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Copom se reúne nesta quarta, e analistas preveem que juro deve cair para 8,25%

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06/09/2017 14:09

Com o nível de atividade ainda se recuperando, expectativa é que BC baixe taxa Selic a menor patamar dos últimos 4 anos. Com medida, rendimento da poupança deve cair a partir desta quinta

Imagem mostra a trajetória da taxa Selic nos últimos anos (Foto: Arte/G1)
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Com a economia ainda em recuperação e a inflação atingindo níveis cada vez mais baixos, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reunirá nesta quarta-feira, 6, para definir a taxa básica de juros da economia. A expectativa dos analistas é que a Selic será reduzida dos atuais 9,25% para 8,25% ao ano.

A decisão do BC será anunciada por volta das 18h desta quarta, após o fechamento do mercado financeiro. A expectativa da maior parte dos analistas dos bancos consta de pesquisa realizada na semana passada pelo Banco Central com mais de 100 instituições financeiras.

Se confirmada essa previsão, será o oitavo corte consecutivo na Selic, o que levará a taxa ao menor patamar desde julho de 2013.

A estimativa dos analistas é que o juro continue a recuar nos próximos meses, chegando a 7,25% ao final deste ano, mas avançando para 7,5% em 2018.

Sistema de metas

A definição da taxa de juros pelo BC tem como foco o cumprimento da meta de inflação, fixada todos os anos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Para 2017 e para 2018, a meta central de inflação é de 4,5%, com intervalo de tolerância de dois pontos percentuais, de modo que o IPCA pode variar sem o objetivo ser formalmente descumprido.

Normalmente, quando a inflação está alta, o BC eleva a Selic na expectativa de o encarecimento do crédito freiar o consumo e, com isso, a inflação cair. Essa medida, porém, afeta a economia e gera desemprego.

Quando as estimativas para a inflação estão em linha com as metas predeterminadas pelo CMN, o BC reduz os juros. É o que está acontecendo agora.

Em razão do fraco nível de atividade, a inflação tem registrados níveis mais baixos neste ano. De janeiro a julho, segundo o IBGE, a inflação oficial, medida pelo IPCA, ficou em 1,43%, bem abaixo dos 4,96% registrados em igual período do ano passado.

Para 2017, o mercado financeiro prevê que a inflação deve ficar em 3,38%, abaixo da meta de 4,5% fixada pelo CMN para este ano. A meta central de inflação não é atingida no Brasil desde 2009.

Rendimento da poupança

Com o recuo da taxa básica de juros nesta quarta-feira, o rendimento da poupança também deve ficar menor a partir desta quinta, 7.

Isso porque a regra atual, em vigor desde maio de 2012,prevê corte nos rendimentos da poupança quando a Selic ficar abaixo de 8,5%.

Nessa situação, a correção anual das cadernetas fica limitada a um percentual equivalente a 70% da Selic, mais a Taxa Referencial, calculada pelo BC. A norma vale para depósitos feitos a partir de 4 de maio de 2012.

Se o juro básico da economia recuar para 8,25% ao ano, a partir desta quinta a regra de corte de rendimentos começaria a valer e a correção da poupança passaria a ser de 70% desse valor – o equivalente a 5,77%, mais Taxa Referencial.

O rendimento da poupança pode ficar ainda menor caso o Copom promova novos cortes na Selic nos próximos meses – analistas consultados pelo BC estimam que os juros básicos terminem 2017 em 7,25% ao ano.

No fim do ano passado, dado mais recente, o país tinha mais de 148 milhões de contas poupança ativas, que concentravam R$ 658 bilhões. Em julho deste ano, o valor já havia subido para R$ 681 bilhões.

Por que a regra mudou?

Desde 1991, a poupança rende, ao menos, 0,5% ao mês (6,17% ao ano), mais a Taxa Referencial, com exceção de um período entre maio de 2012 e julho de 2013, quando os juros básicos da economia também ficaram abaixo de 8,5% ao ano.

A medida visa evitar que a poupança fique mais atrativa que os demais investimentos, cujos rendimentos caem junto com a Selic. Sem o redutor, a poupança passaria a atrair recursos de grandes poupadores.

Se isso acontecesse, um dos prejudicados seria o governo, que teria dificuldades para fazer a chamada “rolagem” da dívida pública, ou seja, a emissão de títulos públicos pelo Tesouro Nacional para pagar os papéis que estão vencendo.

Com rendimento maior, a poupança poderia atrair os recursos de grandes investidores, que deixariam de comprar os títulos públicos.

G1