brasileirão. Agora, se prepara para enfrentar os mesmos adversários em situação diferente

Renato Gaúcho fala que queda de rendimento é natural em temporada cheia (Foto: André Durão)
Legenda da foto

Há exatos 103 dias, o Grêmio fazia 2 a 0 no Maracanã sobre o Fluminense, pela sétima rodada do Brasileirão, e chegava ao auge na temporada, com o rótulo de “melhor futebol do Brasil”. Na sequência, protagonizou uma das melhores partidas da competição ao empatar em 3 a 3 com o Cruzeiro, no Mineirão. Passados mais de três meses, o time de Renato Gaúcho tem os dois adversários novamente pela frente, agora em casa, em momento de declínio técnico que pouco lembra aquele período de brilho intenso a nível nacional.

A queda de rendimento tricolor tem relação direta com a série de jogos decisivos em três competições diferentes, as lesões de Luan e Geromel e a saída de Pedro Rocha. A troca de passes envolvente para chegar ao gol não é mais a mesma de outrora, e o Tricolor parece ter perdido a pontaria. Ainda que vivo entre os quatro melhores da Libertadores, o clube gaúcho foi eliminado na Copa do Brasil, viu a gordura ser queimada neste início do segundo turno do Brasileirão e perdeu fôlego na caça ao líder Corinthians, com a perda da vice-liderança após a derrota para o Bahia.

“Não me preocupo. É normal no futebol. Viemos de três competições. Muitas viagens, jogos decisivos. Chega uma hora que cansa um pouquinho. Para quem queria que jogasse sempre com a mesma equipe, imagina, né. Não pudemos repetir a equipe por lesões e cartões. Mas tudo bem. Daqui a pouco teremos alguns dias, vamos recuperar todo mundo e estar forte de novo na Libertadores e no Brasileiro”. (Renato Gaúcho)

Aproveitamento em queda livre

Se acabou o primeiro turno com 39 pontos e 68,4% de aproveitamento, como vice-líder, o Grêmio está no Z-4 do returno. Com seis jogos disputados até o momento, somou apenas quatro pontos – uma vitória, um empate e quatro derrotas. Supera somente Coritiba e Sport. O aproveitamento é de 22%.

Se comparadas as últimas 10 rodadas, os números comprovam ainda mais o declínio tricolor. O rendimento não passa de 40%, com 12 pontos – três vitórias, três empates e quatro derrotas. A campanha é de 13º colocado. O time marcou 10 gols no período, sendo que metade deles apenas na goleada sobre o Sport.

GRÊMIO NO BRASILEIRÃO

VitóriasEmpatesDerrotasAproveitamento
Primeiro turno123468,4%
Segundo turno11422%
Últimos 10 jogos33440%
Em casa72363,8%
Fora de casa62551,2%

Se antes a pontuação fora de casa surpreendia, agora o Grêmio passa a ter problemas. No começo do Brasileirão, chegou a ter 75% de aproveitamento distante de Porto Alegre. Atualmente, perdeu o primeiro posto no quesito para o Corinthians e tem 51% (20 pontos). O efeito Arena também deixa a desejar. Como mandante, os gaúchos estão no quinto lugar, com 63,8% de rendimento (23 pontos).

Artilharia em baixa

Depois de vencer o Fluminense na sétima rodada, o Grêmio chegava a 18 gols no Brasileirão. A média era de 2,5 por partida. No total da temporada, o Tricolor marcava quase dois por jogo. Agora, após 25 rodadas, a média caiu para 1,6 no nacional. Com 99 tentos ao longo de 60 compromissos em 2017, a média total está em 1,65.

E teima em chegar ao centésimo. No Campeonato Brasileiro, foi às redes adversárias apenas uma vez nos últimos cinco jogos, no 5 a 0 sobre o Sport. Antes uma das equipes que mais finalizava, hoje ocupa a nona colocação entre os 20 clubes da Série A. Acumula 312 chutes, com média de 12,4 a cada 90 minutos. Mesmo assim, mantém-se com o melhor ataque da competição (40 gols).

