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Dieta mais saudável contribui para a saúde do meio ambiente em países ricos, diz estudo

Notícias, Saúde
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06/12/2017 13:43

Diminuição dos gases causadores do efeito estufa e menor uso do solo, com preservação de vegetação nativa, explicam a relação, relatam pesquisadores

Diminuição do consumo de carne e maior consumo de vegetais contribui para a saúde do meio ambiente (Foto: Reuters/Courtesy of Oldways)
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Uma dieta mais saudável em países ricos contribui para a redução de gases causadores do efeito estufa, diminui o uso do solo e corta taxas de eutrofização (quando o excesso de matéria orgânica na água a polui).

Estudo publicado no PNAS analisou dados de 37 países (64% da população global). Para chegar aos resultados, pesquisadores compararam a adoção de dietas recomendadas por órgãos de saúde com impactos ambientais. A pesquisa teve como primeiro autor Paul Behrens, da Universidade de Leiden (Holanda).

A partir da comparação, pesquisadores encontraram que a adoção da dieta em países de renda alta contribuiu para uma diminuição de 13% a 24% de gases causadores do efeito estufa; de 9,8% a 21,3% em eutrofização; e de 5,7 a 17,6% de uso do solo.

Já nos países de renda média alta, as diminuições foram, respectivamente, de 0,8 a 12,2%; de 7,7 a 19,4%; e de 7,2% a 18,6%. Foi considerado como ponto de partida para o estudo o momento imediatamente anterior à adoção das diretrizes dietéticas em cada país.

O Brasil, por exemplo possui uma diretriz do Ministério da Saúde para a nutrição, primeiramente publicada em 2006: o “Guia Alimentar da População Brasileira”. No guia, que tem a última edição de 2014, há indicações para que a alimentação tenha como base alimentos frescos (frutas, carnes, legumes) e minimamente processados (arroz, feijão e frutas secas).

Também há recomendações para que o brasileiro evite, ao máximo, os alimentos ultra processados, como macarrão instantâneo, salgadinhos de pacote e refrigerantes.

Efeito nos países pobres depende das diretrizes

Segundo o estudo, a maioria das recomendações dietéticas no mundo recomenda reduções de açúcar e óleos. Quanto à ingestão de calorias, as taxas variam: na Índia, a recomendação é de maior ingestão de caloria — enquanto os Estados Unidos focam em redução.

Também em países mais pobres, como Índia e Indonésia, há a recomendação para o aumento do consumo de carne (ao contrário do restante do mundo, que possui tendência de diminuição do consumo). Ainda, em regiões de renda baixa, há preocupações com subnutrição em algumas — o que justifica a adoção de diretrizes com maiores calorias.

Ainda, talvez seja essa variação na recomendação que tenha levado a uma tendência oposta nos efeitos das recomendações dietéticas em países mais pobres — neles, a adoção das diretrizes contribuiu para um aumento na produção de poluentes: de 12,4 a 17,0% nos gases causadores de efeito estufa; de 24,5 a 31,9% na eutrofização; e de 8,8 a 14,8% no uso do solo.

Produtos de origem animais poluem mais

Pesquisadores mostram que produtos de origem animal (carne, peixe e derivados do leite) estão mais frequentemente associados à poluição do meio ambiente. Eles respondem por 22% da emissão de gases causadores do efeito estufa em países pobres; por 65% em países de renda média alta; e por 70% em países de renda alta.

O estudo cita que países como o Brasil e a Austrália destoam do restante do grupo ao qual pertencem, com emissões ligadas à dieta cerca de 200% maiores que a média do grupo. “Isso acontece provavelmente pelo alto consumo de carne”, escreveram.

Produtos de origem animal costumam ter impacto mais alto pelo desmatamento para as pastagens, que libera CO2 para atmosfera e pelos gases emitidos como produto da digestão desses animais.

No Brasil, estudo já demonstrou que metade das emissões são provenientes da pecuária. Além do consumo de carne, o estudo do PNAS também aponta para a predileção pela pecuária extensiva (que utiliza maiores áreas) no país como um dos fatores que contribuem para as emissões.

G1