X

Notícias

Em defesa de Rui e Maninho: o que a Chape quer passar com o discurso de Maringá?

Esportes, Nacional
-
10/09/2017 09:44

Diretor de futebol vai a público em uma rara aparição sem o diretor executivo, sai em defesa do colega, e fala em “melhor momento do ano internamente”

Nivaldo, gerente de futebol, esteve ao lado de Maringá (Foto: Rafael Bressan/Chapecoense)
Legenda da foto

A Chapecoense está “fechada” no objetivo de manter o clube na Série A do Brasileirão em 2018. Óbvio! Mas nem tanto. Maringá, diretor de futebol, conversou – sem a presença de Rui Costa – com a imprensa, em uma situação atípica na temporada 2017. O assunto em questão foi justamente para respaldar o diretor executivo da Chape e o mandatário Plínio David De Nes Filho, o Maninho.

Em um primeiro momento, Maringá reforçou o discurso de Rui Costa, que garantiu a permanência da Chapecoense na Série A, em entrevista coletiva na semana passada, e que acreditava na capacidade do elenco. O diretor, ao lado de Nivaldo, gerente de futebol, fez coro de forma incisiva:

– Ouvi atentamente as palavras do Rui Costa na semana passada e quero reiterar o que ele disse sobre acreditar no grupo de jogadores que estão aqui e dizer vamos manter a Chapecoense entre os melhores clubes do Brasil no ano que vem, mas para isso, algumas coisas precisam mudar – disse Maringá.

Porém, discordou de Rui ao falar sobre as responsabilidades. Independente do destino da Chapecoense em 2018, se na Série A ou na B, Maringá se diz igualmente responsável.

– Mudo apenas o discurso quando ele diz que ele é responsável por tudo que acontecer com a Chapecoense: se cair, as derrotas… Vejo o futebol de maneira completamente diferente. A responsabilidade é do departamento de futebol, converso diariamente com o Nivaldo e ele pensa isso. Seria covarde de nossa parte, quando o clube passa um momento difícil, deixar o Rui tomar toda a responsabilidade. Igualmente ficaria chateado se, no fim do ano, vocês colocassem que o Rui Costa trabalhou sozinho e é o único responsável pela manutenção.

Maringá também enfatizou uma questão importante para o clube: afirma que não há “racha” na diretoria, como especulado e repercutido na cidade. Com um discurso centralizador na última semana, Rui Costa se colocou em evidência para as críticas, mas ficou longe de cativar a torcida.

A desconfiança em relação à diretoria seguiu forte mesmo com o tom utilizado por Rui Costa. Uma faixa pedia a saída de Maninho e do executivo ficou exposta em uma movimentada rua de Chapecó por um período razoável.

Com o histórico de duas pessoas que têm sua carreira intimamente ligadas ao clube – tanto Nivaldo como Maringá foram campeões estaduais como atletas – a Chapecoense tenta retomar a confiança e a simpatia da torcida. Maringá foi direto ao ponto:

– Chegou o momento muito delicado na competição e precisamos mais do que nunca do apoio dos senhores (jornalistas) e da torcida. Quando entra em uma situação dessas, com toda a crise, por mais fortes que sejamos, sentimos as pancadas. Quando são pancadas mais fortes, elas doem. Temos uma missão muito difícil, mas vamos conseguir, que é manter a Chapecoense entre os melhores do Brasil. Com apoio é mais fácil, claro que não tem como pedir para torcida, ou imprensa não criticar um time que está na zona de rebaixamento, mas (pedimos) uma crítica mais ponderada e acima de tudo acreditando que é possível. Nossos adversários são os outros.

Faz parte da estratégia traçada pelo clube, em uma união de esforços, evitar um desastroso rebaixamento. Maringá também reafirmou algo que é repetido informalmente pelos atletas: o grupo está fechado. Apesar das críticas e do momento vivido, o dirigente citou o clima no vestiário como combustível para alimentar a esperança de recuperação.

– Vou falar uma coisa que vai parecer um contrassenso: vivemos, desde janeiro, nosso melhor momento internamente. Falo isso porque conheço o vestiário, e tomamos algumas ações nos últimos 15, 20 dias que me permitem hoje dizer isso. Estou confiante na possibilidade de nos mantermos na Série A.

DEFESA À RUI E MANINHO

Além da insatisfação da torcida com Rui Costa, Maninho também é alvo. Apesar de ter entrado no cargo com a credibilidade de quem vive o clube desde sua fundação, o presidente foi enfraquecendo no decorrer da temporada. Erros como o da escalação irregular de Luiz Otávio, que custou a vaga nas oitavas da Libertadores, a demissão de Vagner Mancini após empate e bom futebol contra o Fluminense, e o cumprimento de uma desgastante agenda internacional, contribuiram para a baixa popularidade.

– DNA não serve para (argumentar sobre) este momento, porque se alguém tem o DNA da Chapecoense é o Seu Plínio. Desde a fundação, com o pai dele, ele. Claro que não há números para isso, mas desde que estou aqui é a família que mais esteve presente, inclusive financeiramente. Fiz parte do futebol aqui quando jogava, era treinador, quando faltava grana o caminho era o escritório do Seu Plínio. As pessoas tratam ele como se estivesse chegando também – disse Maringá.

O diretor de futebol acredita que a desconfiança com Rui Costa se deve ao fato de o executivo ser de fora da cidade. Apesar disso, Maringá voltou a defender o colega, rechaçando mais uma vez a ideia de uma crise

– A questão do Rui é cultural. No futebol, é a primeira vez que temos alguém de fora. Montamos o departamento nesta diretoria em 2011: foram cinco, seis anos com pessoas de Chapecó tocando (Maurinho e Cadu eram os responsáveis). Tem um pouco de bairrismo, mas tem que dar uma credibilidade. Conheço o trabalho do Rui internamente e ele tem trabalhado 15, 18 horas. Ele dorme pensando em dar o melhor. Os questionamentos existem, a gente respeita. Não tinha naquele momento como não ser o Seu Plínio o presidente e não tinha como eu e Nivaldo recusarmos o convite. Talvez a carga para mim e Nivaldo seria grande de, em dezembro, montar o time em 15 dias. A vinda do Rui foi muito boa para nós.

A Chapecoense saberá no próximo domingo, quando enfrenta o Cruzeiro na Arena Condá, se a estratégia de reaproximação com o torcedor funcionou. Alguns pontos de venda de ingressos ainda estão com a carga total disponível. Até o momento o menor público foi em jogo contra o Bahia (3.466) e o maior contra o Corinthians (15.831 pessoas). Curiosamente foram jogos em sequência dentro de casa, apesar da disância entre as datas – 2 de agosto e 23 de agosto, respectivamente.

GE