Perda de posto nos passes

Com estilo de jogo que privilegia os toques curtos e triangulações, o Grêmio perdeu o posto de time que mais acerta passes no Brasileirão. Agora é o terceiro, com média de 297,3 por partida, atrás de Corinthians (332,4) e Flamengo (359,6). De outro lado, passou a errar 28,8 trocas de bola a cada jogo, ficando atrás de Palmeiras (28,5) e Chapecoense (28,6) na estatística.

Arthur e Ramiro, antes na ponta dos números individuais de passe, caíram para quinto e 10º, respectivamente. Enquanto o primeiro conta com uma média de 40,6 toques certos para companheiros, o segundo contabiliza 37,7.

Falta de reposições

Desde que Luan apresentou edema muscular na coxa direita, no último dia 7, o Grêmio venceu somente o Botafogo, pela Libertadores, no jogo que classificou o time para a semifinal. No partida de ida, empatou em 0 a 0. Foi derrotado por Vasco, Chapecoense e Bahia, todos pelo Brasileirão.

Como o elenco perdeu Bolaños, Lincoln e Gastón Fernández na janela europeia, Douglas ainda não tem condições de atuar devido à lesão no joelho e Maicon está fora do restante da temporada, as opções de Renato ficaram escassas na criação. O próprio treinador admitiu que não há disponível no elenco algum jogador com características de abrir as defesas como Luan.

As soluções que mais se aproximam disso são Léo Moura e Ramiro. Ambos foram utilizados centralizados na linha de três atrás do centroavante para organizar o sistema ofensivo. Nenhum vingou. A dupla, aliás, tende a render mais na faixa direita do campo. Para a Libertadores, o clube inscreverá o garoto Patrick, de 18 anos. O atleta surge como nova aposta e deve aparecer com frequência no decorrer das partidas – acertou a trave de Jean em duelo contra o Bahia.

No outro lado do ataque, porém, há uma perda que Renato demora para encontrar solução. Pedro Rocha foi vendido e deixou saudade. Artilheiro do time no Brasileirão com sete gols, Fernandinho foi alçado ao time titular. Contudo, não consegue repetir no lado esquerdo as exibições pela direita, quando tem a preferência para sua jogada mais forte, o corte para o meio e finalização. A característica de Pedro Rocha também não se replica. Além de acompanhar o lateral adversário, é mais agudo, com avanços em velocidade pela diagonal.

Na defesa, Geromel precisou deixar o time por mais de três semanas com um problema no músculo adutor da coxa direita, sentido na vitória por 1 a 0 sobre o Cruzeiro, na Arena, pela semifinal da Copa do Brasil. Bressan, entretanto, não deixou a desejar.

Cansaço

Por mais dinheiro que um jogador de futebol ganhe, os preparadores físicos fazem questão de salientar que não se tratam de “máquinas”. E algumas peças do elenco tricolor parecem perder o fôlego nesta reta final da temporada.

Com 60 jogos disputados até o momento, o Grêmio tem pelo menos sete atletas com mais de 40 aparições: Everton, Marcelo Grohe, Kannemann, Luan, Ramiro, Michel e Fernandinho. Destes, apenas Everton não é considerado titular, mas figura recorrente no segundo tempo.

Luan ganhou o descanso forçado pela lesão, mas acumula 41 partidas com a camisa tricolor. Um dos recordistas, com 47, Ramiro é quem mais aparenta sentir o desgaste. O rendimento em campo caiu recentemente, apesar de coincidir com a mudança de função no meio de campo.

Kannemann, com 45 duelos, teve as piores atuações nas últimas duas partidas, contra Bahia e Botafogo. Novo titular, Fernandinho já entrou em campo 46 vezes, enquanto Marcelo Grohe tem 44 e Michel, 42.

GE