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Chimpanzé Argentina libertada por habeas corpus ‘troca beijos’ com novo companheiro

Natureza, Notícias
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29/08/2017 10:42

Casal de Chimpanzés foi unido no Santuário de Grandes Primatas na cidade. A Argentina Cecília foi a primeira a ganhar liberdade por uma decisão judicial

Cecília e Marcelino tiveram primeiro 'encontro' em Sorocaba (Foto: Divulgação)
Legenda da foto

A solidão da chimpanzé Cecília, conhecida por ser a primeira grande primata libertada por habeas corpus do zoológico de Mendoza, na Argentina, ficou de vez no passado agora que ela encontrou um “namorado” no Santuário de Grandes Primatas de Sorocaba (SP).

O “casal 20” do recinto é separado por 10 anos de diferença. Cecília tem 20 anos e o Marcelino é considerado adolescente, aos 10, mas com maturidade sexual, segundo os cuidadores. Com isso, na última sexta-feira, 25, as portas dos recintos foram abertas para o primeiro encontro do chimpanzés.

Na ocasião, Cecilia tentava por todos os meios cativá-lo, ainda de acordo com os cuidadores, e manter contato. Marcelino, por outro lado, ficava agitado e fugia gritando. Mas não demorou até os dois se “abraçarem” e ficarem juntos. Com o sucesso da união, mais dois recintos foram abertos para o casal ter espaço. Porém, eles preferem ficar nos túneis e na passarela.

Cerca de 50 chimpanzés vivem no santuário e, até momento, a Cecília passava por um período de quarentena e adaptação à nova rotina. No início, Cecília demonstrava traumas da vida solitária na Argentina e não conseguia socializar com os outros animais.

Cecília e Marcelino vivem em um Santuário em Sorocaba (Foto: Divulgação)

Cecília e Marcelino vivem em um Santuário em Sorocaba (Foto: Divulgação)

Habeas corpus

A chimpanzé passou anos enclausurada em um zoológico de Mendoza e é a única sobrevivente de um grupo de quatro chimpanzés que vivia no parque argentino. Ela foi a primeira primata não humana a conseguir a liberdade através de um habeas corpus.

Em abril deste ano, Cecília saiu de Mendoza para Buenos Aires, e embarcou em um avião da Lan Chile com destino ao aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. A transferência foi acompanhada pela delegação do Ecoparque de Mendoza e o secretário de Meio Ambiente da província Mendocina.

Após chegar ao aeroporto, Cecília seguiu de caminhão para o Santuário de Grandes Primatas de Sorocaba, afiliado ao Great Ape Project (GAP). Na época, a expectativa para a chegada foi grande no local. O fundador e mantenedor do espaço, Pedro Ynterian, comentou a decisão da vinda da primata a Sorocaba. O G1 esteve no santuário em 2014 e conheceu o trabalho feito no local.

“O habeas corpus foi o primeiro passo para que se reconhecesse que os animais precisam de respeito, todos os animais, mas principalmente os primatas. Eles estão no mundo antes de nós. Para mim, são pessoas e trato eles como filhos. Moro com eles quatro dias por semana e sei como sentem, é uma coisa muito diferente do que vai encontrar com outras espécies”, disse.

O pedido foi feito pela ONG argentina AFADA (Asociación de Funcionarios y Abocados por los Derechos de los Animales) à Justiça do país, com argumentos de que a chimpanzé não é um objeto, e que se encontrava em condições precárias no zoológico.

O processo correu por mais de um ano na Justiça argentina até que a juíza Maria Alejandra Maurício, de Mendoza, concedeu o pedido e determinou a transferência de Cecília para o santuário brasileiro.

Faixa foi colocada no santuário para a recepção de Cecília, em Sorocaba (Foto: Fernanda Szabadi/G1)

Faixa foi colocada no santuário para a recepção de Cecília, em Sorocaba (Foto: Fernanda Szabadi/G1)

G1